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Ação de alfabetização ajuda a preservar tradições indígenas em aldeia de SP

Em uma ação de distribuição de alimentos, projeto percebeu necessidade de ensinar a aldeia - Divulgação
Em uma ação de distribuição de alimentos, projeto percebeu necessidade de ensinar a aldeia Imagem: Divulgação

Giacomo Vicenzo

Colaboração para Ecoa, de São Paulo

19/10/2021 06h00

Em uma lousa branca estão escritas as palavras Nhanderú, javi e tata, que significam: "Deus [de forma humana]", "bom dia" e "fogo" na família linguística tupi-guarani, respectivamente. O conteúdo faz parte da aula levada pelo Projeto Esperança (já contamos aqui em Ecoa como ele começou por conta de um cachorro caramelo) à aldeia Filhos Dessa Terra, localizada em Guarulhos, Região Metropolitana de São Paulo.

É com o vocabulário da própria língua, e aprendendo como desenhar as letras que dão sentido à leitura, que crianças, jovens e adultos indígenas estão rompendo a barreira da alfabetização e compreensão textual - algo que se agravou ainda mais com a pandemia de covid-19.

"Ao visitarmos o local, percebemos que alguns adultos eram analfabetos ou não tinham Ensino Fundamental completo. As crianças e jovens tinham muita dificuldade em ter aulas EAD. Então tivemos a ideia de levar professores até eles e concretizamos uma parceria com a líder da aldeia, que abraçou o projeto", conta a veterinária Vitória Mesquita, de 24 anos, criadora do Projeto Esperança.

Projeto Esperança - Divulgação - Divulgação
Crianças, jovens e adultos estão rompendo a barreira da alfabetização com o vocabulário da própria língua
Imagem: Divulgação

Vitória conheceu a região fazendo entregas de cestas básicas, que comumente faz em seu projeto. Ao se deparar com a situação, criou uma nova frente chamada "Semeando Esperança". Com a ajuda de professores e voluntários ela leva, há pouco mais de um mês, aulas de compreensão textual e aplica processos de alfabetização todos os domingos na aldeia indígena.

"Levamos uma equipe de cerca de 10 professores, que alfabetiza individualmente cada aluno. Os voluntários auxiliam e dão apoio nas aulas que ocorrem das 9h às 12h", explica a idealizadora.

Alfabetização para respeitar e preservar raízes

Para o publicitário Célio Alves, 38, que colabora nas ações da aldeia indígena, o projeto atende duas necessidades das lideranças e habitantes da aldeia: a preservação da cultura ancestral entre os mais jovens e o acesso à educação.

"Como em qualquer grupo social, pessoas instruídas são mais conhecedoras de seus direitos, independentes e menos influenciáveis. O acesso ao conhecimento que levamos objetiva o desenvolvimento dos habitantes da aldeia, mas sem sobrepor ao aprendizado dos seus costumes", afirma Alves sobre o trabalho realizado.

"Utilizamos os mesmos métodos aplicados em todas as escolas e, a partir do momento em que o aluno desenvolve a capacidade de ler e escrever as palavras contidas no material didático, ele também evolui no aprendizado da cultura indígena", completa.

Esperança - Divulgação - Divulgação
Crianças e jovens tinham dificuldade em ter aulas EAD, o que levou grupo a criar projeto em parceria com a líder da aldeia
Imagem: Divulgação

Na aldeia, há membros dedicados ao ensinamento das tradições aos mais jovens, que agora contam com o apoio da alfabetização para transmitir a cultura às novas gerações e não mais dependem apenas da oralidade. "Nossa colaboração com a alfabetização soma-se ao esforço para que a cultura seja mantida por meio da capacitação para ler e escrever também na língua raiz das etnias da aldeia", diz Alves.

As aulas contam com lanches entregues e preparados pelos voluntários e apoio de material didático doado por uma escola, que abraçou a causa do projeto.

O projeto aceita doações diversas, como valores em dinheiro, voluntariado e materiais didáticos. Para saber mais sobre como ajudar, basta entrar em contato por mensagem privada com a página Projeto Esperança no Instagram.