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Catadora mais antiga do Brasil participa de filme para arrecadar doações

Tereza Felipe, a catadora mais antiga do Brasil, e a equipe do filme #NossaFamília - Divulgação
Tereza Felipe, a catadora mais antiga do Brasil, e a equipe do filme #NossaFamília Imagem: Divulgação

Lígia Nogueira

Colaboração para Ecoa, em São Paulo

23/11/2020 04h00

Depois dos médicos e profissionais de saúde, os catadores ficaram entre os mais vulneráveis durante a pandemia. Mesmo com a flexibilização em grandes cidades como São Paulo, muitos deles ainda lutam para sobreviver da coleta seletiva. É o caso de Tereza Felipe, conhecida entre os integrantes do Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis como a catadora mais antiga do Brasil.

A mineira chegou ainda adolescente em São Paulo depois de ter sido adotada por um casal em Ribeirão Preto na década de 50. Depois de casada, decidiu tentar a vida na capital paulista ao lado do marido. O casal morou na rua durante alguns anos, mas com a renda obtida na coleta de materiais recicláveis conseguiu juntar dinheiro para comprar uma casa própria na zona leste da cidade nos anos 60.

Além do primeiro lar do casal, o local passou a funcionar também como abrigo para os filhos das mulheres que faziam coleta em aterros irregulares. Muitas delas seguiram seus caminhos, enquanto os filhos iam ficando. O sonho de Dona Terezinha, que era ter uma grande família, acabou se realizando de forma inesperada. "Depois do segundo filho biológico descobri que tinha Doença de Chagas e não poderia mais engravidar", conta a simpática senhora, hoje mãe de 45 filhos adotivos registrados em cartório.

Muito mais do que fazer reciclagem, o meu trabalho é social

Tereza Felipe, catadora

Tereza é uma das protagonistas do documentário "#NossaFamília", ao lado de Mara Lucia Sobral, que também acolheu dezenas de crianças e adolescentes e adotou vários deles. Durante a pandemia, que colocou a categoria dos catadores em uma situação de vulnerabilidade ainda maior, a CineVozes, da Cia Um Brasil de teatro e Artes, que desenvolve uma pesquisa voltada a dar dignidade ao trabalho do catador e tem o intuito de visibilizar essa categoria de profissionais tão importantes para cidade, deu início ao projeto "Ação Catadoras" para arrecadar fundos para ajudar essas famílias.

Interessados podem fazer doações por meio do site da CineVozes e qualquer valor doado dá direito ao colaborador de assistir ao filme, dirigido e produzido por Max Mu e conduzido pelo ator Eduardo Silva, o Bongô de "Castelo Rá-Tim-Bum".