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Sim ou não?

Sim ou não?

O ensino básico deveria ser voltado para o mercado de trabalho?

 Candidatos aguardam início do exame na Etec (Escola Técnica Estadual) das Artes - Leandro Moraes/UOL
Candidatos aguardam início do exame na Etec (Escola Técnica Estadual) das Artes Imagem: Leandro Moraes/UOL

Jennifer Ann Thomas

Colaboração para Ecoa de São Paulo (SP)

05/08/2021 06h00

A educação é um direito garantido a todos os cidadãos brasileiros e que deveria ser providenciado pelo Estado. De acordo com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, de 1996, a educação escolar é dividida em dois momentos: a básica, formada pelos ciclos da educação infantil, do ensino fundamental e do ensino médio, e a superior.

De acordo com a LDB, "a educação básica tem por finalidades desenvolver o educando, assegurar-lhe a formação comum indispensável para o exercício da cidadania e fornecer-lhe meios para progredir no trabalho e em estudos posteriores". Ao mesmo tempo em que o ensino básico tem o dever de preparar as crianças e os adolescentes para o mundo do trabalho, isso não significa que o período dedicado ao aprendizado deveria ser integralmente focado no desenvolvimento de habilidades exclusivamente voltadas para o mercado. Há diferentes abordagens na educação que podem buscar o equilíbrio durante o período de desenvolvimento dos jovens.

Segundo a Diretora de Educação e Cultura da Infância do Instituto Alana, Raquel Franzim, ao longo do ciclo básico da educação, a criança tem inúmeras dimensões da vida para serem desenvolvidas, como a física, emocional, lúdica, social, cultural e, também, a formação para o mercado de trabalho. "O ideal é que esta etapa ocorra em uma fase da vida mais final do que o fundamental. O ensino médio dialoga mais com o mundo do trabalho, mas ele não pode se resumir ao trabalho", afirmou.

SIM

Referências

De acordo com Franzim, as vantagens de uma educação profissionalizante ou técnica na fase do ensino médio para os jovens são ter inserções sociais que vão além das relações pessoais. "Essa experiência faz parte do desenvolvimento humano. O mundo do trabalho é um universo importante. Ele pode ser experimentado nessa fase da vida, mas ele não pode ser a tábua de salvação de jovens que, já por conta de seu ciclo de vida, vão carregando desigualdades econômicas e sociais", disse.

Oportunidades

Além de garantir interações diferentes, o ensino técnico pode abrir muitas oportunidades para os jovens - contanto que a escolha não reduza o jovem apenas à dimensão do trabalho. Esse é o grande ponto de atenção, quando o ensino exclui outras dimensões importantes da vida. O ensino médio técnico não pode ser entendido como esvaziado do sentido humano.

O ideal é que estes modelos não deixem de oferecer outros recursos que os jovens precisam nessa fase da vida, como humanidades e linguagens. Além disso, o ensino técnico não deveria ser um caminho que anule a opção de entrar na faculdade.

O grande ponto de atenção é que o currículo precisa ser muito bem cuidado para não desconsiderar o caminho da universidade. Com os devidos cuidados, há um atrativo para aqueles que querem ter o lado profissional mais precocemente desenvolvido.

NÃO

Protagonismo

Ao longo de toda a educação básica, o estudante passar a aprender também com uma autonomia em relação à produção do conhecimento, característica que se aprofunda no Ensino médio. O jovem não pode ser tratado como pouco capaz. É importante que o aprofundamento aconteça e que a autonomia seja promovida.

Neste sentido, o Ensino Médio é um momento importante para promover o protagonismo, participar de agremiações estudantes e de projetos que tenham impacto positivo em comunidades. É importante que o jovem se reconheça como alguém capaz de transformar o mundo. Às vezes, a educação, mesmo que sem intenção, dá a entender que o jovem não pode, não consegue ou não tem lugar. Isso reforça ou reproduz estereótipos que a gente tem sobre adolescentes na sociedade.

Elitismo

Além das escolhas individuais de cada um, historicamente, as classes economicamente favorecidas, a elite, seguem o ensino médio clássico, de preparo para o vestibular, enquanto as menos favorecidas buscam o trabalho.

É um problema achar que o mundo do trabalho é para algumas pessoas e não para todos. Todos deveriam ter condições de escolher o ensino médio com condições iguais.

Além disso, a formação atual é para um mundo cada vez mais incerto e com mudanças aceleradas em termos de tecnologia, comunicação e relações de trabalho. A educação não pode ser cerceadora dessa experiência humana e crítica.

Fontes:
Raquel Franzim, Diretora de Educação e Cultura da Infância do Instituto Alana;
Lei de Diretrizes e Bases: https://www2.camara.leg.br/legin/fed/lei/1996/lei-9394-20-dezembro-1996-362578-publicacaooriginal-1-pl.html

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