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Ônibus mais velozes em SP têm menos impacto no meio ambiente, mostra estudo

Ônibus estacionados no terminal Grajaú, extremo sul da cidade de São Paulo  - Cleber Souza/UOL
Ônibus estacionados no terminal Grajaú, extremo sul da cidade de São Paulo Imagem: Cleber Souza/UOL

Giacomo Vicenzo

Colaboração para Ecoa, de São Paulo

12/02/2021 13h55

A lentidão típica do trânsito paulistano não faz mal só à nossa agenda de compromissos e paciência, como também afeta negativamente o clima. Quando os veículos circulam com menores paradas emitem menos gases do efeito estufa e poluentes pelo escapamento. Prova disso são dados lançados hoje (12) no Boletim Monitor de Ônibus SP, desenvolvido pelo Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEMA).

Com a circulação de pessoas ainda reduzida por conta da pandemia de covid-19, os 13.948 veículos que integram a frota municipal transitaram mais livremente. Se você pegou um ônibus em São Paulo, em janeiro deste ano, pode ter chegado mais rápido em seu destino em comparação com o mesmo período de 2020. Isso porque a velocidade média da frota municipal foi de 18,6km/h, ficando 8% mais rápida durante o horário de pico nos dias úteis.

E como isso refletiu nos gases de efeito estufa? A emissão de gás carbônico e outros gases nocivos para o meio ambiente foi de 31 mil ton em janeiro deste ano, contra 37,5 mil ton em 2020. Quando comparamos com 2016, a redução foi de até 50%.

Os cálculos foram feitos a partir de dados de uma plataforma piloto que utiliza informações de GPS dos ônibus.

Menos carros, ônibus mais rápidos

A velocidade dos ônibus aumentou por conta do menor número de veículos particulares nas vias paulistanas. A pandemia de covid-19 trouxe problemas incontáveis em diversos âmbitos, mas o cenário pandêmico também serviu de alerta para mostrar a importância do investimento em transporte público eficiente e os seus benefícios em mobilidade e meio ambiente.

Ao se analisar o exemplo dos ônibus da frota municipal paulistana neste primeiro mês, as emissões de dióxido de carbono (CO2), óxidos de nitrogênio (NOx) e material particulado (MP) emitidos na combustão foram 43%, 52% e 71% menores, respectivamente, do que em 2016. Fatores como a redução da quilometragem total percorrida e renovação dos veículos também impactaram diretamente nesses resultados.

De acordo com a lei 16.802, que trata sobre mudanças climáticas na cidade de São Paulo, as emissões de CO2 dos ônibus precisam cair pela metade até 2028 em relação ao ano de 2016 e serem extintas nos dez anos seguintes.

Felipe Barcellos, pesquisador do instituto, ainda aponta outro debate fundamental: a importância da continuidade do investimento em faixas e corredores de ônibus.

"Os ônibus podem trafegar com maior fluidez e continuidade por meio de corredores ou mesmo faixas exclusivas, já que não competem por espaço viário com outros veículos, sobretudo com o automóvel", diz Barcellos.

O pesquisador explica que a diminuição das paradas dos ônibus traz um efeito de benefício em cascata. "Os ônibus ficam menos parados no trânsito e diminuem o intervalo médio de suas viagens, o que também reduz suas emissões atmosféricas."

Os dados da plataforma Monitor de Ônibus SP são atualizados diariamente e acompanham as emissões dos ônibus, além de apresentar os indicadores de qualidade de uso do serviço prestado, como velocidade média, oferta de lugares e outros. A ferramenta foi desenvolvida em parceria com a empresa de inovação Scipopulis.

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