Há vida sobre trilhos

Um retrato da malha de trem e metrô paulista pelo olhar da equipe de reportagem de Ecoa

O transporte sobre trilhos é uma das formas mais sustentáveis de deslocamento em grandes cidades. Por ser público, colabora para a redução de trânsito nas vias urbanas. Em São Paulo, 8 milhões de pessoas transitam pelos 370,2 quilômetros da malha ferroviária.

Além disso, a emissão de CO2, um dos gases envolvidos no aumento da temperatura global, é menor do que a de veículos que dependem de combustíveis. Quando uma pessoa percorre cem quilômetros de trem ou metrô, vão para os ares, em média, 75 quilos do gás. Em viagens de ônibus pela mesma distância, a emissão é de cerca de 97 quilos e, de carro movido a gasolina, 174 quilos, segundo a calculadora da Iniciativa Verde.

Há outros fatores positivos: esse tipo de transporte também é mais rápido, pontual e evita o estresse de ficar parado em um mesmo lugar enquanto o farol à frente abre e fecha. Ok, não há nada de glamouroso no empurra-empurra dos horários de pico. Mas, para boas caçadoras de histórias como as pessoas que compõem a equipe de Ecoa, a vida sobre trilhos é um prato cheio.

Na manhã do dia 26 de agosto, seis de nós embarcamos em pontos diferentes da cidade rumo a um mesmo destino: a estação Sé, no coração da cidade, onde deveríamos nos encontrar às 12h. Escolhemos o roteiro segundo um critério nada estatístico: a memória. Cada repórter fez o trajeto com o qual tem um vínculo afetivo (positivo ou não) mais rico.

O resultado são histórias diferentes, mas com alguns detalhes em comum. No vai e vem, poucos estão presentes de corpo e alma. Os corpos se esbarram, amontoam às vezes, mas a atenção está voltada para outro lugar: a telinha dos celulares. O resultado dessa nossa viagem está a seguir.

Tudo conectado

Tony Marlon

Racionais MC's foi a primeira política pública que conectou as periferias da zona sul com o restante da cidade de São Paulo, no final da década de 1980. Anos depois, em 2002, chegou a segunda, a Linha 5-Lilás do metrô.

Na época, ela ligava o Capão Redondo ao Largo Treze, uma revolução na vida de milhares de pessoas que, até então, gastavam horas para chegar em Santo Amaro ou Pinheiros. A conexão com a Linha Esmeralda permitiu que ganhassem tempo no trajeto para o trabalho. Agora sobrava até algum pra a vida.

A Estação Adolfo Pinheiro brotou em 2014. Em setembro de 2017, vieram outras três, levando até o Brooklin. No ano passado, finalmente, as conexões com as linhas Azul e Verde. Isso muda tudo, você vai entender. Enfim, os trens das periferias sul estavam interligados ao sistema de transporte urbano da cidade. Realizado isso, agora só falta mesmo todo o resto para ser feito.

Eu embarco na Estação Campo Limpo. Ela que me carrega para aquilo que a cidade resolveu chamar de centro, sempre que preciso sair dos meus centros: o Campo Limpo, o Jardim Ângela, o Capão Redondo. É na fila para comprar o bilhete que um todo mundo, de todas nós, elabora a vida, repassa o que o dia pede para ser feito, imagina o fim de semana.

Era segunda-feira, quase 11 da manhã.

A Linha Lilás foi privatizada em agosto de 2018. Para quem navega por ela, isso quer dizer que deixou de ser a linha onde uma ou outra pessoa entra e canta. Onde uma ou outra pessoa entra e fala sobre a importância da palavra de deus - talvez, o único momento de cuidado e conforto no dia de muitas ali. Onde uma outra pessoa comercializa aquele fone tão necessário, já que hoje você esqueceu o seu.

Hoje, ela poderia ser qualquer outra. Até o bom dia para a informação que eu precisei foi padronizado.

Ainda assim, tem seus segredos. Quando se chega ao Brooklin, o sinal do celular pega bem rapidamente. Não é muito, mas o suficiente para continuar a conversa que começou lá em Santo Amaro. Dali em diante, os olhares miram nervosos para a tela na esperança de um sinal que nunca volta.

Entrou uma senhora com uma criança. Passo aqui, passo ali, espreme e aperta, alguém encontrou uma cadeira para ela se sentar. A voz veio lá do fundo: aqui, dona. Tem lugar. Ela: obrigada! Nem compensa tirar a mochila e a menina, eu desço na próxima.

As viagens são assim: uma parte das pessoas lendo, outra assistindo a séries no celular. Um moço que em plena segunda já tentava convencer uma moça a dar uma chance para ele na sexta. E um senhor de calça social, relógio de prata e camisa cáqui que pedia informações: "Não faço este caminho todo dia. Aí a gente fica parecendo formiga, só sabe voltar em cima do rastro que fez."

39 passos e para, escada rolante. Mais 137 passos e para, outra escada rolante. Mais 37. Outros 45, seguidos de mais 59. E, enfim, se chega ao metrô sentido Estação Tucuruvi, na Santa Cruz. Sabe quanto tempo eu demoro para isso? O tempo do último CD dos Racionais, Cores e Valores: 32 minutos. Viu, tudo conectado. Feito a zona sul está agora.

Uma linha de gigantes

Paula Rodrigues

A estação Portuguesa-Tietê, na Linha 1 - Azul, foi o primeiro chão paulista onde pisei, em 1998, acompanhada por meus pais. Vinte e quatro horas de estrada saindo de Palmas de Monte Alto, no sertão da Bahia, nos trouxeram para o maior terminal rodoviário da América Latina, na maior metrópole brasileira. Para uma criança de cinco anos nascida em uma cidade com então 20 mil pessoas a experiência fez tudo parecer grande e fora do lugar.

Naquele ano, foram inauguradas as últimas três estações da mesma linha: Parada Inglesa, Jardim São Paulo e Tucuruvi. Foi uma melhoria e tanto para quem circulava pela zona norte, região onde meus pais vivem até hoje. As outras 20 paradas que compõem esta que é a mais antiga linha do metrô paulistano foram entregues entre 1974 e 1978. Ao todo são 20,2 quilômetros de extensão, que, quando eu cheguei aqui, transportavam 1,1 milhão de pessoas diariamente (hoje são 1,4 milhão).

Para nós, porém, as coisas ainda pareciam bem difíceis. Embarcar no metrô significava rezar muito pedindo proteção. Estávamos sempre um tanto desorientados e tínhamos medo de passar especialmente por uma estação: a Carandiru, que era vizinha do presídio de mesmo nome.

A casa de detenção chegou a ser a maior da América Latina, com um contingente de 8 mil detentos no início dos anos 1990. Mesmo morando tão longe, costumávamos acompanhar os programas policialescos de televisão que, com frequência, noticiavam rebeliões, fugas e outros problemas no sistema penitenciário paulista.

Em 2002, o Carandiru foi demolido, dando lugar a uma escola, um parque e uma biblioteca.

Naquela manhã em que refiz o trajeto para esta reportagem, fiquei me perguntando quem mais naquele vagão olhava para fora e ainda conseguia ver homens balançando panos brancos pela janela de um presídio que não está mais lá.

Mas algumas coisas continuam iguais. Falando alto, uma mulher que acabara de embarcar, cheia de malas de viagem, me puxou de volta para a realidade. Estava indignada. "Por que não fazem logo um metrô que vai de um ponto para o outro, sem paradas?", dizia com um sotaque nordestino que eu conheço bem.

A dificuldade não parecia ser só dela. Um senhor embarcou na Luz, checou o painel onde está o mapa do metrô e, em seguida, veio até mim: "Essa passa no Paraíso?". Respondi que sim. Outro queria saber se era realmente necessário desembarcar daquela linha para chegar em São Miguel Paulista. E acabei perdendo a conta de quantas vezes vi alguém em dúvida sobre o que é esquerda e o que é direita, na tentativa de desembarcar na porta correta.

Saber aonde ir não era um problema. Já como chegar ao destino...

Eu já não me perco, mas, mesmo depois de tanto tempo morando em São Paulo, tudo aqui ainda me parece grande demais: o terminal, os prédios, as avenidas, as distâncias... Ao finalizar o trajeto, concluí: estar um pouco fora do lugar e perdida não é exclusividade de minha família.

Tem bebê grávido com mãe no colo

Rômulo Cabrera

A realidade de quem circula pelos trens paulistas tem um quê de magia, com cenas tão pitorescas que beiram o absurdo. Embarco no vai e vem entre Suzano, onde vivo, e a capital paulista quase diariamente desde, sei lá, 2008. Apesar do tempo de experiência e das dificuldades da jornada, ainda não deixei de me entreter (e me encantar) com o que vejo.

Utilizo a linha 11-Coral, uma das mais saturadas (são cerca de 652 mil passageiros transportados nos dias úteis), e também a segunda mais extensa do sistema, com 50,6 quilômetros. O deslocamento costuma durar, em média, 1h10, segundo os dados da Companhia Paulista de Trens (CPTM). Pela manhã, no entanto, sobretudo entre 5h e 8h, horário de maior fluxo, esse tempo chega a dobrar.

Nesses momentos, bailamos uma valsa desconjuntada, uma coreografia baseada em empurrões, algumas quedas e pisadas nos pés. É quase um conto de fadas ao contrário, em que não há sapatos de cristal — mas já perdi a conta de quantas sandálias desapareceram no vão entre o trem e a plataforma.

Com tanta gente junto, os vagões se transformam em espaços de disputa um tanto incoerentes. Afinal, sempre tem alguém que grita: "Pode entrar, gente, porque aqui é igual coração de mãe: sempre cabe mais um". Será?

Naquela segunda-feira foi diferente. Embarquei tarde, às 9 e uns quebrados. Não me surpreendeu, portanto, a disponibilidade de tantos assentos vazios. Com os poucos passageiros que ali estavam, mudos, vidrados em suas telinhas de celular, o ruído constante do trem pareceu um "silêncio" incomum.

Aquele ar quase fúnebre do vagão foi quebrado rapidamente por um marreteiro que vendia doces a um real. Ignorado pela clientela, não titubeou e entrou noutro carro, tentando a sorte com a oferta de pomadas massageadoras. Com mais de 12 milhões de desempregados, e o aumento no número de pessoas trabalhando na informalidade, os negócios no "shopping trem" tendem a ser reflexos tão dinâmicos e líquidos quanto os nossos tempos.

Por volta das 10h, o anúncio: "Próxima estação, Guaianases, desembarque pelo lado direito do trem" desencadeou uma sequência curiosa. Automaticamente, uma garota se levantou. Mal chegou à porta, veio um novo aviso: "Este trem prosseguirá viagem até o Terminal Luz". A moça, então, deu meia-volta.

Como ela, muita gente ainda se confunde nesse trecho da viagem. Afinal, descer e esperar outra composição foi o caminho natural das pessoas que rumavam para São Paulo até abril último. Desde então, os trens da linha 11 seguem de Mogi das Cruzes à Luz, na capital paulista, sem baldeação no caminho.

Dizem que a gente se acostuma fácil com as coisas boas, mas não é o que parece acontecer nos vagões da CPTM...

Receoso de me atrasar para o encontro com meus colegas, na Sé, saí de casa muito cedo. O relógio marcava 10h40, mais ou menos, quando cheguei à Luz. Sobrou tempo para comer um "podrão", o cachorro-quente vendido nos quiosques do terminal. Enquanto degustava aquela iguaria, lembrei do alerta em tom de piada que os passageiros costumam gritar para evitar que sejam pisoteados pela multidão: "Tem bebê grávido com mãe no colo".

Não ouvi ninguém dizendo isso naquele dia, mas ri sozinho. Fazer do caos uma comédia é uma arte que os paulistas dominam bem.

A micareta do trabalhador

Diana Carvalho

Quem já participou de um bloquinho de Carnaval sabe como é: um aglomerado de pessoas tentando ir para algum lugar sem conseguir sair de lugar nenhum. A Linha 3 - Vermelha, que vai da zona leste à oeste, é exatamente assim às 7h da manhã ou às 19h da noite. Mas, na "Micareta da Estação Sé", não tem abadá. O look do folião é um traje social, de trabalho. E o carro-elétrico mais esperado, adivinha? O vagão vazio.

Morei por muitos anos bem em frente à estação Cidade Patriarca, na ponta leste da linha. Minha família chegou ali muito antes do metrô. Meu avô tinha um restaurante, que depois repassou para meu pai. Durante as obras, minha mãe fornecia quentinhas para os operários.

No ano passado, a estação mudou de nome. Agora se chama Patriarca-Vila Ré, em referência ao bairro vizinho. Outras estações da vermelha também foram rebatizadas. Enquanto no lado leste temos Corinthians-Itaquera, no oeste, a Barra Funda virou Palmeiras - Barra Funda. A mudança ocorreu em 2006 após decisão do ex-governador de São Paulo, Cláudio Lembo, como uma homenagem ao clube paulista.

Por dia, circulam, entre uma extremidade e outra, 1,5 milhão de pessoas. São praticamente trinta vezes a lotação máxima de cada um dos estádios dos dois times. (No da torcida alvinegra cabem 49,2 mil pessoas e, no da verde e branca, 55 mil.)

Sou palmeirense, mas, nos últimos tempos, não tenho ligado muito para futebol. Agora moro no centro, perto da estação República, que conecta as linhas vermelha e amarela e de lá pra cá muita coisa mudou. Gosto, por exemplo, de flanar pelas ruas da cidade. Faço muitas coisas a pé e, quando preciso de transporte público, já não sofro mais como quando morava na Patriarca.

Aos 18 anos, tudo o que eu mais desejava era um carro. Para mim, ele seria a solução dos meus problemas. Ou de um só, que resumia todos os outros: a Linha 3 - Vermelha. Na época, eu acordava às 6h para conseguir chegar ao trabalho às 9h. Durante uma hora e pouco, até a estação Sé, ia amassada lembrando dos versos de O'Rappa: "Mas por aqui não tem jeito, todo mundo se encosta".

"Rodo Cotidiano" era a trilha sonora todas as manhãs. Na mochila, a marmita abafada. O empurra-empurra dentro do vagão enquanto a minhoca de metal atravessava a cidade. Hoje dou risada, mas era tenso quando uma mulher prendia a bolsa na porta do Brás.

Aquela estação era um perrengue especial. Os vagões ficavam tão cheios que não era raro ver alguém sair pela outra porta empurrado pela multidão, sem a menor intenção de descer.

Na segunda em que refiz o percurso para esta reportagem, nada disso aconteceu. Não era hora de pico. Às 11h, tudo é muito tranquilo. O vagão estava vazio e as pessoas pareciam até animadas, apesar da segunda-feira. A maioria, claro, estava vendo a vida passar pela tela do celular.

Mas flagrei exceções. Um ousado senhor lia — veja só — o caderno de Cultura de um jornal! Cheguei a ficar emocionada. Tive o mesmo sentimento por uma senhora com seu caça-palavras. Sério, eu achei que só se comprava isso na rodoviária em véspera de feriado prolongado.

O vagão ficou um pouco mais cheio na Estação Tatuapé, mas não houve um empurrão sequer no Brás. Foi uma viagem rápida e tranquila. Nesse horário o transporte público é como deveria sempre ser: útil e com condições dignas. Ah, Linha Vermelha... se fosse assim todos os dias e em todos os horários, você teria o meu coração folião.

O caminho que nunca fiz

Bárbara Forte

Entrei no trem às 9h13. Cadê os livros que estavam aqui? Cadê as conversas, os barulhos, os sorrisos que antes eu vi?

Todo mundo no seu mundo! Os olhares não desgrudam do celular, os fones de ouvido transportam dezenas, centenas, milhares de pessoas a outros lugares. Mas todos estávamos ali, nos trilhos da Linha 2-Verde do metrô paulistano.

Naquela manhã, revivi um trajeto que nunca fiz. Soa estranho, mas vou explicar: eu, que a infância inteira estudei no bairro onde nasci, em Santana, me matriculei na Universidade Metodista de São Paulo, em outro município, São Bernardo do Campo.

Os quinze minutos a pé de antigamente se transformaram em duas horas divididas em três tipos diferentes de transporte: caminhadas, metrô e ônibus. No total, vinte quilômetros compunham o trajeto.

Haja paciência!

Mas não dá para dizer que o percurso era entediante: ônibus, metrô, expresso Tiradentes, ônibus de novo, travessia de passarela... Ufa, cheguei!

Era 2007 e o governo havia começado as obras da estação Sacomã, que facilitaria meu percurso. Depois seria só pegar um ônibus. Dez minutos e eu desembarcaria na Rodovia Anchieta, bem atrás da universidade. Com o novo terminal, eu encurtaria minha jornada em quase uma hora. Um alento!

O primeiro ano passou. "Calma, agora a estação sai", minha mãe dizia. Eu voltava para o meu trajeto — bem dinâmico, diria. No longo caminho, apreciava a paisagem, estudava, batia papo quando encontrava algum colega de classe e até dormia. Li praticamente todas as obras indicadas pelos professores.

Conheci motoristas, cobradores, a senhora que vendia café quentinho em frente ao terminal Dom Pedro II. Além do seu Enéas, dono da barraquinha de cachorro quente em frente à faculdade. Dava tempo de fazer tudo isso, afinal, os smartphones e a banda larga eram outra promessa futurista.

Sacomã foi finalmente inaugurada em janeiro de 2010, menos de dois meses depois do prometido no início das obras. Acostumada ao trajeto dos três anos anteriores, nem mudei minha rotina. Nem sequer tentei.

A estação que facilitaria minha vida estudantil demorou muito para ser inaugurada, eu sei. Mas, ao unir a nova experiência à bagagem de outrora, encerro a história do caminho que nunca fiz.

Um luxo de linha

Giuliana Bergamo

"Eu adoro a linha amarela. Nos dias de rodízio, vou do Morumbi à Oscar Freire em um pulinho", disse Armenio Pereira da Fonseca, 70, enquanto, com cervejinhas nas mãos, observávamos as crianças brincarem na piscina. Era um domingão de sol e estávamos ali, em um sítio no interior de São Paulo, para comemorar o aniversário da neta dele, amiguinha do meu filho.

A menção aos endereços que dão nome às estações, aqui, tem muito valor. A linha amarela percorre os metros quadrados mais caros da cidade. O preço chega a R$ 21 mil nas proximidades da estação Oscar Freire, segundo o Secovi-SP (Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação e Administração de Imóveis Residenciais e Comerciais de São Paulo).

Para nós, moradores da nobre região central da cidade, transporte é uma questão de escolha. Como deveria ser para todo mundo.

Eu, por exemplo, decidi vender meu carro há quatro anos. Desde então, nego o sedentarismo absoluto fazendo alguns percursos a pé ou de bicicleta. Também pego caronas, peço motoristas por aplicativos e, sempre que possível, vou de trem (sou vizinha de uma estação) ou metrô.

Ônibus eu prefiro não usar. Quando adolescente, não escapei da estatística e fui vítima de assédios e assalto. Desde então, resolvi evitar este meio de transporte. E isso não compromete minha rotina.

Da linha amarela, eu poderia ter guardado algum trauma também. Afinal de contas, vivi de perto o dia 12 de janeiro de 2007, quando as obras da estação Pinheiros desabaram abrindo uma cratera à beira da Marginal Pinheiros.

Sete pessoas - transeuntes, moradores do bairro e operários da obra - morreram.

Das janelas do prédio da Editora Abril, onde eu trabalhava, meus colegas assistiram a um caminhão ser tragado pelo buraco. Eu estava fora, em um almoço, mas amarguei a tarde aflita. Afinal meu namorado permanecera lá dentro, preso no fechamento da revista semanal em que trabalhava.

Lembro do acidente quase todos os dias, enquanto transito entre a Linha 9 - Esmeralda da CPTM e a Amarela, em Pinheiros. Confesso que sinto um tiquinho de medo à medida em que desço as escadas rumo à plataforma, a 31 metros de profundidade em relação ao nível da rua. Mas logo passa.

Tudo passa bem rápido por ali, aliás. A espera por trens não chega a dois minutos nos horários de pico, a mais rápida da malha do metrô. De ponta a ponta, a linha tem 11,3 quilômetros que são percorridos em um período de, em média, 18 minutos.

Eu, que diariamente vou da Pinheiros à República, não levo mais do que 15 minutos sentada. É pouco tempo, mas opto gastar de um jeito bom: lendo. O celular eu prefiro não usar. Sabe como é, questão de escolha.

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