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O que é pegada de carbono e por que devemos nos importar com a nossa?

Pegadas de carbono - iStock
Pegadas de carbono Imagem: iStock

Giacomo Vicenzo

Colaboração para Ecoa, em São Paulo (SP)

04/05/2021 06h00

Passar por este mundo sem pegadas é impossível, nossos pés tocam o chão e deixam marcas, como ao caminhar na beira do mar. Assim é com a pegada de carbono, que é inevitável de existir com a nossa forma de vida. Basta você respirar para emitir carbono quando expira. Se você está vivo, está emitindo carbono.

Cada pequena ação do nosso dia a dia influencia nesse medidor. O que escolhemos comer, vestir, maneiras de se locomover pela cidade e o estilo de vida de forma geral podem impactar nesse índice que tem um papel fundamental para nortear como nossas ações alteram o presente e o futuro do nosso planeta.

Ecoa ouviu especialistas para entender a importância da pegada de carbono, maneiras de diminuir e o que de fato esse medidor representa na esfera individual e global. Confira a seguir.

O que é pegada de carbono?

Você já ouviu falar na pegada de carbono? O termo é derivado da língua inglesa carbon footprint, e diz respeito à quantidade de carbono emitida por pessoas, empresas ou tipo de atividade. Uma série de indicadores, que passam desde alimentação, ao tanto que você usa o carro ou outro transporte vão mensurar os cálculos da sua pegada de carbono, que indica a quantidade de gases do efeito estufa emitidos no seu dia a dia, que são considerados carbono equivalente.

Mas como estou emitindo gás carbônico?

"Quase tudo que fazemos libera gás carbônico (CO2) ou algum outro gás do efeito estufa que contém carbono, como andar de carro, carregar o celular e ligar a televisão. A fabricação ou ciclo de vida de um serviço ou produto, desde a fabricação até o seu uso e descarte, também deixa pegada de carbono, pois libera gases do efeito estufa a cada etapa", explica Francyne Elias-Piera, doutora em ciência ambiental pela Universitat Autònoma de Barcelona.

Até mesmo as ações mais simples do dia fazem parte dessa emissão. "Comendo um prato de arroz também estamos gerando gás carbônico, antes do alimento chegar ao prato houve liberação de CO2 pela plantação, por quem colheu o arroz, pela máquina que refinou o grão e gerou gases, pelo caminhão que o levou até o mercado, pela forma que você mesmo foi ao ponto de venda e por fim na preparação do produto", exemplifica Elias-Piera sobre o ciclo de um produto comum na casa de muitos brasileiros.

A pegada de carbono pode mensurar o quanto de gases do efeito estufa (GEE) uma pessoa, organização, empresa, atividade ou um produto emitem para existirem. A metodologia faz parte de outro indicador, ainda mais macro, que é a pegada ecológica, que mensura a quantidade de água e Terra necessárias para sustentar o modo de vida de uma população e compara a necessidade dos recursos naturais com a capacidade regenerativa do planeta.

Por que conhecer a minha pegada de carbono é importante?

O Brasil ocupa o 6o lugar entre os maiores emissores de gases de efeito estufa, com 3,2% do total mundial. de acordo com o levantamento publicado pelo SEEG (Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa).

O Brasil também está no G20, grupo de países que representam 78% das emissões globais de CO2, embora os maiores emissores sejam China, União Europeia, Índia e Estados Unidos, que sozinhos representam 55% do CO2 lançado na atmosfera na última década.

Os dados são da GIZ, agência alemã para o desenvolvimento sustentável, que está à frente de um programa para acompanhar as evoluções do Acordo de Paris, que tem como principal objetivo frear o aquecimento global e impedir o aumento da temperatura terrestre em 2º C em comparação com à era pré-industrial e assim amenizar os efeitos das mudanças climáticas.

A Terra está sobrecarregada por nossas pegadas de carbono?

Embora o cenário pareça distante de nós, e talvez nos traga à mente a lembrança de grandes chaminés de fábricas em campos industriais, é preciso lembrar que muito do que é produzido tem como destino final as nossas mãos.

"Precisamos mudar comportamentos e isso só acontecerá se conhecermos a pegada de carbono de tudo o que produzimos e consumimos. Assim, poderemos optar por marcas que tenham pegadas menores e que tenham projetos para diminuir o impacto no planeta. Se não mudarmos, nossas pegadas ficarão cada vez maiores e a sobrecarga da Terra acontecerá muito antes do previsto", alerta Elias-Piera.

O Dia da Sobrecarga da Terra, do inglês Earth Overshoot Day, é a data que marca quando as demandas por recursos naturais do planeta são excedidas, ou seja, usamos mais do que a natureza pode regenerar, para isso usamos o termo biocapacidade, ou como já falamos acima, Pegada Ecológica.

Em 2020, o dia em que se excedeu a capacidade de regeneração da Terra ficou 24 dias mais distante em relação a 2019, por conta das paralisações em diversos setores ocasionadas pela pandemia de covid-19. Os indicadores que mais tiveram reduções foram a pegada de carbono, que foi 14,5% menor, e a pegada de produtos florestais, que teve redução de 8,4%.

Embora o impacto tenha sido menor, ainda seria necessário 1,6 planeta para atender as necessidades do modo de vida global. Os dados são dos cálculos da Global Footprint Network, uma organização de pesquisa independente, que usa como base relatórios da ONU.

O carbono pode ter emissão neutralizada mesmo fazendo parte de nossa vida?

O carbono é um componente-chave de toda vida que conhecemos. Mas seu principal problema é o aquecimento global causado pelo efeito estufa, que também é natural. No entanto, nossas práticas, principalmente no setor industrial, não são nada naturais.

"Animais e plantas liberam gás carbônico, isso é normal. Porém, com o aumento de outras atividades que liberam muito mais gás carbônico e outros gases do efeito estufa, há um acúmulo desses gases e um aquecimento da temperatura do planeta. Temos que tentar diminuir a liberação de gases nas atividades e procurar pela neutralidade de carbono, que é o balanço zero de gases emitidos e de gases retirados da atmosfera", explica Elias-Piera.

Potências como a União Europeia, Japão e a Coreia do Sul se comprometeram com a neutralidade de carbono até 2050. A China tem a expectativa de alcançar o marco até 2060 e assim chegar à Rede Zero, que visa não gerar novas emissões de carbono na atmosfera e equilibrar o que é emitido com a absorção.

Mas é possível retirar o carbono da atmosfera? A resposta é sim, e a solução vem da própria natureza e da preservação dela, que é capaz de absorvê-lo. As florestas, manguezais e reservas de algas marinhas têm um papel essencial nesse processo.

Como medir minha pegada de carbono?

Se você chegou até aqui, deve estar se perguntando como agir para fazer parte da solução desse problema, certo? Há algumas calculadoras disponíveis para medir a sua pegada de carbono e/ou ecológica, confira a seguir:

United Nations - Carbon Offset Platform (em inglês).

Global Footprint Network - Footprint Calculator (em inglês).

Iniciativa Verde - Calculadora de CO2 (em português).

Como reduzir a minha pegada de carbono?

Se assustou com o seu resultado? Ecoa pediu que Francyne Elias-Piera, doutora em ciência ambiental, e ao especialista em sustentabilidade e professor Marcus Nakagawa, que deixassem algumas dicas de como reduzir a pegada de carbono na prática. Confira:

1. Diminua o consumo de plásticos ou opte por objetos reutilizáveis;

2. Troque aparelhos que gastam muita energia por outros mais econômicos;

3. Consuma mais produtos locais e/ou crie uma horta urbana;

4. Plante árvores;

5. Conscientize pessoas sobre o tema e ajude elas a darem o primeiro passo;

6. Apoie projetos socioambientais;

7. Seja um exemplo prático no dia a dia para quem está perto de você.

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