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Empresas que mudam

Empresas que mudam

Clínica consegue oferecer atendimento psicológico até 78% mais barato

Natália Silva e Érika Almeida do Grupo Reinserir  - Arquivo pessoal
Natália Silva e Érika Almeida do Grupo Reinserir Imagem: Arquivo pessoal

Camilla Freitas

De Ecoa, em São Paulo (SP)

15/07/2021 06h00

Quem já fez ou faz terapia passou pela difícil fase de procurar um psicólogo ou psicóloga que seja acessível pessoal e financeiramente. Foi na busca por construir uma clínica que atendesse a esses dois requisitos que Natália Silva e Érika Almeida criaram, em 2018, o Grupo Reinserir.

A empresa, que começou com quatro profissionais, hoje conta com 16 psicólogos e psicólogas que atendem, segundo Ecoa apurou, a partir do valor mínimo de R$ 55 por sessão. O valor é bem mais acessível em relação à média estipulada pelo Conselho Regional de Psicologia de São Paulo, por exemplo, que é de R$ 247,49.

A escolha pelo valor mínimo da consulta passa por outra característica do Reinserir, que se define como uma clínica social que atende a preços acessíveis negros e negras, pessoas LGBTQIA+ e mulheres que possuem baixa renda. "A gente não tem como cobrar dessas pessoas, que muitas vezes têm condições de oferta de trabalho diminuída, um valor mais alto", explica Érika.

Hoje, são cerca de 450 pacientes, que, ao chegarem ao grupo, foram encaminhados a um dos profissionais da clínica e negociaram o valor a ser pago diretamente com eles.

Além de oferecer um serviço terapêutico, o Reinserir atua como uma agência de empregos. O grupo realiza um recrutamento interno entre pacientes desempregados ou que buscam mudar de trabalho direcionando-os para vagas em empresas que firmam parcerias com o Grupo. Caso a vaga não seja preenchida, é realizado um recrutamento externo.

O Reinserir também presta consultoria de diversidade para empresas, realiza plantão terapêutico para funcionários e faz acompanhamentos de inclusão com colaboradores que foram contratados em programas de diversidade.

No Reinserir, eles buscam entender nossas questões individuais, mas também tem um olhar voltado para o nosso contexto social, observam os ambientes em que estamos inseridos, e isso ajuda a separar o que são nossos desejos, angústias e ansiedades e o quanto disso é pautado pela sociedade em que vivemos.

Michelle de Araujo Santana, paciente da psicóloga Natália Silva

Sem exclusão

"Como podemos trabalhar com psicologia sem excluir ninguém?". Esse pensamento motivou Natália a empreender. Ela, que durante cinco anos trabalhou com recrutamento e seleção no RH de grandes empresas, se deparou, muitas vezes, com cenas de preconceito e exclusão.

"Me pediam para contratar pessoas LGBTs, mas que não dessem 'pinta'. Já me pediram para contratar recepcionista, mas que não poderia ser negra", lembra. A psicóloga, então, decidiu juntar forças com a amiga de faculdade Érika para criar a própria empresa.

Elas estudaram juntas, mas só se aproximaram no último ano da faculdade. Uma ida para comer um temaki as uniu. Erika trabalhava com convênios e foi lá que ela se deparou com os recortes que o Reinserir contempla atualmente. "Na psicologia, as questões de racismo e LGBTfobia, pelo menos na nossa época de formação, não eram evidenciadas", lembra.

Foram as longas conversas por áudios de Whatsapp com Natália durante suas viagens de trem que ela passou a entender melhor como poderia abordar questões de gênero e raça na clínica. "A Natália me abriu o olhar para isso e me convidou para o Reinserir".

O que me chamou atenção foi o enfoque em grupos negros e LGBTs. Na psicologia, de modo geral, nem todas as pessoas sabem lidar com essas causas, porque as nossas dores e tudo o que a gente carrega têm um fardo diferente.

Thamara Prado, paciente da psicóloga Érika Almeida

"Mudou a minha vida"

Michelle de Araujo Santana conheceu Natália antes do Reinserir. "Ela fazia estágio na clínica da faculdade onde estudava e eles atendiam com valores sociais", conta. Durante um ano e meio Michelle se consultou com a psicóloga. Os atendimentos só chegaram ao fim quando Natália se formou e não pôde mais atender na clínica.

"Cheguei a passar em outro lugar, mas não tive a mesma conexão, acolhimento e identificação com esse outro terapeuta", lembra. Até que ela fez uma busca na internet pela antiga psicóloga e encontrou o grupo. O espaço da clínica foi a primeira coisa que a impressionou.

O ambiente despojado, com puffs, cadeira de praia, frigobar e quadros na parede já era muito diferente da clínica da faculdade que se assemelhava a um hospital. "Senti que esse ambiente favoreceu muito meu processo terapêutico, me sentia à vontade para falar das questões sobre minha orientação sexual", conta Michelle.

Todo ambiente é construído por meio do valor pago pelos terapeutas ao Grupo. O que o projeto arrecada, segundo suas fundadoras, vai para a clínica. "A gente quer que a clínica seja um local de acolhimento", conta Érika.

Thamara Prado conseguiu encontrar no Reinserir esse espaço de acolhimento mesmo durante a pandemia. Ela, que começou a frequentar as terapias em janeiro de 2020, teve pouco tempo dentro do ambiente físico da clínica, mas nem as consultas online a desanimaram.

O que não aconteceu com outro paciente, Erick Max Santos Souza, que sente falta das consultas presenciais mas que, mesmo tendo ficado um tempo sem o Reinserir, não conseguiu abandonar o projeto. Hoje, ele faz, mesmo online, consultas com a Érika duas vezes por mês.

Na minha última sessão, eu agradeci muito a Erika pela evolução que tive, não só na minha vida pessoal, mas na minha vida profissional também. Muito do que eu sou agora eu devo muito ao Grupo Reinserir.

Erick Max Santos Souza, paciente da psicóloga Érika Almeida

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