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Luiza Batista: "Se ainda estamos de pé e lutando, é porque estamos unidas"

Carmen Lúcia

Colaboração para Ecoa, do Rio de Janeiro

18/08/2021 06h00

O que fazer quando o seu trabalho se baseia em um tema, mas ao iniciá-lo, outra questão te atravessa e se faz presente de forma avassaladora? Isso aconteceu com a cineasta Tatiana Villela, ao iniciar as entrevistas para o documentário "Como Ela Faz". Tatiana é diretora da produção que foi transformada em série com cinco capítulos e ganhou debates na parceria entre Ecoa, Rede Brasil do Pacto Global da ONU e Tocha Filmes.

"Era uma série sobre equidade de gênero no mercado de trabalho, sobre a diferença entre homens e mulheres, na luta por suas conquistas profissionais. Mas a questão racial chamou nossa atenção ao longo do processo. Percebemos que era impossível falar de um tema sem abordar o outro. Lembro da Jaqueline Conceição trazendo questões que me fizeram cair algumas fichas. Entendi que teria que ter um lugar de fala diferente. Chamei uma codiretora negra para trazer este olhar. A série fala da questão racial de forma muito contundente", afirmou Tatiana ontem (17), durante o terceiro e último debate transmitido no Canal UOL e que teve como tema os sonhos e as conquistas das mulheres no mercado de trabalho.

Com ela, estavam Luiza Batista, que preside a Federação Nacional das Trabalhadoras Domésticas, Helen Pedroso, diretora de comunicação da Rede Brasil do Pacto Global da ONU, e Cris Bartis, cofundadora do Mamilos Podcast. A moderação ficou por conta de Ítala Herta, fundadora da Diver.Ssa, da aceleradora Vale do Dendê e curadora de Ecoa.

Ao ser questionada sobre os avanços dos direitos das trabalhadoras no Brasil, Luiza lembrou os anos de luta que marcaram estas conquistas. "Nossos avanços simbolizam um resgate da nossa luta. Começou na década de 30 com a dona Laudelina, uma mulher negra, que fundou a primeira associação das domésticas. Isso foi antes mesmo da consolidação das leis do trabalho. São mais de 80 anos de luta, uma luta que nunca parou. É uma batalha lenta, pois somos mulheres e somos negras. Pra gente, nada veio de graça. Se ainda estamos de pé e lutando, é porque estamos unidas."

A união feminina também é palavra de ordem para Cris Bartis. Segundo ela, a sua coragem para empreender veio por conta da sua rede de apoio. "Na prática, todas as mulheres são empreendedoras. É o jeito de fazer, de cuidar, de resistir, no relacionamento afetivo, na carreira, na escolha da roupa. Tudo isso é uma forma de construção no mundo. Mas a sociedade não nos permite ver isso. Eu consegui construir um negócio que leva o meu nome e isso é muito difícil. Tenho muitas investidoras. Tenho a moça que vem para minha casa e cuida das tarefas do lar, para eu ir trabalhar. Ela é uma investidora. A minha mãe que me incentivou também é uma investidora. E todas as mulheres que me encontraram no caminho e investiram em mim. Hoje, o meu trabalho é reinvestir nelas", disse.

Helen Pedroso trouxe para a discussão o surgimento do termo intraempreendedorismo, que consiste em encontrar oportunidades de empreender e inovar dentro da própria empresa, aproveitando os colaboradores que se interessam por empreendedorismo, criatividade e inovação. "As empresas têm muito a avançar, mas a discussão da equidade de gênero está entrando na pauta. As mulheres têm salários menores, principalmente as negras. Elas têm recebido 44% menos que os homens. Por isso, o Pacto Global e a ONU criaram um projeto que estabelece metas para as empresas, para que elas coloquem as mulheres intraempreendedoras na liderança. A gente está construindo o futuro de um mercado de trabalho liderado por mulheres. Assim, a gente gera uma transformação não só na empresa, mas na cadeia de valor, quando a gente tem mais mulheres no comando", finaliza.

Todos os episódios da série "Como Ela Faz?" estão disponíveis no Canal UOL.

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