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Bancários doam cestas e comida a quem perdeu emprego na pandemia em SP

Depois que conseguiram estabilidade, bancários decidiram ajudar quem não teve a mesma sorte - SEEB/SP
Depois que conseguiram estabilidade, bancários decidiram ajudar quem não teve a mesma sorte Imagem: SEEB/SP

Tainara Rebelo

Colaboração para Ecoa, em São Paulo

17/09/2021 06h00

Desde que a pandemia de covid-19 começou no Brasil, a comoção tomou conta das pessoas, independentemente do perfil social, etnia ou profissão. É possível ver coletivos, ONGs, pessoas físicas e jurídicas em ação. E uma dessas forças vem da área sindical.

Os 'Bancários Solidários' desde abril do ano passado unem forças para fazer doações de cestas básicas e refeições diárias em São Paulo, Osasco e região. A secretária-geral do sindicato em São Paulo, Neiva Ribeiro, diz que a pauta surgiu ainda em março do ano passado, quando começaram as negociações do home office com a Fenaban (Federação Nacional dos Bancos) por causa da pandemia.

Ela conta que a classe conseguiu garantir que 70% da força de trabalho entrasse em home office, além de manter os salários sem redução. Quando se sentiram em segurança, os bancários se viram na obrigação de ajudar quem não teve a mesma sorte e acabou perdendo o emprego. "A gente viu pessoas que tinham uma vida tranquila precisar, da noite para o dia, ir morar em uma barraca na rua e nos sentimos na obrigação de ajudar".

O Sindicato costuma fazer outras atividades solidárias para público externo de tempos em tempos, e como a força de arrecadação deles é significativa, decidiram usar a quadra da sede para reunir donativos e encaminhá-los para a população em situação de rua. De acordo com Neiva, foi feita uma parceria com uma distribuidora de cestas básicas, garantindo uma doação de cesta extra a cada 20 compradas. Todo mês, em data escolhida, acontece o Dia D de doação, e todos os filiados ao sindicato dão a sua contribuição à causa.

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Em um ano e meio de ação já foram arrecadadas e distribuídas para a comunidade 6 toneladas de alimentos
Imagem: SEEB/SP

"Mas só recolher alimentos não estava dando. Em agosto do ano passado fizemos um acordo com a "Rede Rua", que já cuida de pessoas em situação de vulnerabilidade. Como tínhamos o espaço, cedemos a nossa quadra para que eles pudessem cozinhar os alimentos, e assim seguimos desde então", afirmou.

Em um ano e meio de ação, e um ano de parceria com a Rede Rua, já foram arrecadadas 6 toneladas de alimentos. Diariamente, são entregues mil refeições no sindicato para desempregados, trabalhadores autônomos e população em situação de rua. "Muitas dessas pessoas estão nessa situação pela primeira vez", conta Neiva.

No frio extremo que fez na cidade em julho deste ano, os Bancários Solidários arrecadaram ainda cobertores e capas de chuva para distribuir junto com as refeições. E recentemente uma doação diretamente para o PIX do projeto do Padre Júlio Lancellotti, coordenador da Pastoral do Povo de Rua, da Arquidiocese de São Paulo.

Perguntada sobre a continuidade das ações quando a situação pandêmica melhorar, Neiva é categórica e explica que não vai parar: "O governo não ajuda como deveria e as pessoas não conseguem se restabelecer sozinhas ainda. Se a agente parar, elas vão ficar desamparadas".

A esperança do sindicato é que essas pessoas em situação de vulnerabilidade se recoloquem no mercado. "Quando a gente consegue fazer esse chamado e as pessoas respondem, a gente percebe que tem muita solidariedade no mundo. A gente briga por opinião política, mas na hora de fazer doação as pessoas se juntam.

As agências que reunirem doações para a campanha Bancário Solidário podem solicitar a retirada pelo Sindicato, por meio do WhatsApp (11) 97232-1647, no telefone 11 3188-5200, ou ainda entrando em contato com um dirigente sindical. As doações podem ser de alimentos não perecíveis, cestas básicas, roupas e cobertas em bom estado, água potável e itens de higiene. Para mais informações, acesse: www.spbancarios.com.br