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Universitários da periferia de Vitória-ES ajudam moradores na pandemia

A estudante Ully Rodrigues diz que está devolvendo à sua comunidade tudo o que fizeram por ela - Levante Popular da Juventude
A estudante Ully Rodrigues diz que está devolvendo à sua comunidade tudo o que fizeram por ela Imagem: Levante Popular da Juventude

Gabryella Garcia

Colaboração para Ecoa, em Blumenau

29/04/2021 06h00

Jovens, negros, universitários e periféricos. André Duques, de 23 anos, e Ully Rodrigues, de 25 anos, são integrantes do movimento Levante Popular da Juventude no Espírito Santo e, em abril de 2020, ainda no início da pandemia, começaram uma mobilização de auxílio e ajuda para comunidades periféricas na Grande Vitória.

Hoje, com o apoio de líderes comunitários, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), do Movimento Consulta Popular e de alguns produtores orgânicos, eles já ajudaram cerca de 260 famílias capixabas.

O movimento de solidariedade começou inicialmente no bairro Carapina Grande, no município de Serra, quando André, que é estudante do curso de geografia na UFES (Universidade Federal do Espírito Santo), e alguns amigos sentiram a necessidade de diminuir os impactos causados pela pandemia.

"Com a pandemia, acabamos ficando mais presos dentro de casa, dentro da comunidade e isso nos aproximou dessa mesma comunidade. Sem poder ter contato com outras pessoas, a alternativa para manter viva nossa vontade de mudar o mundo através da solidariedade foi ajudar nosso povo a não morrer de fome", disse.

Levante Popular da Juventude - Levante Popular da Juventude - Levante Popular da Juventude
Além de arrecadar alimentos, os jovens ajudam a população a fazer cadastros para receber o auxílio emergencial e levam até eles informações confiáveis sobre a pandemia
Imagem: Levante Popular da Juventude

Após essa movimentação inicial, o movimento ganhou o reforço de Ully Rodrigues, estudante de pedagogia da UFES e de Kézia Alice dos Prazeres, que é membro da Associação de Moradores de Feu Rosa. Com uma equipe reforçada, a atuação do grupo se estendeu para outros bairros de Vitória.

Ully explica que a atuação do grupo se dá em lugares que são esquecidos pela sociedade e que o grupo não faz nada sozinho, apenas atua como uma espécie de ponte. "Temos que chegar na periferia porque são lugares esquecidos, e na pandemia víamos as pessoas empobrecendo e perdendo seus empregos. Vimos a necessidade das pessoas e atuamos como uma ponte nesse processo de solidariedade".

A atuação não se restringe apenas à arrecadação e distribuição de alimentos. André explica que a intenção era fazer um processo para entender as outras demandas que a população periférica tinha.

"Ajudamos a fazer cadastros para receber o auxílio emergencial, procuramos saídas burocráticas junto ao Centro de Referência da Assistência Social (CRAS) e temos um papel muito importante de levar informações. Tínhamos um grupo que trabalhava desmentindo fake news para essas famílias".

Além da doação de cestas básicas e alimentos, conseguidas exclusivamente através de doações, o grupo também fazia a entrega de produtos de higiene, álcool em gel e máscaras.

Agora, com um ano de atuação, e com o movimento voltando a ganhar força nas doações em função do agravamento da pandemia, Ully conta que o sentimento é de satisfação por poder fazer a diferença na vida de algumas pessoas. "Poder ajudar a mudar a realidade de uma pessoa me completa e é um trabalho que sinto que devo fazer porque por muito tempo foram eles que me ajudaram, hoje só devolvo o que fizeram por mim."

Como ajudar
Doações para o grupo podem ser feitas pelo Picpay @levante.es ou por depósitos e transferências bancárias no banco Banestes em nome de Amanda Stafanato Verediano. A agência é 271 e o número da conta é 4912127. Para entrar em contato direto com o grupo o Instagram é o @levantees.