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Psicólogos de Pernambuco dão assistência à população LGBTI+ na pandemia

O psicólogo Vanildo Abílio diz que a violência que sofre por parte da sociedade afeta diretamente a saúde mental da população LGBTI+ - Arquivo pessoal
O psicólogo Vanildo Abílio diz que a violência que sofre por parte da sociedade afeta diretamente a saúde mental da população LGBTI+ Imagem: Arquivo pessoal

Núbia da Cruz

Colaboração para o Ecoa, em São Paulo

06/05/2021 06h00

Preocupados com a saúde mental da população LGBTQI+ nos momentos de isolamento social imposto pela pandemia da covid-19, três psicólogos de Pernambuco se juntaram e, em julho do ano passado, criaram o Projeto Revigorar.

O objetivo é fornecer uma assistência psicológica e acolher pacientes que estejam sofrendo com o confinamento. "Eu e mais três colegas estávamos em nossas casas pensando de que forma poderíamos usar nossa profissão para combater os intensos sofrimentos ético-políticos decorrentes de diversas formas de violências, preconceitos, injustiças e exclusão destinadas à nossa comunidade." diz Vanildo Abílio, coordenador do projeto.

O atendimento é realizado de forma remota, por meio da plataforma Duo, e dura cerca de 50 minutos, mas Vanildo enfatiza que se trata de um acolhimento, e não de um tratamento, pois este envolve um processo de psicoterapia, o que não é oferecido. O paciente precisa utilizar fones de ouvidos e estar em local que garanta a total confidencialidade.

Os interessados no atendimento chegam por meio das redes sociais, pelo Instagram do projeto, onde encontram um formulário para ser preenchido. Depois é preciso aguardar o retorno do Revigorar. Pessoas de todos os estados do Brasil podem participar e não há uma lista de espera.

"Com o passar dos meses, aumentou a demanda e outros colegas também se disponibilizaram a participar dos atendimentos como colaboradores e plantonistas voluntários", diz Abílio. "Desta forma novas vagas poderão ser disponibilizadas para pessoas de outros estados."

Segundo o psicólogo, as queixas mais frequentes são experiências com exclusão, preconceitos e violências em contextos familiares. "Por meio desse acolhimento, enxergamos o quanto a nossa sociedade produz pensamentos e ideias opressoras que afetam diretamente a saúde mental da população LGBTI+", explica Abílio. "Os efeitos dessa violência podem ser vistos pelo aumento do medo, ansiedade, estresse. Resultado de experiências como falta de apoio familiar, violências verbais, físicas e psicológicas."

Para o psicólogo, esse tipo de acolhimento é uma forma de reafirmar o compromisso da psicologia com os Direitos Humanos e com o enfrentamento do preconceito. "Além de fortalecer o respeito à diversidade, alinhado ao nosso compromisso com a ética e a missão de contribuir com a universalização do acesso da população aos nossos serviços, respeitando as resoluções do Conselho Federal de Psicologia", conclui.

O contato para quem precisar de acolhimento do Revigorar deve ser feito por meio do formulário disponível no perfil do projeto no Instagram.