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Jovens indígenas fazem campanha para ajudar famílias Guarani Kaiowá de MS

Indígenas Guarani Kaiowá dizem não ter recebido ajuda ou proteção dos poderes públicos - Divulgação
Indígenas Guarani Kaiowá dizem não ter recebido ajuda ou proteção dos poderes públicos Imagem: Divulgação

Gabriel Ferreira

Colaboração para o Ecoa, em Manaus

29/07/2021 06h00

Miséria, fome e até mesmo aumento de suicídios entre jovens são as marcas que há mais de 12 meses a pandemia de covid-19 tem deixado no povo indígena Guarani Kaiowá, no Mato Grosso do Sul.

Para enfrentar essa batalha que vai muito além de combater o coronavírus, a 'Juventude Guarani Kaiowá' tem desenvolvido uma campanha para ajudar as 32 aldeias da etnia no estado.

O objetivo da campanha, que está em fase de arrecadação de fundos, é comprar cestas básicas, itens de higiene, equipamentos de proteção individual (EPI) para distribuir às famílias indígenas Guarani Kaiowá.

À frente da iniciativa, que começou em junho de 2021, está Jânio Kaiowá, acadêmico de história da Universidade Estadual do Mato Grosso do Sul (UEMS). "Com a chegada da pandemia, nosso povo começou a sentir medo porque sabe que temos uma vulnerabilidade muito grande principalmente frente a novas doenças, e não tínhamos nenhum equipamento para nos proteger", conta.

Jânio diz que o poder público abandou os Guarani Kaiowá. "Nosso povo estava sem equipamentos, sem EPI, parou tudo, e a gente estava aí para enfrentar esse novo vírus, e estávamos nos isolando sem nenhuma ajuda das instituições, dos governos estadual, federal, municipal", disse.

Campanha indígenas - Divulgação - Divulgação
Crise gerada pela pandemia tem elevado número de suicídio de jovens indígenas
Imagem: Divulgação

Diante dos efeitos gerados pela pandemia e o descaso dos poderes, a melhor forma para ajudar o seu povo foi organizar uma campanha para levar pelo menos alimentos às famílias que estavam precisando. "Em muitas aldeias, os alimentos eram levados pela própria Funai, mas com a pandemia os órgãos não levaram mais para evitar contágio. Então as famílias das aldeias começaram a passar dificuldades".

Jânio conta que quando o coronavírus chegou às aldeias Kaiowá elas entraram em colapso. "Por haver famílias muito grandes, o contágio foi também muito grande." Outro problema enfrentado pelos Guarani Kaiowá tem sido a falta de água, e por esse motivo os indígenas têm dificuldade para manter a higiene.

Toda essa crise gerada pela pandemia agravou outros problemas que já eram preocupantes nas aldeias Guarani Kaiowá. Os frequentes conflitos pela terra na região em que vivem, segundo Jânio, prejudicam principalmente os jovens.

"A juventude perdeu muito a sua referência, que é um dos pilares que nos mantém, que é a roça, nossa casa de reza. Muitas vezes a gente não tem mais, os Kaiowá Guarani tinham seus mandamentos para seguir, para continuar lutando pela vida".

Esse drama fez crescer o suicídio entre seu povo. "O suicídio na nossa região tem muita questão territorial. Nós temos muita relação com a terra e na nossa região é comum a violência contra a gente. Isso gerou consequências muito graves", disse.

No município onde mora, em Amambai, fronteira com o Paraguai, Jânio diz que os casos de suicídio são altos, e tudo veio se agravando por problemas psicológicos causados pela perda dos familiares pela covid-19.

Você pode fazer uma doação em dinheiro para Pague Jânio Avalo (nubank.com.br)
Para mais informações sobre a campanha, pode entrar em contato com Jânio Kaiowá: (67) 9225-0496