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Empresas que mudam

Empresas que mudam

Na'kau produz chocolate orgânico e valoriza cacau de ribeirinhos

Produtores de cacau Jorge e Bento com chocolates da Na"Kau - Na"Kau/Divulgação
Produtores de cacau Jorge e Bento com chocolates da Na'Kau Imagem: Na'Kau/Divulgação

Juliana Domingos de Lima

De Ecoa, em São Paulo

13/09/2021 12h52

O Brasil é o 7º maior produtor de cacau do mundo, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), com Pará e Bahia liderando o cultivo nacional. Mas é do Amazonas que vem a matéria-prima do Na'kau, chocolate orgânico e artesanal feito em Manaus a partir do cacau selvagem amazônico.

A marca lançada em 2017 faz parte da Na Floresta Alimentos Amazônicos, empresa de impacto socioambiental positivo criada pelo biólogo paraense Artur Bicelli Coimbra alguns anos antes, em 2013.

Ele já trabalhava com ações de conservação da Floresta Amazônica desde a época de estudante e viu potencial no cacau produzido no interior do estado — então vendido a um preço baixo — para gerar transformação. Conhecendo de perto as necessidades das populações da floresta, a ideia era agregar valor ao produto para gerar renda para os produtores.

"A gente ainda tem situações de fome na Amazônia. É uma coisa que não dá pra entender"
Artur Bicelli Coimbra
Biólogo e criador da Na Floresta Alimentos Amazônicos

Hoje a marca trabalha com 52 famílias ribeirinhas, produtoras de cacau em oito municípios do Amazonas: Boa Vista do Ramos, Borba, Manicoré, Maués, Novo Aripuanã, Nova Olinda do Norte, Tefé e Urucurituba.

O valor pago aos produtores pela empresa é mais que o dobro do que é oferecido no mercado local — R$17 o quilo, enquanto compradores locais pagam de R$5 a R$10, segundo um produtor ouvido por Ecoa.

Produtora de cacau - Na'Kau/Divulgação - Na'Kau/Divulgação
Dinorath Figueiredo, produtora de cacau de Nova Olinda do Norte (AM)
Imagem: Na'Kau/Divulgação
Cacau - Na'kau/Divulgação - Na'kau/Divulgação
Cacau recém colhido por produtores do Amazonas, antes dos processos de fermentação e secagem
Imagem: Na'kau/Divulgação

Além de melhorar a situação das famílias, a boa remuneração ajuda a garantir a floresta em pé, já que elas deixam de precisar recorrer a atividades predatórias para seu sustento.

O fruto originário da Amazônia tem um sabor particular, mais ácido e frutado do que o cacau cultivado em outras regiões. Soma-se à qualidade do fruto o fato de que o chocolate feito pela Na'kau é "bean to bar" (da amêndoa até a barra), um um tipo de produção artesanal que busca entregar um produto o mais natural possível, com poucos ingredientes.

Mas o maior diferencial que a Na'kau procura ter é a responsabilidade socioambiental: sua embalagem traz o selo de certificação orgânica, a indicação da procedência do cacau utilizado e também inclui uma imagem do rosto dos produtores. "Não estamos procurando fazer o chocolate mais gostoso do mundo, mas o mais sustentável", disse Artur Bicelli Coimbra a Ecoa.

O impacto em quem produz

Com o apoio do Instituto Piagaçu, ONG local, e do Ministério do Meio Ambiente do Japão, a empresa também tem investido no campo, fornecendo treinamento para produtores e materiais para o pós-colheita que melhoram a qualidade do cacau; também está em vias de implatar viveiros florestais e até biblioteca em algumas comunidades.

Joel de Oliveira Moreira e o filho, Rivaldo Castro Moreira, cultivam cacau às margens do Rio Madeira, no município de Borba, no Amazonas. O cacau nativo do local divide espaço com seringueiras e se aproveita da sombra e dos nutrientes de outras árvores.

Chocolate Na'kau - Na'Kau/Divulgação - Na'Kau/Divulgação
Chocolate da Na'kau feito com o cacau de Joel de Oliveira Moreira, produtor de Borba (AM)
Imagem: Na'Kau/Divulgação

Joel trabalha com a produção de cacau desde a infância, mas, segundo o filho, o fornecimento para a Na'kau trouxe melhoria de vida para a família.

"Desde que começamos a trabalhar com eles, muita coisa mudou — principalmente as condições financeiras. E as pessoas da minha região começaram a valorizar mais o cacau, porque já estavam abandonando o cultivo. Ganhamos reconhecimento", disse Rivaldo a Ecoa.

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