PUBLICIDADE
Topo
Iniciativas que inspiram

Iniciativas que inspiram

Reeducandos produzem abafadores sustentáveis contra queimada no Pantanal

Reeducando produz abafador sustentável - Divulgação
Reeducando produz abafador sustentável Imagem: Divulgação

Bruna Barbosa

Colaboração para Ecoa, de Cuiabá (MT)

16/07/2021 06h00

Com correias de esteiras usadas em agroindústrias, que seriam descartadas no lixo, e madeira de apreensão, reeducandos de Cuiabá (MT), estão confeccionando abafadores sustentáveis para auxiliar no combate às queimadas que todos os anos assola o Pantanal mato-grossense.

A expectativa é de que 1,2 mil abafadores sustentáveis sejam produzidos e doados para produtores rurais, comunidades quilombolas, centros comunitários e assentamentos rurais.

O projeto é uma parceria entre o Batalhão de Emergências Ambientais (BEA) e o Centro de Ressocialização de Cuiabá (CRC). A cada três dias trabalhados, os reeducandos são beneficiados com um dia de remissão de pena.

Trabalhando na confecção dos abafadores sustentáveis há quase dois meses, Antônio Jades Bandeira Júnior, 38, diminuiu 20 dias na sentença e disse que, por meio do projeto, pôde entender um pouco mais sobre sustentabilidade.

Antes de fazer parte do projeto ele já trabalhava no ramo de móveis, então, quando surgiu a oportunidade, Antônio já estava familiarizado com as ferramentas e processos.

"O projeto representa, para mim, a oportunidade de ter mais foco, responsabilidade, ressocializar e ter mais conhecimento. Agora e no momento que sair daqui", conta.

No CRC, o reeducando também já participou de outros projetos como artesanato em couro e fabricação de cadeiras. No entanto, para Antônio, ajudar no combate aos incêndios florestais é um dos diferenciais.

"Nas queimadas de Mato Grosso, os abafadores vão ajudar muito. Estamos somando com o meio ambiente", avalia.

Abafadores produzidos no Centro de Ressocialização de Cuiabá - Divulgação - Divulgação
Abafadores produzidos no Centro de Ressocialização de Cuiabá
Imagem: Divulgação

Impacto social e ambiental

Para o comandante da Companhia de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais do BEA, primeiro-tenente Isaac Wihby, idealizador da iniciativa, além da sustentabilidade, é importante ressaltar o impacto social do trabalho na marcenaria do CRC.

"Dentro dos limites, a marcenaria do CRC tem uma boa estrutura, é bem bacana. Eles desenvolvem trabalhos fantásticos. Além da remissão de pena, estamos contribuindo com a ressocialização deles [dos reeducandos] quando proporcionamos a prática de marcenaria", explica.

De acordo com o tenente, apesar do projeto ter começado em maio, o planejamento do BEA já prevê que os abafadores sustentáveis sejam produzidos todos os anos. Ele conta que, nos períodos de queimadas, moradores das zonas rurais chegam a tentar apagar o fogo com pedaços de galhos.

"Nossa intenção é ministrarmos as instruções e já deixar o equipamento nessas comunidades, para que consigam utilizar essa ferramenta mínima para combater pequenos incêndios que venham a surgir nas propriedades. Vemos muitas pessoas tentando apagar com galhos cortados, batendo galho no chão para apagar o fogo", diz.

Fogo contido na primeira faísca

Um relatório produzido pelos Ministérios Públicos de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul mostrou que, entre 1º de janeiro e 30 de novembro de 2020, a área atingida por queimadas nos dois estados foi de 4,5 milhões de hectares em 21 cidades.

Ferramentas como os abafadores sustentáveis podem auxiliar a impedir que as chamas se espalhem, já que os moradores poderão atuar contra o fogo logo que as primeiras faíscas surgirem.

Em agosto do ano passado, por exemplo, o Corpo do Bombeiros estimou que haviam 400 focos de incêndio na região do Pantanal, em Poconé (MT), onde está localizada a maior parte do bioma em Mato Grosso.

Até aquele momento, 66 mil hectares já haviam sido consumidos pelo fogo. Wihby, no entanto, ressalta que não é possível prever o que esperar do período de queimadas neste ano em Mato Grosso, mas a expectativa é de que os abafadores sustentáveis ajudem no processo de combate às queimadas.

"Cada ano é diferente, o incêndio florestal é completamente imprevisível. Mas, todos os anos existem diversas áreas que estão suscetíveis. Todo incêndio começa com a primeira fagulha e, com esse equipamento, conseguiremos acabar com grande parte das ocorrências que poderiam vir a acontecer", avalia.

Iniciativas que inspiram