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Árvores nativas voltam a dar frutos no Pantanal após queimadas

Acuri volta a dar frutos no Pantanal - Gabriela Schuck/ Divulgação Sesc Pantanal
Acuri volta a dar frutos no Pantanal Imagem: Gabriela Schuck/ Divulgação Sesc Pantanal

Lígia Nogueira

Colaboração para Ecoa, em São Paulo

08/02/2021 04h00

Árvores nativas do Pantanal, como acuri, canjiqueira, jatobá, bocaiuva, jenipapo, figueira e marmelada, já voltaram a dar frutos na maior Reserva Particular do Patrimônio Natural do país, a RPPN Sesc Pantanal, em Mato Grosso. Essas espécies produzem alimento para araras, queixadas e antas, que agora voltam a encontrar fontes naturais de sobrevivência na região.

Os primeiros sinais de recuperação na unidade de conservação, que teve 93% da área atingida pelo fogo recentemente, deixam pesquisadores otimistas, mas cautelosos diante dos impactos em longo prazo dos incêndios sobre o bioma.

Um dos locais mais gravemente atingidos pelo fogo na reserva do Sesc Pantanal foi a área com acuris, mas a espécie surpreendeu os pesquisadores e, após quatro meses, já volta a dar seus primeiros frutos. A expectativa inicial era que a nova safra de frutos ocorresse somente um ano após os incêndios.

Posto de Proteção Ambiental São Luiz - Jeferson Prado/ Divulgação Sesc Pantanal - Jeferson Prado/ Divulgação Sesc Pantanal
Posto de Proteção Ambiental São Luiz
Imagem: Jeferson Prado/ Divulgação Sesc Pantanal

Segundo a bióloga e pesquisadora do Grupo de Estudos em Vida Silvestre (GEVS) Gabriela Schuck, esse é o resultado da ação efetiva do combate ao fogo na Reserva. O crescimento da vegetação e o surgimento das frutas, porém, não significa que a área recuperou o estado anterior ao fogo, afirma a pesquisadora. Ainda é preciso monitorar como a situação vai evoluir.

Monitoramento

"Como estamos em um cenário de unidade de conservação, qualquer tipo de intervenção humana deve ser mínima ou evitada. Acreditamos que devemos deixar a recuperação vir no seu tempo, sem investimentos de interferência física", diz à coluna o coordenador do Grupo de Estudos em Vida Silvestre (GEVS) Luiz Flamarion Barbosa de Oliveira.

Para Oliveira, o ideal é monitorar os processos de regeneração. "Nesse contexto investir em avaliação do tamanho de populações de diversos grupos da fauna (anfíbios, répteis, aves, mamíferos), é muito desejável. Utilizando métodos que considerem frequências, densidades e relações com o mosaico em recuperação."

Cristina Cuiabália, gerente de pesquisa e Meio Ambiente do Sesc Pantanal, complementa que apesar da grande heterogeneidade da paisagem no Pantanal, é possível que os estudos na RPPN sirvam como referência metodológica para a aplicação em outras áreas desse ecossistema.

Pesquisas em andamento

Atualmente, estão em curso duas pesquisas sobre a fauna e a flora da região que devem colaborar especialmente para a tomada de decisões em todo o Pantanal —a estimativa é que os primeiros resultados saiam entre março e abril, segundo o coordenador do GEVS.

"No momento está em andamento a confirmação dos pontos amostrais. Essa etapa está em vias de conclusão. Imediatamente após haverá revisão dos dados e identificações com a melhor precisão possível (é importante lembrar que são carcaças onde o fogo atuou e muitos caracteres empregados para diagnóstico podem não estar disponíveis). As identificações, na presente etapa, estarão baseadas em imagens obtidas em campo."