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CEOs de grandes empresas compartilham ações para negócios sustentáveis

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Imagem: Adobe Stock

Carmen Lúcia

Colaboração para Ecoa, do Rio de Janeiro

13/08/2021 06h00

Ambição e sustentabilidade foi o tema do encontro com CEOs de grandes empresas, promovido ontem (12) pela Rede Brasil do Pacto Global da ONU mundiais e transmitido em Ecoa. Os executivos falaram sobre ambição a favor do desenvolvimento sustentável, equidade de gênero, educação e combate a corrupção e quais ações estão sendo feitas na prática para alinhar os negócios aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) estabelecidos pela Organização das Nações Unidas (ONU).

"Os negócios como estão não são opções viáveis para superar a crise. Se agirmos em acordo com as 16 ODS e o Acordo Climático de Paris, nos recuperaremos melhor da devastação gerada pela covid-19", disse Sanda Ojiambo, CEO e diretora executiva do Pacto Global, em fala de abertura previamente gravada.

A fala da líder da ONU foi introduzida por Helen Pedroso, diretora de relações internacionais do Pacto Global no Brasil, que reforçou a urgência de um olhar diferenciado para este cenário pandêmico.

Abrindo o primeiro Painel, Teresa Vernaglia, CEO da BRK Ambiental falou sobre a importância de ter mulheres em cargos de alta liderança e o desenvolvimento sustentável da empresa. Ela dividiu a fala com Guilherme Gomes Lencastre, Presidente do Conselho de Administração, Enel Brasil, que discorreu sobre a redução de emissões de gases poluentes no meio ambiente

"É uma responsabilidade do CEO gerar business sustentável que gere lucro. Mas isso não é mais suficiente. Temos que ir além. Precisamos de um ambiente que viabilize esta ação. Hoje, a sociedade cobra que as empresas estejam conectadas, as lideranças precisam estar atentas as suas ações. Não é só uma questão de engajamento, por acreditar em um propósito de que a gente precisa ter um planeta, para ter o nosso negócio, mas é também porque sem isso, não existe negócio. E não há como ter essa relação a longo prazo se a empresa não entender que ela precisa ser uma geradora de empregos. E é aqui que eu pontuo que as empresas são um extrato da sociedade. Estamos lutando para alcançar a equidade de gênero. Essa questão precisa estar na estratégia da empresa. Não pode ser só marketing. Nós temos metas específicas e a empresa precisa se conectar com elas. Um exemplo bacana é a parceria que temos com o Senai e o Pacto Global para formar mulheres encanadoras refugiadas, no projeto Reinventar. Formamos dezenas de mulheres no Recife e as contratamos".

Já Guilherme reforça a importância de tornar as metas das empresas transparentes para o mercado. "Pra gente, tão importante quanto trabalhar a sustentabilidade dentro da empresa, é levar essa reflexão para além dos nossos muros. Queremos fechar todas as plantas a carvão no mundo até 2027", explicou ele que reforçou a complexidade de ser fechar plantas como essas.

Já o CEO da Iguá Saneamento, Carlos Brandão, compartilhou uma estratégia para a diversidade que busca efetividade ao mexer no bolso dos executivos. Em sua empresa, as metas de sustentabilidade afetam diretamente a remuneração deles. "Buscamos formas de alcançar a ODS 13 de forma mais rápida. Queremos reduzir a emissão de gases, redução de geração de resíduos, uso de fontes renováveis, uso do gás metano para geração de energia, conservação de mananciais, entre outros", comentou.

Ações para garantir o acesso à água para as gerações futuras foi a meta detalhada por Carlos Eduardo Tavares de Castro, CEO da Copasa, com programas a favor de mananciais, que envolvam comunidades do entorno, preservação dos rios e e nascentes. "Água é primordial para a saúde das pessoas. Sabemos que 35 milhões de pessoas não têm acesso a água. Muitas regiões vivem o estresse da escassez de água e o nosso trabalho mostra a importância de cuidar da água e agregar valor", disse.

Os CEOs da Special Dog Company, Banco Triângulo e Afya abordaram a diversidade nos negócios. Erik Manfrim, da Special Dog, contou que o compromisso da companhia com a equidade teve início no ano passado. De lá para cá, criaram comitê e programa de inclusão e diversidade e estão preparando um censo para conhecer seus funcionários e orientar ações no futuro. "Em 2021, pela primeira vez, a sustentabilidade está norteando todas as áreas da empresa", afirmou.

Ricardo Batista, do Banco Triângulo, ressaltou que o grande desafio é proporcionar equidade de gênero em um ambiente dominado por homens. "A gente se desafiou a ter a equidade de gênero na empresa. Hoje, 25% da liderança é feminina. Queremos aumentar não só a equidade de gênero, mas a diversidade. O setor é conservador, mas podemos mudar isso. A pandemia fez a gente melhorar a forma de se comunicar. Neste processo, a gente abriu as frentes de discussão. Estamos criando canais para ouvir as pessoas, conversando com líderes para servir de mentoria, para ser exemplo para outros setores", compartilhou.

Virgilio Deloy Capobianco Gibbon, da Afya, é contou que se inspira nas duas filhas para lutar pela equidade. "Sou pai de meninas adolescentes que em breve entrarão no mercado de trabalho. O ensino superior hoje tem quase 60% de mulheres. A diversidade e a inclusão, principalmente na educação, são muito importantes. Se a gente quer assumir o lema de empresa que cuida de gente, a gente tem que trazer essas causas da equidade, da diversidade e da inclusão para dentro da nossa rotina", afirmou.

Para fechar, o evento contou com o olhar de Adriana Waltrick, CEO da SPIC Brasil, sobre formas de evitar a corrupção. "A pandemia nos lembrou que estamos todos no mesmo barco, mas alguns estão remando mais que outros. É um desafio de planejamento e de organização. Adotamos um programa de embaixadores de integridade, uma turma que multiplica os valores da empresa. Também formamos um Comitê de Monitoramento Ambiental, Ética e de Valores. Acreditamos no lema influencie, inspire e contagie para o que é certo".

A conversa foi mediada pela jornalista da Folha Eliane Trindade e teve também a presença de Carlo Pereira, diretor executivo da Rede Brasil do Pacto Global.

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