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Empresas que mudam

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Eletrodoméstico promete simplificar reciclagem dentro de casa

O Lasso Loop - Divulgação
O Lasso Loop Imagem: Divulgação

Antoniele Luciano

Colaboração para Ecoa, de Curitiba (PR)

07/06/2021 06h00

Foi depois de um longo dia de trabalho no desenvolvimento de softwares que o engenheiro australiano Aldous Hicks se deu conta de que o desafio com o qual lidava diariamente tinha semelhanças com um problema global, o da reciclagem. "Eu tentava impedir que dados incorretos entrassem nos bancos de dados, para que o que saísse dos programas fosse bom. Se não conseguisse, tudo o que fazia era retirar 'lixo' do programa. Então, um dia, jogando fora o que estava na lixeira de casa, me dei conta de que o problema da reciclagem era exatamente o que eu havia enfrentado o dia todo com o software", conta.

Hicks, que atua com tecnologia há 30 anos, percebeu que o aproveitamento dos materiais recicláveis ganhava um complicador caso diferentes tipos de resíduos estivessem juntos no mesmo recipiente. "Se você os mistura, é difícil separá-los para que se tornem produtos valiosos depois", comenta ele, ao lembrar que hoje a taxa de resíduos reciclados em ciclo fechado - o chamado closed-loop system - é de apenas 2% no mundo todo.

Nesse tipo de sistema, as propriedades do material reciclado não apresentam diferenças consideráveis em relação à matéria virgem. Com isso, o material reciclado pode ser usado em produtos idênticos e com a mesma qualidade dos anteriores, diferente do que ocorre na reciclagem de ciclo aberto. "Custa tanto fazer isso (ciclo fechado), que custa mais produzir o material reciclado do que comprar material virgem. E é por isso que tem havido tão pouca reciclagem no mundo todo", explica Hicks.

Incomodado com esse cenário, ele desenvolveu uma máquina que permite que os consumidores reciclem 100% do próprio lixo em casa. Trata-se da Lasso Loop, um eletrodoméstico que detecta diferentes materiais inseridos em seu recipiente, separando-os um a um e os entregando com pureza no final do processo de reciclagem.

Inteligência artificial

A Lasso atua com a reciclagem de sete materiais, entre plástico (PET e polietileno de alta densidade), vidro (transparente, verde e marrom) e metais (alumínio e aço). Depois de inserido no eletrodoméstico, o material é escaneado a partir de sensores, câmeras internas e um sistema de inteligência artificial. Caso algum item não se enquadre na relação de reciclados, o usuário recebe um feedback instantâneo para pegá-lo de volta.

Durante o fluxo de processamento, que inclui jatos e vapor de água para retirada de toda a sujeira, o plástico é transformado em flocos, o vidro é esmagado e os metais são triturados. Cada material é armazenado em um compartimento separado, até a coleta. A startup garante que o eletrodoméstico mantém os produtos livres de odores e purificados na base do aparelho. Todo o processo emite apenas 74 decibéis, volume que seria menor que o gerado por uma lavadora de roupas.

Além disso, é possível monitorar os níveis de armazenamento por meio de um aplicativo. O usuário recebe uma notificação sobre a necessidade de coleta, que deve ocorrer de 3 a 8 vezes por ano.

Dinheiro de volta

A retirada do material também promete ser simples: na data agendada, basta desprender o recipiente de armazenamento e deixá-lo na calçada. Um motorista da Lasso irá até o local coletar os resíduos. Em poucos minutos, o usuário já terá em seu aplicativo informações sobre a redução de emissão de gases CO2 com sua reciclagem, além de dados monetários sobre a matéria, dinheiro que pode ser resgatado posteriormente.

Entre os benefícios do produto estão a conveniência, a economia de tempo na coleta e o controle sobre o destino dos recicláveis. "O que estamos dizendo é que 100% do que você colocar, o que é aceito por este aparelho, será reciclado. Você pode garantir a si mesmo que você, como indivíduo, que sua casa está contribuindo com o planeta", salienta o CEO.

Lançamento piloto

Conforme Hicks, o aparelho ainda segue em fase de testes nos próximos meses. Ele estima que o lançamento do produto, ainda na fase piloto, deve ocorrer em 2022. A ideia é que 100 residências no Vale do Silício, nos Estados Unidos, onde é o escritório da startup, recebam a máquina. A reserva já está ocorrendo no site da Lasso. "Já é dez vezes maior do que esperávamos", comenta o engenheiro.

Hicks acredita que, embora o valor do eletrodoméstico seja alto - cerca de 3,5 mil dólares, em dez anos, um número maior de pessoas possa ter o serviço em casa. Assim como ocorreu com outros equipamentos, como geladeiras, exemplifica, apenas famílias mais ricas devem adquirir a Lasso no primeiro momento, o que deve mudar com o passar do tempo.

"Esperamos ser capazes de oferecer o que chamamos de modelo de serviço, em que se paga uma taxa de serviço todos os anos para ter o aparelho. Significa que todas as famílias poderão pagar por um, mas inicialmente não podemos fazer isso", explica o CEO, que considera ainda desenvolver o produto para prédios residenciais no futuro, mas descarta integrar o serviço à coleta governamental, para que a pureza dos materiais obtidos possa ser preservada

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