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O que é a COP-25? O que tem com o aquecimento global?

Chefes de estado durante a COP-25, em Madri - Susana Vera/Reuters
Chefes de estado durante a COP-25, em Madri Imagem: Susana Vera/Reuters

Juliana Russar e Luciano Fontelle

Do Coletivo Clímax Brasil em colaboração para Ecoa

10/12/2019 15h09

O que é a COP-25?

É a 25ª edição da Conferência das Partes (COP) da Convenção-Quadro da ONU sobre Mudança do Clima, um acordo internacional que foi assinado por 154 países do mundo em 1992 e começou a valer em 1994. Desde o ano seguinte, 1995, os países que participam desse tratado se encontram anualmente com o objetivo de avaliar como estão indo seus esforços para combater o aquecimento global causado pelas atividades humanas e buscar medidas que ajudem a combatê-lo.

A COP tem alguma coisa a ver com o Acordo de Paris?

Sim. O Acordo de Paris foi assinado na COP-21, em 2015, em Paris. Pela primeira vez, todos os países, sejam eles desenvolvidos ou em desenvolvimento, assumiram compromissos para combater as mudanças climáticas, conforme suas possibilidades. Antes, como no Protocolo de Kyoto, a pressão ficava muito mais nos países desenvolvidos, o que gerou várias intrigas diplomáticas durante os processos de negociação e implementação. Os compromissos fazem parte do documento ratificado até o momento por 187 nações das 197 Partes da Convenção.

E o que acontece durante a COP?

São muitas atividades, mas há dois eixos principais: as negociações sobre o Acordo de Paris, que tem os principais pontos das ações sobre o que fazer para garantir que a Terra permaneça num clima amigável para os seres humanos; e os eventos paralelos, que tentam promover discussões para além do que está nesse documento da conferência ou que tente trazer outras perspectivas que governos não costumam apresentar. Rola muita reunião em tudo que é lugar também - até em fila de banheiro. São nessas reuniões que pessoas, governos, corporações e sociedade civil tentam negociar aquelas coisas que acham mais importantes para que ganhem mais força nos debates finais da conferência.

Qualquer um pode entrar?

O evento é aberto à sociedade civil e à imprensa, mas isso não significa que vão te deixar entrar se você aparecer lá na porta com seu melhor look. Todos os participantes precisam ser cadastrados com antecedência por meio de uma instituição ou governo que faça parte da Convenção de Clima. E, ainda assim, tem algumas salas que são reservadas só para quem tem o crachá de governo.

Quem paga a conta da viagem?

A COP é um evento cujo foco principal são os governos, que montam suas delegações e pagam suas viagens.. Quem não faz parte de um, tem que se virar para custear o deslocamento, a hospedagem e outros gastos. Representantes da sociedade civil (geralmente integrantes de ONGs) costumam ir à COP para acompanhar e monitorar o que os governos estão fazendo. Para isso, precisam encontrar meios próprios para marcar presença. Tem quem faz vaquinha, recebe financiamento de fundações, faz parcerias com empresas ou até mesmo consegue algumas bolsas oferecidas por agências das Nações Unidas e parceiros.

Por que é em Madri?

A ideia inicial era que o Brasil recebesse a COP-25. Havia até verba prevista para isso. Mas, depois das eleições, o governo acabou decidindo não sediar o evento. As justificativas: restrições orçamentárias e a transição de governos. Seria aqui porque existe um rodízio de regiões que recebem o evento, como o que acontece com a Copa do Mundo e as Olimpíadas. Como o Brasil voltou atrás, o Chile se ofereceu para ser anfitrião da COP. E, então, houve uma nova mudança. Com o acirramento das tensões no país e os diversos protestos contra o governo, o presidente Sebastián Piñera abriu mão do evento, pois não havia "clima" para recebê-lo. E, assim, a Espanha acabou sediando a COP em Madri.

Quais países participam da COP?

Atualmente, 197 países e a União Europeia participam das negociações de clima. São todos os países do mundo.

Mas por que alguns países aparecem mais no noticiário?

Estados Unidos e China ocupam a maior parte das discussões por um motivo simples. Historicamente, os Estados Unidos são o país que mais contribuiu para o problema das mudanças climáticas. Ou seja, faz bastante tempo que as atividades econômicas americanas estão poluindo o planeta. Agora a bola está com a China. Atualmente ela é a nação que mais emite gases de efeito estufa na nossa atmosfera, correspondendo a 26.83% do total. O problema é que, desde que o Donald Trump assumiu a presidência dos Estados Unidos, em 2017, prometeu abandonar as negociações de clima com a justificativa de que as mudanças climáticas são algo criado pelos chineses para prejudicar a economia norte-americana.

Qual o impacto da COP na vida de cidadãos comuns?

Você deve ter reparado que o clima já não é mais o mesmo onde você mora e que nem as chuvas são mais tão regulares assim. Além disso, quando chove, vem muita água de uma vez e isso faz com que muita gente perca tudo o que tem nas enchentes. E as noites de calor insuportável, quem consegue dormir? O que é discutido e decidido na COP tem impacto direto nessa variação climática e em tudo que decorre dela. O objetivo principal é encontrar meios para que o aumento da temperatura global do planeta se mantenha abaixo de 1,5 oC, nível considerado seguro para a sobrevivência da espécie humana.

E como alguém que não faz parte de governo ou de ONG pode ajudar?

Cada ação importa. Há exemplos o suficientes no mundo para mostrar que elas podem ser inspiradoras para gerarem movimentos e transformações profundas. O Brasil tem uma meta tímida dentro do que os especialistas no assunto chamam de Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC), ou seja, aquilo que cada país decidiu que vai fazer para tentar cumprir a meta de não deixar a temperatura média do planeta subir mais que 1,5ºC. Mas nós não precisamos ser tão tímidos/as. É de ousadia que precisamos para alcançar essa meta. Ousadia principalmente para botar pressão nas grandes corporações do mundo que mais poluem e botam grana para influenciar governos, como as indústrias do petróleo, gás e carvão e o agronegócio. É importante também fiscalizarmos o que nossos representantes políticos estão fazendo, mesmo aquele em quem você votou e tinha um plano para o meio ambiente e também aquele que foi eleito, mesmo sem seu apoio e com planos que poluem nossas territórios e prejudicam o clima global.

Existem várias organizações e movimentos em defesa do meio ambiente no Brasil, depende muito de quanto tempo você tem e onde mora. E se não existir um onde você mora, por que não começar um? Mas para citar alguns: Engajamundo, Fridays for Future Brasil, Greenpeace Brasil, Plant-for-the-Planet Brasil, Projeto Saúde & Alegria, SOS Mata Atlântica.

Quais as garantias que temos de que as propostas vão ser cumpridas?

Nenhuma. Os países são soberanos e a ONU não pode puni-los por não cumprirem o que foi acordado. No entanto, as pessoas e os mercados estão cada vez mais atentos ao que os seus representantes políticos estão fazendo em relação ao tema. E acordos comerciais entre dois países ou entre blocos de países estão condicionados às suas políticas ambientais e climáticas.

Quanto tempo vai durar isso?

As COPs duram 2 semanas. A COP-25 começou dia 2/12 e vai oficialmente até dia 13/12, mas as negociações às vezes se estendem até o fim de semana.

Greta Thunberg tem alguma coisa a ver com tudo isso?

Greta Thunberg é uma adolescente sueca que ficou conhecida por fazer protestos silenciosos todas as sextas-feiras ao deixar de ir para a escola e ficar na frente do Parlamento Sueco demandando ação climática dos seus representantes, pois não vê sentido em estudar se o futuro da sua geração corre perigo. Sua atitude motivou jovens do mundo inteiro a se juntarem a esse movimento e Greta virou um símbolo da sua geração. A primeira participação de Greta em uma COP foi na Polônia, no ano passado, e seu discurso acabou viralizando. Desde então, ela tem participado de reuniões internacionais para chamar a atenção para a urgência da crise climática. Ela chegou dia 06 na Espanha, para participar primeiramente em uma marcha que reuniu cerca de 500 mil pessoas no centro de Madri.

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