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Pequenas ações ajudam a construir antirracismo pós #blackouttuesday

Djamila Ribeiro - Luciana Serra/Futura Press/Folhapress
Djamila Ribeiro Imagem: Luciana Serra/Futura Press/Folhapress

Carina Martins

Colaboração para Ecoa, de São Paulo

03/06/2020 19h25

Um dia com o terreno fértil da enxurrada da véspera. Depois da terça-feira de blackout - o #blackouttuesday, movimento que tomou as redes digitais numa ação de silêncio para a escuta de vozes negras - vem a quarta-feira. Se ela não for de ação - ou, no mínimo, reflexão -, então as vozes falaram em vão mais uma vez. Mas sempre brotam sementes.

"Ser antirracista neste momento é contribuir para causas como estas", diz Júnior Melo do Coletivo Pela Vida de Nossas Mães. O grupo, nascido durante a crise do coronavírus, é formado por filhos e filhas de domésticas e luta pela quarentena remunerada para essas profissionais. Depois de garantirem um auxílio financeiro para dezenas de mulheres, a campanha entra em sua segunda fase, com 50 mulheres já na lista de espera imediata. Cerca de uma em cada cinco mulheres negras que exercem trabalho remunerado é empregada doméstica - quase o dobro do índice entre brancas. Mais detalhes no @pelavidadenossasmaes.

Voz amplificada

O ator Paulo Gustavo, por exemplo, estendeu por um mês a ação original: seus 13,5 milhões de seguidores no Instagram serão impactados durante todo o mês de junho pelo conteúdo produzido pela filósofa Djamila Ribeiro. Até julho, a conta dele será assumida por ela, que é autora de obras como "O que é lugar de fala?", "Quem tem medo do feminismo negro?" e "Pequeno manual antirracista".

A escuta de quem conhecer Djamila neste mês, além de refletir sobre as colocações que ela trará, pode evoluir para um desejo de ler suas obras, por exemplo. Elas estão disponíveis nas grandes redes, é verdade. Mas quem optar por encontrá-las em pequenos negócios, como a livraria Kitabu, especializada em literatura negra, pode conhecer novos autores no processo. A escuta se expande, e já há uma ação de fortalecimento de um negócio negro. Tudo porque alguém silenciou para que outro seja ouvido.

Vire a página

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