Topo

Primeiro G10 Favelas: as dez comunidades mais ricas do Brasil se unem

Em Paraisópolis, o G10 Favelas marcou o início do bloco formado por dez comunidades do país; na foto, Suéli Feio, uma das organizadoras do evento - Arquivo pessoal
Em Paraisópolis, o G10 Favelas marcou o início do bloco formado por dez comunidades do país; na foto, Suéli Feio, uma das organizadoras do evento Imagem: Arquivo pessoal

Debora Komukai

de Ecoa, em São Paulo (SP)

25/11/2019 04h00

Realizada no último sábado (23), em Paraisópolis, na capital paulista, a primeira edição do G10 Favelas - Slum Summit (Cúpula das Favelas, em tradução livre) marcou a formação do bloco que reúne as dez favelas brasileiras com maior poder econômico do país. O objetivo da iniciativa é juntar esforços para buscar investimentos para os negócios locais.

"Assim como os países ricos, que se uniram formando o G7 e o G20, a gente resolveu unir as dez comunidades mais ricas do país", disse Gilson Rodrigues, presidente da União de Moradores de Paraisópolis e um dos idealizadores do G10.

O grupo é formado pelas favelas Rocinha (RJ), Rio das Pedras (RJ), Heliópolis (SP), Paraisópolis (SP), Cidade de Deus (AM), Baixadas da Condor (PA), Baixadas da Estrada Nova Jurunas (PA), Casa Amarela (PE), Coroadinho (MA) e Sol Nascente (DF).

No evento, que aconteceu no ginásio de Paraisópolis e reuniu pelo menos 720 pessoas (a lotação do local), os organizadores anunciaram que, por meio de um financiamento coletivo, pretendem arrecadar R$ 2 milhões para investirem em projetos construídos dentro das regiões periféricas. O plano é que o evento volte a acontecer anualmente.

Grande potencial de consumo

"Queremos incentivar as pessoas de fora e dentro da comunidade a olhar para cá como um grande potencial de negócios. Com isso, vamos conseguir desenvolver as comunidades e elas vão passar a não depender apenas de recursos externos", explica Daniel Cavaretti fundador do Canal Transformadores e idealizador do G10.

De acordo com um estudo realizado pela empresa de comunicação Outdoor Social em 2018, juntas, essas comunidades teriam um potencial consumo de R$ 7,7 bilhões no ano seguinte. Foi a partir desse dado que os líderes comunitários tiveram a ideia de criar o grupo.

Gilson Rodrigues e Givanildo Pereira participaram do G10 Favelas - Arquivo pessoal
Gilson Rodrigues e Givanildo Pereira participaram do G10 Favelas
Imagem: Arquivo pessoal
O objetivo é que as conquistas do G10 sejam compartilhadas com outras favelas brasileiras também. "Queremos que qualquer favela possa ser agente de sua própria transformação e que possa trocar experiências umas com as outras", afirma Gilson.

Orgulho da periferia

Além da visibilidade, o G10 também busca mostrar os casos de sucesso que surgem dentro das favelas, aumentar a autoestima da população e também mudar a forma como o restante da sociedade olha para as periferias.

"Quando era pequeno, escutava meus vizinhos falando que moravam no Morumbi, não em Paraisópolis. Eu não entendia por qual motivo faziam isso. Depois, percebi que era medo. Eles não queriam ser julgados nem sofrer preconceitos ao falar que eram daqui", relata Givanildo Pereira, de 19 anos.

O jovem é paraibano e chegou com a família a São Paulo ainda pequeno. Agora seus pais se mudaram novamente, mas ele decidiu continuar em Paraisópolis por acreditar no potencial da favela. "A gente tem capacidade, mas precisa de uma base para que isso seja impulsionado. A favela é rica", conta.

Bom para as mulheres também

Suéli Feio, fundadora do projeto Costurando Sonhos e também uma das organizadoras do evento, explica que, para ela, o G10 Favelas vai ajudar ainda mais as mulheres das comunidades.

"Eu comecei a empreender porque eu fui tocada por uma situação de violência doméstica que eu presenciei aqui em Paraisópolis. Uma mãe e uma criança foram espancadas pelo companheiro dessa mulher", diz Suéli, que, por meio de seu projeto, capacita mulheres em oficinas de corte e costura, promovendo assim a independência financeira das alunas.

"Até hoje, já capacitamos 104 mulheres e já até desfilamos na São Paulo Fashion Week. A ideia é replicar essas experiências para outras comunidades", declara, com um sorriso rosto.

Ecoa