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Afro Presença: o que empresas podem aprender com comunidades tradicionais?

Quilombolas do Vale do Ribeira distribuem alimentos a comunidades de SP - Manoela Meyer/ ISA
Quilombolas do Vale do Ribeira distribuem alimentos a comunidades de SP Imagem: Manoela Meyer/ ISA

Carmen Lucia

colaboração para Ecoa, do Rio de Janeiro (RJ)

10/09/2021 08h17

"Alinhar as empresas para que elas entendam a comunidade quilombola, uma comunidade tradicional, um espaço de cultura e tradição, como o que ela é, não uma commodity, é o primeiro passo para que as grandes corporações consigam este compromisso com o Meio Ambiente e o povo que ali habita. O principal é a troca de conhecimento". Este pensamento de Edgard Aparecido de Moura, membro da Coordenação Nacional dos Agentes da Pastoral Negros do Brasil, deu o tom do segundo dia de debates do Afro Presença.

O evento transmitido por Ecoa entre os dias 8 e 10 de setembro, das 9h às 21h30, busca pensar formas de valorizar a diversidade na sociedade, é idealizado e coordenado pelo MPT (Ministério Público do Trabalho) e realizado pelo Pacto Global da ONU (Organização das Nações Unidas).

Nesta quinta-feira (9), o encontro discutiu sobre indígenas e quilombolas no Centro do ESG (Governança Ambiental, Social e Corporativa). "Todas elas são colaborativas, solidárias e democráticas. Precisamos pensar em uma forma de gerar renda de forma colaborativa. Aproximar escuta e consenso das comunidades tradicionais. Com certeza esta ação diminuiria o genocídio e a violência no campo", diz Edgard. Segundo ele, as empresas precisam incorporar projetos de meio ambiente, avançando em um processo de responsabilidade social sem deixar o capital passar na frente.

"É se preocupar com meu produto e com a cadeia que formalizou o meu produto. Por exemplo: se o supermercado vê um produto que no rural foi colocado agrotóxico, e esse agrotóxico contamina água, solo e pessoas, ela não deveria vender esse produto. O capital ganha com a sociedade", explica.

Para os participantes da mesa, as empresas precisam começar a olhar mais para os saberes ancestrais de comunidades tradicionais. Jibran Yopopem Patte, presidente da associação Empodera At,axa, se as empresas olhassem para a história da população indígena, se conseguissem ver tudo que ela construiu, chegariam à conclusão de que têm muito a aprender.

"As corporações têm muito a absorver com estas cosmovisões e a população indígena está preparada para trabalhar dentro das instituições. O que a população indígena tem para ensinar? Qual é o nosso pensamento sustentável? Resolvendo este enigma, a gente consegue aprender junto e contribuir para a sustentabilidade tanto do nosso território, quanto dentro das instituições com seus modelos de negócio".

Anne Vitória Nascimento, advogada, vice-presidente da Comissão de Relações Internacionais e mediadora do encontro, levantou o seguinte questionamento: "O que pode ser feito a respeito das empresas que não se preocupam com o desenvolvimento sustentável e essa responsabilidade social? É preciso cumprir a lei, que tenha inclusão, diversidade. O que fazer com as empresas que não pensam no desenvolvimento sustentável como objetivo?"

"A ideia é não consumir os produtos dessas empresas. Mudar a forma de pensar o consumo. Ela tem que ser afirmativa, sustentável, responsável. A saída é que muitas empresas que não estão envolvidas no social estão perdendo recurso, orçamento", respondeu Edgard.

Jibran complementou: "Neste sentido, cada cidadão tem essa responsabilidade de conhecer de onde vem o seu produto. Estamos caminhando para essa direção. A população indígena sempre teve estes questionamentos. A sociedade está se empoderando e todo cidadão têm um compromisso com essa realidade que estamos vivendo".