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Fazendas americanas abrem as portas para pessoas abraçarem animais

Reprodução/Facebook Aimee?s Farm Animal Sanctuary
Imagem: Reprodução/Facebook Aimee?s Farm Animal Sanctuary

Carolina Vellei

Colaboração para Ecoa, de São Paulo

11/05/2021 06h00

Sammy, uma vaca resgatada de uma fazenda produtora de leite, atua como animal de apoio emocional na Aimee's Farm Animal Sanctuary, no estado americano do Arizona. Ela recebeu o primeiro abraço que a psicóloga Renee Behinfar pôde dar de verdade em outro ser vivo durante o ano de 2020.

Quando Sammy colocou a cabeça em seu colo e adormeceu, Behinfar começou a chorar. Aos 43 anos, ela mora sozinha e conta que a pandemia tem sido uma época difícil devido à ausência de toque e calor humano. "É uma época de solidão sem precedentes", revela.

A fazenda santuário de Aimee Takaha abriga cerca de 100 animais resgatados, muitos deles com deficiência. As sessões de carinho custam 75 dólares a hora (cerca de R$ 400) e estão reservadas até julho. Apesar de já ser oferecido há cinco anos, em 2020 os negócios cresceram drasticamente: a proprietária diz que recebe cerca de 20 ligações por dia de pessoas interessadas em saber mais sobre o serviço.

Segundo ela, os visitantes muitas vezes ficam emocionados, e alguns até juram que vão se tornar vegetarianos depois de olharem profundamente nos grandes olhos castanhos dos bovinos.

Animal da fazenda de Aimee - Reprodução/Facebook - Reprodução/Facebook
Animal da fazenda de Aimee
Imagem: Reprodução/Facebook

Ela conta ainda que esses animais, assim como os cães, gostam de chegar perto das pessoas em busca de carinho - e, às vezes, um peru ou uma galinha também aparecem.

Para Takaha, estar próximo dos animais é quase como tomar uma "pílula de felicidade". "Para muitos humanos com necessidades especiais que vêm aqui para sessões de terapia, os animais inspiram, motivam, fornecem esperança, elevam o ânimo e aumentam a confiança. Eles trazem alegria ao coração", escreveu ela em um post no Facebook.

Contato que faz bem

Receber o conforto de grandes mamíferos, como as vacas, traz muito mais benefícios à saúde do que as pessoas possam imaginar. Com origem nas províncias rurais holandesas, o "koe knuffelen" (em holandês, literalmente "abraçar a vaca") é uma prática bem conhecida.

Essa atividade surgiu há mais de uma década e faz parte de um movimento mais amplo no país para aproximar as pessoas da natureza e da vida no campo. Devido ao seu sucesso, a atividade passou a ser realizada como terapia também nos Estados Unidos.

Com a pandemia, esse tipo de negócio teve um crescimento expressivo. Pessoas que estão sofrendo com a solidão ou com o luto descobriram que a troca de afeto com os animais é de grande ajuda.

A holandesa Suzanne Vullers sabe bem disso. Ela é dona da Mountain Horse Farm, uma propriedade no estado de Nova York que disponibiliza sessões de abraços aos hóspedes. No ramo há três anos, ela disse ao jornal The Washington Post que a procura pelo serviço está maior do que nunca.

A empresária relata que os clientes são, em sua maioria, moradores da cidade que estão confinados e que desejam entrar em contato com a natureza para desestressar. "Passar tempo com animais grandes, como vacas, é uma das maneiras de fazer isso", disse ela. Além das vacas da fazenda, Bella e Bonnie, a propriedade conta com seis cavalos, que também oferecem um ombro amigo para quem os visita.

Animais sagrados

Nos EUA, pessoas espantam a solidão abraçando animais em fazendas - Reprodução/Facebook Krishna Cow Sanctuary, - Reprodução/Facebook Krishna Cow Sanctuary,
Imagem: Reprodução/Facebook Krishna Cow Sanctuary,

No Havaí, James Higgins administra o Krishna Cow Sanctuary, uma fazenda com 67 bovinos, incluindo vacas, bezerros, touros e novilhos. Ele começou a oferecer sessões de carinho há cerca de três anos. Os hóspedes podem fazer as reservas pela internet. Quando chegam ao santuário, são recepcionados por três vacas, chamadas Uma, Tulsi e Devi.

Higgins segue a religião Hare Krishna, um ramo do hinduísmo, e explica que isso o motiva a cuidar e a proteger esses animais. No hinduísmo, as vacas são reverenciadas há milhares de anos.

Quando o proprietário se deita na grama, as vacas normalmente o acompanham e se aconchegam ao seu lado. Em seguida, os visitantes deitam-se também e se aninham próximo a elas, coçando a parte interna das orelhas peludas e o pescoço. O abraço desses gigantes, que pesam cerca de uma tonelada, tem um "efeito extremamente calmante", segundo ele.
Uma nova forma de enxergar os bovinos

Fazer carinho em animais domésticos, como cães e gatos, possui poder terapêutico. A zooterapia, que inclui abordagens também com outros animais, é uma terapia feita no Brasil desde a década de 1960 e já se mostrou eficiente contra problemas físicos, emocionais e psicológicos.

Os especialistas explicam que, quando em contato com os bichos, o ser humano experimenta a liberação das endorfinas, o que gera efeitos como a sensação de tranquilidade, bem-estar e a melhora da autoestima.

Os efeitos calmantes de se aconchegar em um animal de estimação ou em um animal de apoio emocional, ao que parece, são acentuados quando se acaricia mamíferos maiores. Acredita-se que o carinho dos bovinos, por exemplo, promove positividade e reduz o estresse ao aumentar a oxitocina, o hormônio liberado nos laços sociais.

A experiência é calmante e relaxante porque a temperatura da vaca é mais elevada, seus batimentos cardíacos são mais lentos e seu tamanho grande serve como um abrigo acolhedor. O animal, além da massagem que recebe, também é beneficiado com o carinho. É muito comum eles buscarem o colo humano e agradecerem o contato com lambidas.