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Indígenas do rio Negro criam fundo para incentivar projetos sustentáveis

Mulheres manuseiam fungo utilizado na cestaria yanomami, durante a produção do artesanato, na comunidade de Maturacá, Terra Indígena Yanomami (AM) - Rogério Assis/ ISA
Mulheres manuseiam fungo utilizado na cestaria yanomami, durante a produção do artesanato, na comunidade de Maturacá, Terra Indígena Yanomami (AM) Imagem: Rogério Assis/ ISA

Lígia Nogueira

Colaboração para Ecoa, em São Paulo

08/09/2021 06h00

Indígenas do rio Negro criaram um fundo para incentivar o desenvolvimento sustentável da Amazônia. O primeiro edital do Fundo Indígena do Rio Negro será lançado na próxima sexta-feira, 10 de setembro, e aportará um total de R$ 1 milhão em iniciativas de associações filiadas à Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn).

A iniciativa inovadora em parceria com o Instituto Socioambiental (ISA) e com apoio da Embaixada Real da Noruega (ERN) receberá propostas das associações indígenas filiadas à Foirn nos três municípios de atuação da Federação —Barcelos, Santa Isabel do Rio Negro e São Gabriel da Cachoeira— até o dia 30 de novembro de 2021. Ao todo, a área de abrangência da Foirn engloba 12 terras indígenas no Noroeste amazônico, sendo oito delas contíguas, onde moram aproximadamente 35 mil indígenas de 23 etnias.

Com a conclusão dos planos de gestão territorial e ambiental das terras indígenas, o Fundo será importante para garantir recursos para que as comunidades, por meio das associações de base, possam implementar ações locais em áreas prioritárias para o desenvolvimento sustentável, a exemplo de roças comunitárias com produtos do sistema agrícola do rio Negro. "É um sonho que se torna realidade a partir desse Fundo", diz o presidente da Foirn, Marivelton Barroso, do povo Baré.

Ele conta que a inspiração veio de observar outros fundos de financiamento ou programas que existiram, como o PDPI (Projetos Demonstrativos dos Povos Indígenas). "A partir disso tivemos uma percepção de que era necessário ter um fundo específico que fosse construído e gerido por nós. Por mais que pegássemos a experiência adquirida em outros fundos e programas que existiram o objetivo era que pudéssemos fazer algo com o nosso formato e a cara dos povos do rio Negro, para atender às especificidades da nossa região", afirma.

Cultura, economia sustentável indígena e segurança alimentar

Este primeiro edital prevê duas categorias para aporte de recursos: a mirim, de até R$ 50 mil, e a de projetos intermediários, no valor de até R$ 100 mil. No primeiro caso, os beneficiários terão 12 meses para execução dos recursos, e, para o segundo, até 18 meses. Está previsto o apoio a 10 projetos na categoria mirim e 5 projetos da categoria intermediária, podendo ser utilizados eventuais saldos para o apoio a mais projetos. Os temas englobam cultura, economia sustentável indígena e segurança alimentar.