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Desastre no Nordeste: como e onde voluntários podem ajudar

Descalço, homem manuseia óleo recolhido em praia em Alagoas; especialista alerta para riscos  - Instituto Biota de Conservação
Descalço, homem manuseia óleo recolhido em praia em Alagoas; especialista alerta para riscos Imagem: Instituto Biota de Conservação

Bárbara Forte

De Ecoa

22/10/2019 09h47

O desastre ambiental que atingiu nove estados do Nordeste (AL, BA, CE, MA, PB, PE, PI, RN e SE) mobilizou centenas de pessoas, nos últimos dias, na limpeza de praias aonde a mancha de óleo chegou. Por meio de mutirões, voluntários têm removido com as próprias mãos os resíduos que afetaram a costa brasileira.

Essa ação emergencial, no entanto, demanda algumas precauções para não colocar em risco a saúde de quem quer ajudar. "Há cuidados básicos que a população que está na linha de frente no trabalho de limpeza das praias deve ter. Os resíduos, em contato com mucosas e vias aéreas, podem causar náuseas, tontura e dificuldades de respiração", alerta Cláudio Sampaio, professor de biodiversidade e conservação da pós-graduação da UFAL (Universidade Federal de Alagoas).

Segundo o especialista, é preciso que os voluntários tenham o EPI (equipamento de proteção individual), que deve contemplar os seguintes acessórios:

  • Luvas de borracha resistentes;
  • Galochas ou botas impermeáveis;
  • Máscara;
  • Óculos de proteção.

O professor afirma ainda que as pessoas devem se proteger do sol, usando chapéu ou boné, camiseta com barreira UV e protetor solar.

Como posso ajudar?

Segundo Cláudio Sampaio, os voluntários devem, antes de iniciar a ajuda nos pontos de limpeza, buscar a Defesa Civil, prefeituras e Secretarias Municipais de Meio Ambiente. "As instituições oficiais informarão os cuidados e disponibilizarão os equipamentos necessários para iniciar o trabalho", diz.

Ele também lembra que órgãos como o Ibama (Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), a Marinha do Brasil, ONGs e universidades das regiões atingidas também têm liberado informações para a população sobre os locais atingidos pelo óleo.

Veja, a seguir, algumas organizações que estão cadastrando voluntários e recebendo donativos, como equipamentos de proteção, no litoral nordestino:

Mutirão x omissão

Os mutirões de limpeza tentam ajudar a amenizar a situação, agravada, no entanto, pela possível omissão das autoridades.

De acordo com reportagem da Folha de S.Paulo publicada no último sábado (19), dois comitês que integravam o Plano Nacional de Contingência para Incidentes de Poluição por Óleo em Água (PNC), instituído em 2013, foram extintos pelo governo em abril, quando dezenas de conselhos da administração federal tiveram as atividades encerradas, o que pode ter contribuído para o atraso no combate às manchas de óleo, que começaram a aparecer no final de agosto.

Na última quinta-feira (17), o Ministério Público Federal entrou com ação contra o governo federal por omissão diante do maior desastre ambiental no litoral brasileiro, pedindo que fosse ativado o plano de contingência em 24 horas. A decisão da Justiça Federal foi favorável à União, que disse que as medidas necessárias já haviam sido tomadas pelo governo, e convocou o MPF a informar quais outras ações deveriam ser implementadas.

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