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Virada Sustentável terá palestras gratuitas com gurus da economia circular

A economista britânica Kate Raworth, criadora do conceito da "Economia Donut" - Divulgação
A economista britânica Kate Raworth, criadora do conceito da "Economia Donut" Imagem: Divulgação

Isabella Garcia

Colaboração para Ecoa, de São Paulo

16/09/2020 04h00

A Virada Sustentável SP comemora uma década de existência esse ano. O momento histórico pelo qual a humanidade está passando, não impedirá a celebração da décima edição, a partir de hoje (16) e com programação até 18 de outubro.

As consequências sociais do novo coronavírus impulsionaram os organizadores a criarem eventos que promovam reflexões sobre o coletivo, os limites do planeta e para onde estamos caminhando.

André Palhano, idealizador da Virada, explica que o objetivo é levar informações que envolvam os vários temas da sustentabilidade de forma atraente, positiva e não menos séria. Esse ano, as frentes abordadas são meio ambiente, consumo consciente, diversidade, desigualdade social, saúde e bem-estar.

"Umas das estratégias centrais da Virada, é trazer para o mesmo barco uma rede de pessoas, organizações e projetos transformadores da sociedade, sempre dando a isso essa cara de festa, por isso um festival" conta.

Para isso acontecer, as recomendações das autoridades de saúde serão respeitadas para que a programação seja híbrida: presencial e virtual. Para a abertura, o coletivo Projetemos levará mensagens projetadas em prédios de diferentes cidades do Brasil, como Fortaleza, Manaus, Porto Alegre, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo. Os textos são fruto de encontros virtuais realizados entre coletivos e personalidades empenhados em fazer do mundo um local melhor.

Diferentes regiões da capital paulista — Largo da Batata, Avenida Paulista, Minhocão, Grajaú, Brasilândia, Jardim Helena e "Rua das Minas" na Lapa — receberão instalações, projeções, grafites, ocupações criativas, performáticas e visuais. Para evitar aglomerações, a ideia é que a população o conteúdo em meio ao seu trajeto cotidiano.

Também ocorrerá uma programação paralela em plataformas digitas, com palestras de nomes importantes da economia circular, como Kate Raworth e William McDonough, e famosos como a cantora Elza Soares.

"Chacoalhão da humanidade"

André diz que a pandemia, revelou de maneira explícita o tamanho da desigualdade do Brasil e no mundo. "Esse chacoalhão da humanidade nos leva a pensar de fato que somos uma casa só, não importa se você mora na suíte ou na garagem. Somos uma unidade e precisamos de fato, tornar esse local minimamente bom para todos" diz.

William McDonough, coautor do livro "Cradle to Cradle" (Do Berço ao Berço) - Divulgação - Divulgação
William McDonough, coautor do livro "Cradle to Cradle" (Do Berço ao Berço)
Imagem: Divulgação

Palhano também reflete sobre os vários limites aos quais o planeta está submetido. Um deles diz respeito a uma questão puramente física "nós estamos contratando e usando recursos que uma hora vão se exaurir e não vão dar conta da capacidade de consumo". Ele acredita que as inovações tecnologias não são capazes de resolver os problemas que limitam os nossos recursos naturais. É preciso repensar de fato nos hábitos de consumo, nas práticas enquanto sociedade, na forma de lidar com outras pessoas, nas questões éticas e valores.

Situações essas, ele acredita começaram a ser repensadas em meio a este cenário atual. "Se continuássemos no ritmo pré-pandemia, ia colapsar. Talvez não significasse a extinção da humanidade, mas certamente, significaria um caminho que é bom para pouquíssimas pessoas e muito ruim para várias outras". E, em sua opinião, é essa fase que estamos vivendo. "Tudo isso talvez nos faça parar e pensar para qual caminho queremos seguir. O de um mundo de guerra, ódio, desigualdade e escassez. Ou a opção de um local onde podemos aproveitar a dádiva que nos foi dada, esse planeta incrível, com clima bom, e de fato aprender a viver melhor em sociedade. Uma casinha que seja boa para todos" diz.

Destaques da programação:

A intervenção artística "Eggcident" estará no Largo da Batata entre 17 e 20 de setembro. Ela mostra ovos fritos gigantes estalados, em meio ao asfalto, fazendo com que as pessoas reflitam sobre as mudanças climáticas. A obra é do artista holandês Henk Hofstra.

A intervenção artística "Eggcident" - Divulgação - Divulgação
A intervenção artística "Eggcident"
Imagem: Divulgação

Já o Memorial Inumeráveis e o duo de artistas VJ Suave fizeram uma parceria para manter viva a história dos indígenas vítimas da Covid-19. No dia 2 de outubro, a obra prestará homenagem a eles por meio de projeções em prédios, casa, árvores e superfícies da cidade de São Paulo. Tudo isso contado a partir das perspectivas de lideranças indígenas.

Elza Soares fala sobre a existência e resistência das mulheres negras - Divulgação - Divulgação
Elza Soares fala sobre a existência e resistência das mulheres negras
Imagem: Divulgação

O Fórum Virada Sustentável é uma oportunidade de levar conhecimento de forma digital e garantir o acesso de pessoas de fora da cidade. O conteúdo terá tradução em libras e tradução simultânea para os palestrantes estrangeiros. Os temas deste ano são: economia circular, mudanças climáticas, meio ambiente, futuro do trabalho, diversidade e inovação social. Esse conteúdo é gratuito e para participar, é necessário fazer inscrição prévia no site: www.viradasustentavel.org.br

Entre os principais nomes estão a economista britânica Kate Raworth, criadora do conceito da "Economia Donut", e o arquiteto William McDonough, coautor do livro "Cradle to Cradle" (Do Berço ao Berço), um dos pilares do conceito de Economia Circular. Kate irá palestrar no dia 18 de setembro, às 14h, e William em 21 de setembro, também, às 14h. Elza Soares é outro destaque da programação. No dia 30 de setembro, às 18h, falará sobre a existência e resistência das mulheres negras.

As atividades da virada sustentável são gratuitas. Para encontrar a programação completa do festival, acesse: viradasustentavel.org.br.

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