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Calcinha absorvente é mais sustentável do que coletor menstrual?

Coletor menstrual - Getty Images/iStockphoto
Coletor menstrual Imagem: Getty Images/iStockphoto

Jennifer Ann Thomas

Colaboração para Ecoa, em São Paulo (SP)

08/07/2021 06h00

Cada mulher brasileira com idade entre 11 e 54 anos gera, por ano, cerca de três quilos de lixo com o uso de absorventes descartáveis durante o período menstrual. Como se o volume de resíduos não fosse suficiente, a composição dos absorventes, feitos com polietileno, propileno, adesivo termoplásticos, papel siliconado, polímero superabsorvente, entre outros materiais, faz com que o produto seja dominado por plástico. Na prática, isso significa que o absorvente pode levar até 400 anos para se decompor na natureza.

Caso a última menstruação de uma mulher ocorra após os 50 anos, ela gastará mais de 130 quilos de absorventes ao longo da vida - e, caso use absorventes descartáveis, vai gerar muita poluição ao planeta. Nos últimos anos, alternativas sustentáveis começaram a ficar mais populares, como o coletor menstrual e a calcinha absorvente. O primeiro, o famoso "copinho", é feito de silicone e precisa ser utilizado internamente para coletar o sangue do fluxo menstrual. O segundo, que substitui a peça de roupa usada diariamente, é feito de fibras naturais e tem a função de absorver o fluxo durante algumas horas ao longo do dia.

De acordo com Fernanda Iwasaka, Analista de Conteúdos e Metodologias do Instituto Akatu, "as calcinhas absorventes podem ser feitas a partir de outros tecidos além do algodão, pois, para evitar vazamentos, são compostas por várias camadas de tecidos. Assim, no caso de tecidos sintéticos, o tempo de decomposição é superior ao do algodão, por exemplo. Outro fator que influencia o seu impacto é a durabilidade: as calcinhas podem durar de dois a três anos, dependendo do cuidado. Enquanto a do coletor pode variar de três a dez anos, dependendo do cuidado também".

Em comparação com os produtos descartáveis, ambos são mais sustentáveis e têm ciclos de vida mais longos. No entanto, há diferenças no uso diário. Enfim, a calcinha absorvente é mais sustentável do que coletor menstrual?

calcinha - Divulgação - Divulgação
calcinha absorvente
Imagem: Divulgação

SIM

Reutilizável

A calcinha absorvente pode ser usada diversas vezes. De acordo com diferentes marcas de fabricantes, o ciclo de vida dessas peças é equivalente a 50 lavagens, ou a dois anos de uso. Por isso, a calcinha absorvente é mais sustentável do que opções tradicionais de absorventes descartáveis.

Confortável

Afinal, é uma peça de roupa. Em dias de fluxos intensos, é extremamente desconfortável usar um absorvente externo ou interno. Com a calcinha absorvente, não há insegurança com relação ao absorvente ficar fora do lugar, ou ao copo coletor que pode estar posicionado de forma errada. Ela garante uma sensação maior de conforto e de segurança para o dia a dia.

Sustentável

Assim como outras peças de roupas, a calcinha tem um tempo de duração prolongado, que pode chegar a dois anos. Por isso, ela é considerada sustentável, pois pode ser usada várias vezes até chegar ao fim do seu ciclo de vida. Para mantê-la sempre em condições ideais, basta fazer a higienização adequada da peça. De acordo com Fernanda Iwasaka, "além dos aspectos relacionados à produção, é preciso levar em conta a fase de uso desses itens. A maneira como uma calcinha ou um coletor são cuidados impacta diretamente em sua durabilidade e, consequentemente, nos impactos ambientais causados pela necessidade de substituição ou descarte"


NÃO

Duração

Em comparação com o tempo de duração do coletor menstrual, a calcinha absorvente tem um tempo de vida menor. Enquanto ela pode durar até dois anos, o copinho pode durar até cinco anos. Ao mesmo tempo, o coletor tem a maior durabilidade pela natureza da sua composição, que é feita de plástico.

Conforto

Ao mesmo tempo em que são peças de roupas para serem usadas no dia a dia, há um limite tolerável para o fluxo da menstruação. No caso da calcinha absorvente, pode ser que a peça dê a sensação de umidade quando ela chegar ao limite de absorção. Ao contrário do coletor menstrual, que pode ser facilmente removido e higienizado, com a calcinha será necessário fazer a troca literal da peça.

Higiene

Por ser uma peça de roupa, a calcinha absorvente tem um limite de absorção ao longo do dia, a depender da intensidade do fluxo. Além disso, ela precisa ser lavada de forma correta para manter as propriedades antibacterianas. O coletor menstrual, por ser de silicone, pode ser fervido em água para a higienização, o que torna o processo de limpeza mais simples.\

Coletor  - Elena Shevchenko/Getty Images/iStockphoto - Elena Shevchenko/Getty Images/iStockphoto
Como funciona o coletor menstrual?
Imagem: Elena Shevchenko/Getty Images/iStockphoto

Seja qual for a composição do produto e as especificações para o tempo de uso, o principal é a adaptação ao método absorvente para o ciclo menstrual. Os dias de menstruação podem ser desconfortáveis e gerar outros incômodos para a saúde além do fluxo em si. Quando a adaptação ocorre facilmente, a calcinha absorvente é uma boa opção para quem quer evitar poluir o planeta e manter a praticidade do dia a dia nos dias de fluxo menstrual.

Para experimentar

Calcinha Bela Gil, Korui - R$ 87,90

Este modelo possui camadas de tecidos que deixam o produto impermeável e respirável, além de capaz de segurar o fluxo menstrual. Confortável e fino, segundo o fabricante, o que faz com que a calcinha seja também discreta. Em dias de fluxo leve ou moderado, funciona sem proteção extra. Para dias de fluxo intenso é indicado o uso do coletor menstrual junto. Também indicado para casos de incontinência leve.

Calcinha Comfy, Pantys - R$ 69,00

O forro tem camadas absorventes para garantir a segurança e a secagem rápida. Produto impermeável, respirável e antibactérias, segundo a fabricante, que ainda promete carbono neutro em sua produção. Disponíveis do tamanho PP ao XXGG.

* O UOL pode receber uma parcela das vendas pelos links recomendados neste conteúdo. Preços e ofertas da loja não influenciam os critérios de escolha editorial.

Fontes:
Fernanda Iwasaka, Analista de Conteúdos e Metodologias do Instituto Akatu, Pantys (https://www.pantys.com.br/pages/comofunciona); InCiclo (https://www.inciclo.com/calcinha-absorvente-menstrual-classica-inciclo), Recicla Sampa (https://www.reciclasampa.com.br/artigo/brasileira-joga-em-media-3-kg-de-absorvente-na-lixeira-por-ano).

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