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Profissionais usam música para levar conforto a pacientes com covid-19

Prefeitura Municipal de Itaboraí/Divulgação
Imagem: Prefeitura Municipal de Itaboraí/Divulgação

Carolina Vellei

Colaboração para Ecoa em São Paulo

15/04/2021 06h00

Em vários hospitais pelo Brasil, a música passou a invadir corredores e quartos em alas dedicadas a pacientes com covid-19. Quem ouve a cantoria e as melodias consegue se distanciar, ao menos por alguns momentos, da ansiedade e solidão que predominam durante o período de tratamento. Por meio da musicoterapia e de apresentações pontuais, a música abre espaço para a esperança em meio ao sofrimento da rotina hospitalar.

O Hospital Espanhol, na Bahia, vem trabalhando com a musicoterapia três vezes por semana para contribuir nos processos de tratamento de pacientes internados com o coronavírus. A equipe multidisciplinar atua nas varandas do hospital, onde os pacientes aproveitam as músicas diante do pôr do sol na Baía de Todos os Santos.

O musicoterapeuta Marcos Barbosa, um dos responsáveis pelo projeto, adorou a ideia de unir arte, saúde e natureza. "O ambiente do quarto, num isolamento, é monótono e triste. Nas varandas daqui, a gente desfruta da oferta natural de uma vista maravilhosa! Os pacientes ficam deslumbrados. Proporcionar um ambiente agradável melhora bastante o humor de quem está doente", explica.

O Hospital Espanhol, na Bahia, vem trabalhando com a musicoterapia três vezes por semana - Hospital Espanhol/Divulgação  - Hospital Espanhol/Divulgação
O Hospital Espanhol, na Bahia, vem trabalhando com a musicoterapia três vezes por semana
Imagem: Hospital Espanhol/Divulgação

Outras instituições de saúde pelo Brasil também estão usando a musicoterapia, como é o caso dos hospitais municipais Desembargador Leal Junior e São Judas Tadeu, ambos localizados em Itaboraí, no Rio de Janeiro. Desde janeiro de 2021, uma equipe de voluntários formada por profissionais das unidades hospitalares realiza o projeto "Heróis de Branco", que leva através da música conforto e acolhimento para os pacientes em isolamento.

O projeto foi idealizado por Silvânia Correa, coordenadora da enfermagem do São Judas Tadeu. Em uma conversa com colegas de trabalho, ela contou que sabia tocar violino e, juntos, decidiram unir as habilidades musicais para a criação do projeto.

"Tocamos na alta do paciente e também dentro da UTI sempre que autorizam. Observamos que nesse momento eles esquecem um pouco as dificuldades do tratamento, voltam a sorrir e até acompanham as músicas com mãos", explica Silvânia.

Apresentações musicais que tocam o coração

Para além do uso terapêutico, equipes médicas também têm usado a música para resgatar sonhos e restaurar as forças de colegas que estão na linha de frente. Rafaela Tenório, médica intensivista e cantora, decidiu reunir profissionais de saúde e artistas para aliviar a tensão dos sobrecarregados trabalhadores de UTI. O projeto "Solidariedade Intensiva" visita hospitais em Maceió todos os fins de semana, quando aproveita as folgas de seus plantões.

Em um vídeo que viralizou nas redes sociais, a médica aparece tocando e cantando "Minha Estrela", de Jammil e uma Noites, para uma paciente internada na UTI. Rafaela entende que é importante levar esse carinho a quem está longe da família. "Ali estão pacientes isolados, que não têm visita. Então a família deles ali é a gente. Tentamos ajudar o máximo possível. Sempre que posso, canto para eles", revelou ao UOL no começo deste ano.

Outro exemplo é o do fisioterapeuta intensivista Aloysio Lechenacoske, que trabalha no Hospital Marcelino Champagnat, em Curitiba. Ele aproveita o intervalo entre visitas e procedimentos médicos para cantar músicas inspiradoras aos pacientes, que chegam a se emocionar durante as apresentações. "Tem pacientes que choram e me pedem para filmar", conta.

Música traz benefícios comprovados

A musicoterapia auxilia o paciente a melhorar a sua capacidade cognitiva, estimulando a produção de neurotransmissores ligados ao prazer, como a dopamina.

Um estudo realizado pela USP em 2019 comprovou que a música ameniza os sintomas da demência, causada pela doença de Alzheimer. Com a progressão dos sintomas neurodegenerativos, as pessoas podem ficar totalmente dependentes e se tornar mais agressivas, agitadas, com déficits de memória e declínio motor e cognitivo.

O bem-estar trazido pelo tratamento não se limita apenas ao paciente, como mostrou a pesquisa. Quando o cuidador era próprio cônjuge, as canções traziam lembranças de fatos e situações vividas juntos, amenizando os sintomas comportamentais dos companheiros adoecidos e possibilitando maior qualidade de vida ao casal.