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Projeto ensina inglês para crianças em situação de vulnerabilidade social

Um dos vídeos do projeto English For All convida professores de inglês para serem voluntários - Reprodução/English For All
Um dos vídeos do projeto English For All convida professores de inglês para serem voluntários Imagem: Reprodução/English For All

Helaine Martins

de Ecoa

06/10/2019 08h00

Aos 14 anos, a estudante Nicolle Beatriz Lievana sonha grande: quer se formar em Engenharia da Computação e criar uma máquina. Incomodada com as interações cada vez mais mediadas pelas redes sociais, quer a ajuda da tecnologia para humanizar a comunicação. "Hoje, as pessoas estão lado a lado e, mesmo assim, se falam por aplicativos. Quero criar algo que nos force a interagir quando estivermos próximos uns dos outros. Sei lá, talvez uma máquina que corte o wi-fi. Quero criar algo que transforme o mundo", aspira.

Nicolle começou a vislumbrar um futuro na área da tecnologia há três anos, quando se tornou aluna do projeto English For All (EFALL), que aposta no poder do ensino do idioma como ferramenta de inclusão.

A iniciativa, criada em 2004, partiu de um grupo de professoras de inglês que trabalharam em escolas de línguas estrangeiras e de ensino privado fundamental e médio, no estado de São Paulo. Os anos de experiência foram usados para aumentar o acesso e aprimorar a qualidade do ensino do inglês para crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social. Na prática, o curso gratuito significa maiores chances de inserção no mercado de trabalho, de aumento da autoestima, de realização de sonhos.

Para isso, o projeto se alia a organizações do terceiro setor que trabalham com educação complementar e realizam atividades no contraturno escolar.

Grupo de voluntários capacitados pelo English For All para dar aulas no projeto - Reprodução/Facebook
Grupo de voluntários capacitados pelo English For All para dar aulas no projeto
Imagem: Reprodução/Facebook

Teli Cardoso, coordenadora pedagógica do EFALL, explica que o projeto se responsabiliza pela capacitação e apoio oferecido aos professores, além de elaborar todo o material didático usado nos oito módulos.

Em contrapartida, a entidade parceira oferece o espaço, insere uma hora de aula semanal na grade de atividades, seleciona os professores voluntários e organiza grupos de 5 a 15 alunos. São crianças e jovens de famílias de baixa renda, com acesso a um ensino deficiente nas escolas públicas e que não se enxergam nos livros didáticos tradicionais de inglês.

"No EFALL nossa maior preocupação é dar a oportunidade de aprendizado a partir de um conteúdo que dialogue com a realidade deles", explica. "Na aula sobre árvore genealógica, por exemplo, não há como trabalhar com o modelo padrão dos livros didáticos com alunos vindos de famílias desestruturadas. Muitos nunca conheceram o pai", conta.

Aprendizado ampliado

O Recanto Gaetano e Carmela, unidade de educação da Associacao Santo Agostinho (Asa), no bairro da Saúde, zona sul de São Paulo, é uma das organizações que integram a rede de parceiros do EFALL. Foi lá que Nicolle descobriu que aprender inglês pode ser fácil e divertido. Nas aulas sobre nacionalidades e países, as atividades de jogos e dramatização despertaram o seu desejo de viajar pelo mundo. Quer conhecer a Inglaterra, Alemanha, China, Canadá e Groelândia.

Para se preparar, começou a assistir a mais seriados e ouvir músicas em inglês. Aos finais de semana, costuma buscar na internet as traduções e pronúncias das palavras que aprendeu. Tamanha dedicação resultou no aumento de rendimento na escola regular, não só em inglês como em todas as disciplinas. "O inglês abriu minha mente. Com o que tenho aprendido, me sinto cada vez mais preparada para realizar meus sonhos. A área de tecnologia da informação, por exemplo, exige um nível alto de inglês, mas eu não tenho mais medo de tentar", garante a estudante.

Atualmente, o Projeto English For All conta com dez organizações parceiras, 30 professores voluntários e cerca de 400 alunos atendidos.

Como ajudar Os interessados em se tornar ONG parceira ou professor voluntário, chamado de "volunteacher", podem se inscrever pelo site do projeto: https://www.projetoefall.com.br/

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