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Coronavírus: Celular, álcool gel e informação são necessidades na periferia

De Ecoa, em São Paulo

24/04/2020 14h00

O celular é uma ferramenta importante em tempos de pandemia do novo coronavírus, seja na busca por informações, seja na comunicação com amigos e familiares, seja na busca pelo auxílio emergencial de R$ 600 por mês que o governo federal pagará por três meses. Mas vale lembrar que, embora populares, os smartphones não estão disponíveis para todos — especialmente nas periferias e favelas.

Foi o que lembrou hoje Christiane Teixeira, liderança em Coroadinho, São Luís (MA), professora da rede comunitária de ensino e idealizadora do Comitê Coroadinho sem Corona, durante o UOL Debate.

"A gente criou essas comunicações, através de WhatsApp, da internet, para que a gente pudesse informar o máximo", disse ela. "(Mas) aparelho celular também não é para tudo. A gente vê que bate em algumas resistência aqui que a pessoa não tem nem fogão. Vai ter celular? Wi-fi?"

O programa de hoje se propôs a discutir as dificuldades no combate à pandemia do coronavírus em áreas pobres das cidades. Além de Christiane, participaram também Anna Karla Pereira, cofundadora da Frente Favela Brasil, organização política com atuação nas favelas do Coque e Ibura (PE); Gilson Rodrigues, coordenador nacional do G10 das Favelas, líder comunitário de Paraisópolis, em São Paulo, e fundador do Instituto Escola do Povo; e Isabela Souza, diretora da OSCIP Observatório de Favelas do Rio de Janeiro, mestre em Planejamento Urbano e Regional pela UFRJ.

Desta forma, segundo ela, voluntários precisaram trabalhar para garantir o auxílio emergencial a diversas famílias locais. "A gente precisou ir a campo, cadastrar algumas famílias, quem está precisando de imediato", afirmou a representante maranhense. "O voluntário conseguiu arrebanhar uma quantidade de famílias. A gente foi cadastrando elas, criou um canal de doações. Não tem sido fácil conseguir doações de alimento, kit de higiene", contou.

Para Christiane, é necessário encontrar mais formas de informação às comunidades. "O que falta para nós é um canal de comunicação para atingir a maioria da população simples, com palavras simples", analisou.

Mas a falta de comunicação não é o único problema nessas regiões. Mesmo situações de higiene refletem questões da desigualdade social no país.

"Não adianta sugerir que as pessoas usem álcool em gel na periferia", explicou Isabela Souza, do Observatório de Favelas do Rio de Janeiro. "Nem todo dia tem água. Álcool em gel é artigo de luxo", reforçou Christiane.

Isabela concordou ainda com a necessidade de uma linguagem que seja acessível a todos.

"A gente conversa de manhã com especialista sobre uma temática específica e o desafio com esse especialista é pensar na informação a partir da perspectiva da periferia", explicou. "(Então) fomos pensando em conjunto de abordagens. A gente já falou sobre lavagem das mãos, alimentação, deslocamentos."

No Rio, o WhatsApp tem sido uma alternativa bastante usada para a troca de informações, segundo Isabela. Mas até mesmo anúncios feitos por mototaxistas são possibilidades neste momento.

"Envia um meme e envia um áudio", exemplificou ela. "E esses memes e áudios estão virando vídeo", acrescentou.

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