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Cacica cria rede de ajuda a mulheres indígenas afetadas pela pandemia no RS

Flávio Dutra
Imagem: Flávio Dutra

Núbia da Cruz

Colaboração para o Ecoa, em São Paulo

03/06/2021 06h00

Com a chegada da pandemia de covid-19, a cacica Alice Guarani, mulher indígena urbana do povo Guarani, de 39 anos, estudante de pedagogia, observou que as mulheres indígenas que vendiam seus artesanatos no Centro de Referência Indígena Afro do Rio Grande do Sul, um local de acolhimento para mulheres artesãs, não conseguiam mais vender.

Essas mulheres são chefes de família e trabalham com seus artesanatos no centro da cidade. Viajam diariamente de suas aldeias para o centro, um percurso que dura de duas a três horas. Com a pandemia, a falta de renda e a impossibilidade até de pagar a passagem, essas indígenas começaram a ficar em casa e foi diante disso que a cacica criou a Rede Indígena Poa. "Precisava impulsionar a sociedade civil para subsidiar minimamente o necessário para essas mulheres que estão em casa", explica.

Cacica Alice Guarani - Divulgação - Divulgação
"Preciso mobilizar a sociedade civil já que o Estado se isenta", diz a cacica Alice Guarani
Imagem: Divulgação

A Rede arrecada cestas básicas, máscaras, álcool em gel e fraldas para essas mulheres e fez a sua primeira entrega em 21 de março de 2020. As doações são recebidas na sede do Centro de Referência Indígena Afro e são distribuídas em ações para as comunidades atendidas, entre elas as aldeias CantaGalo, Lami, Itapuã, Camaquã, todas no Rio Grande do Sul. Recebem também doações os recicladores, pessoas em vulnerabilidade social e os quilombolas da comunidade da Cascata.

"Você se vê em um momento em que essas mulheres não podem mais ir vender, então elas não vão mais ser acolhidas pelo espaço e elas precisam continuar se alimentando. Foi aí que eu pensei que precisava fazer algo: mobilizar a sociedade civil já que o Estado se isenta", diz a cacica.

O voluntariado na Rede Indígena Poa funciona em duas frentes: as doações de alimentos e mantimentos são feitas por pessoas que conhecem o projeto, e o que é doado é recebido no Centro de Referência Indígena Afro, são cerca de 50 colaboradores. Em um segundo momento, são feitas as entregas pelos 14 membros da comunidade da qual Alice é cacica. Ela estima que o projeto já beneficiou cerca de 3 mil pessoas, com entregas feitas mensalmente.

A Rede também se preocupou em melhoras as condições de higiene da população indígena num momento em que o acesso à água é fundamental para combater a disseminação do coronavírus. Em abril deste ano, realizou uma ação de melhoria de infraestrutura hidráulica e sanitária da aldeia Ka'a Mirindy, em Camaquã, instalando caixas d'água e garantindo o abastecimento de água.

Para conhecer e ajudar a Rede Indígena Poa, acesse o perfil do projeto no Instagram.