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Estudantes descobrem proteínas no kefir com ação antibiótica

As irmãs Samara e Sophia Rossi desenvolveram estudo sobre antibacterianos - Divulgação
As irmãs Samara e Sophia Rossi desenvolveram estudo sobre antibacterianos Imagem: Divulgação

Diana Carvalho

De Ecoa, em São Paulo

15/05/2020 04h00Atualizada em 26/10/2020 16h01

Com uma ideia ambiciosa, as irmãs Samara e Sophia Rossi, de 17 anos, conquistaram o primeiro lugar na categoria Ciências Biológicas da Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (Febrace), a maior mostra científica pré-universitária do Brasil, em abril. Elas fizeram um estudo sobre o kefir, leite fermentado produzido a partir de grãos similares a pedacinhos de couve-flor, descobrindo no soro da bebida um conjunto de proteínas que pode ser usado como um potente agente antibacteriano.

Chamado "Crise dos antibióticos: bacteriocinas do soro de leite de vaca fermentado por grãos de kefir. Uma possível solução?", o projeto teve como objetivo de buscar uma alternativa natural, eficaz e barata para combater enfermidades, contam as estudantes.

"Diferente de outros estudos sobre o kefir, que é rico em lactobacilos vivos e leveduras, nossa pesquisa não analisa o iogurte produzido pelo fermentação dos grãos. Nós utilizamos o soro, que é um dos produtos da fermentação que, em geral, é descartado. A ideia de usar o soro como nossa matéria prima é uma maneira de reaproveitá-lo, dando uma nova utilidade a ele", explica Samara.

Durante a pesquisa, proteínas encontradas no soro foram expostas a duas bactérias de coleção, a Escherichia coli (E. coli) e a Staphylococcus aureus, que podem causar desde intoxicação alimentar a doenças gastrointestinais e infecciosas.

Uma análise apontou a ação antibiótica positiva após 48 horas de exposição, eliminando as bactérias. "A partir de 1% em relação ao todo nós já conseguimos a ação antibiótica."

Como próximos passos da pesquisa, as estudantes pretendem avaliar a capacidade dessas proteínas de auxiliar antibióticos já inativos ou com baixa atividade a voltarem a ter um desempenho adequado, pois assim seria possível aumentar a vida útil dos mesmos.

As irmãs Samara e Sophia Rossi venceram prêmio da Febrace em 2020 - Arquivo Pessoal - Arquivo Pessoal
As irmãs Samara e Sophia Rossi, autoras do projeto que venceu prêmio da Febrace
Imagem: Arquivo Pessoal
Desenvolvido durante o curso técnico em química do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia São Paulo (IFSP), do campus de Suzano (SP), com a coordenação das professoras Raquel Manhani, Débora Higuchi e Fernanda Sales, o projeto também foi considerado o melhor do estado de São Paulo.

Sophia e Samara Rossi concluíram o curso técnico no IFSP em 2019, quando foram aprovadas no Enem para o bacharelado em Ciência e Tecnologia da UFABC (Universidade Federal do ABC).

Neste ano, a premiação da Febrace foi realizada apenas online, devido a pandemia de Covid-19. Geralmente, uma grande mostra de projetos ocorre na USP (Universidade de São Paulo). A 18ª edição da feira teve 355 projetos finalistas, desenvolvidos por 761 estudantes do ensino fundamental, médio e técnico de 295 escolas de todo o país.

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