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Sim ou não?

Devemos declarar guerra aos alimentos industrializados?

Getty Images/iStockphoto
Imagem: Getty Images/iStockphoto

Rodrigo Bertolloto

De Ecoa, em São Paulo

22/10/2020 04h00

Os alimentos processados são verdadeiras armas de guerra. Sem os biscoitos, por exemplo, talvez não existissem as Grandes Navegações, afinal, quase nenhum alimento resistia a dias e dias em alto mar e nas temperaturas altas dos trópicos. O combustível das caravelas eram, no final das contas, os biscoitos. Já os alimentos enlatados se popularizaram nas Grandes Guerras do século passado para alimentar as tropas. Depois, foram adotados pelos civis. E o que falar da conquista do espaço sem aqueles alimentos desidratados para os astronautas? Pois bem, agora há uma batalha contra esses alimentos industrializados por eles terem virado a base da alimentação de muitas populações e estarem relacionados com problemas como obesidade, diabetes e doenças cardíacas.

Leia abaixo os argumentos a favor e contra.

SIM

Ultraprocessados fazem mal à saúde

Quanto mais etapas na produção e mais aditivos químicos na composição, mais o alimento é nocivo. Os excessos de açúcar, sal, conservantes, corantes, emulsificantes, acidulantes etc desses alimentos estão relacionados a diversas doenças, inclusive a câncer e depressão. Estão nessa categoria os refrigerantes, embutidos, salgadinhos, sorvetes e biscoitos recheados

Muita cor e pouca nutrição

O que sobra de cores na embalagem falta de nutrientes nos produtos industrializados. Um refri diet pode ser menos calórico que um suco de laranja feito na hora, mas não tem a vitamina C, os flavonóides, o betacaroteno e as fibras que tanto bem fazem ao corpo. Sucos em pó nem se fale. Já os sucos processados costumam abusar do açúcar extra e de conservantes.

Muito açúcar e gordura colaboram para uma população obesa

Os alimentos industrializados, associados à vida sedentária, estão por trás do aumento da obesidade nas populações ocidentais: 36% dos norte-americanos e 22% dos brasileiros estão nessa categoria. A preocupação é ainda maior com a obesidade infantil, porque o hábito alimentar e as doenças tendem a continuar na idade adulta

Prejudicam as economias locais

Quanto mais processados, mais os alimentos precisam de grandes complexos industriais e de grande capital para sua produção e distribuição. Isso prejudica as economias próximas aos locais de consumo, principalmente os pequenos e médios produtores que podem oferecer similares menos processados e com menos necessidade de logística

Cultura e meio ambiente são atingidos

A comercialização em grande escala desses produtos aumenta a quantidade de lixo, com a proliferação de embalagens plásticas, assim como sua distribuição e transporte colabora para a emissão de gases do efeito estufa. Fora disso, há uma uniformização da alimentação que atrapalha os hábitos tradicionais (como reunir à família à mesa diante de um cardápio variado) e os gêneros locais - muitas plantas alimentícias são tratadas como "ervas daninhas" por puro apagamento dessa cultura gastronômica

NÃO

É preciso separar os vários tipos de industrializados

Há os "ultraprocessados" em uma ponta, mas na outra estão os alimentos "minimamente processados", segundo o Guia Alimentar para a População Brasileira, do Ministério da Saúde. São produtos originais sem aditivos. Eles sofrem no máximo processos como secagem, pasteurização, congelamento ou fermentação. Há ainda a categoria "processados", onde há adição de sal ou açúcar, como, por exemplo, queijos, pães, geleias, conservas e carnes salgadas, defumadas ou enlatadas

Mais durabilidade e segurança alimentar

Os padrões de produção, higiene, armazenamento e transporte garantem uma maior saudabilidade ao alimento. Embalagens a vácuo, por exemplo, mantêm o sabor e o frescor dos produtos por muito tempo. As informações presentes nos recipientes, como prazos de validade e maneira de conservação, ajudam o consumidor a ter segurança com sua alimentação

Praticidade é a alma do negócio

Pela produção em escala, são produtos que foram barateando com o tempo, aumentando a durabilidade e facilitando o transporte. Eles foram se encaixando no cotidiano das famílias à medida que o ritmo acelerado da vida nas cidades reservava cada vez menos tempo para o preparo e a ingestão de alimentos

Eles ajudam quando há escassez

Os processados surgiram para suprir alimentação para situações de dificuldade, como guerras, grandes viagens, crises sociais etc. Populações em localidades remotas ou com climas e relevos extremos também têm na comida industrializada uma aliada para a sobrevivência

Sabendo usar, o risco é menor

Aliar a praticidade dos industrializados com a nutrição dos alimentos in natura é um meio termo que ajuda as pessoas a terem uma refeição equilibrada. Por exemplo, fazer o macarrão com molho fresco de legumes, no lugar das salsas de caixinha ou em pó. Ou acrescentar frutas picadas e grãos no iogurte industrializado

Sim ou não?