Alto-falante

Maiores favelas do Brasil se organizam contra Covid-19, pedem ações do estado e empatia de quem vê de fora

Debora Komukai Colaboração para Ecoa, em São Paulo Ricardo Moraes/Reuters

Na zona sul da cidade mais rica do país, a orientação não vem da manchete do jornal, mas de um carro de som que passeia pelas ruas de Heliópolis espalhando dicas de prevenção. São duas vinhetas elaboradas por moradores: uma geral e outra voltada para os mais jovens. "Não vá para a festa", "não use o mesmo copo ou o mesmo bico do narguilé" e "fique em casa para não prejudicar a vida de seus avós" são algumas das recomendações.

Onde a urbanização não chegou como deveria, o senso comunitário é a chave mais potente. São cartazes, dicas de prevenção via WhatsApp, arrecadações de cestas básicas, orações para quem está aflito, gabinetes de crise, cozinhas coletivas, presidentes de ruas.

Em dez grandes bairros favelizados brasileiros, soluções para enfrentar a pandemia do coronavírus são criadas, diante da ausência de ações efetivas do estado e de um diálogo difícil com quem olha de fora. Tão fundamental quanto ficar em casa é ter alternativas que possibilitem a quarentena. O efeito mais visível por enquanto é a falta de dinheiro, mas boa parte dos moradores parece consciente do drama de saúde pública que se aproxima: segundo uma pesquisa divulgada nesta semana, 96% creem na eficácia do isolamento.

Ecoa conversou com lideranças do G10 das Favelas, grupo que inclui comunidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Distrito Federal, São Luís, Belém, Belo Horizonte, Recife e Manaus. Elas contam quais ações locais têm feito a diferença e o que reivindicam do Estado com urgência, a fim de conter a proliferação da doença.

Gestão de crise

Rocinha (RJ) tem conscientização no comércio, cancelamento de eventos e entrega de compras

"Eu sou nascido e criado aqui. Toda a minha família, todos os meus amigos estão na Rocinha. Todo o meu convívio é aqui.

Então, acima de ser ativista social, a minha atuação principal aqui é ser morador.

A questão geográfica no Brasil é complexa, aqui ainda mais. São casas em cima de casas, e muitas pessoas moram em situações desumanas e precárias.

Uma coisa é um empresário de boa condição colocar sua família em um quarto, o infectado em outro. Difícil é o seu José, que mora em um barraco com dez pessoas, onde cai mais água dentro do que fora quando chove, seguir as instruções, estando desempregado e com os filhos fora da escola, entendeu? Como um cidadão desse vai combater um coronavírus?

A gente vem buscando conscientizar a população do papel dela, porque se ela não sabe qual é, bem, aí não adianta ficar julgando..."

Todos os eventos da comunidade foram cancelados, temos feito divulgações para que comerciantes se conscientizem. Estamos tentando conseguir kits de higiene, criamos grupos no WhatsApp para informar e temos um grupo que leva compras nas casas para que as pessoas não precisem sair. Aqui a gente tem gerência.

Rogério-Santana/Divulgação

Rocinha (RJ)

William Oliveira

Morador e ativista

Onde fica

Na zona sul do Rio, a Rocinha tem cerca de 100 mil habitantes.

Ações locais

Arrecadação e distribuição de cestas básicas e kits de higiene, canal informativo no WhatsApp, ação orquestrada de cancelamento de eventos públicos.

Como ajudar

esolidar.com/apoie-rocinha-rj

Yasuyoshi Chiba/AFP Yasuyoshi Chiba/AFP

Palafita, feira e oração

Em Belém, onde mais de 50% vivem em favelas, Baixadas da Estrada Nova Jurunas (PA) tem reza e doações

"A gente mora em uma beira do rio, com uma vala a céu aberto que se tornou esgoto dividindo a rua. Nos dois lados dela há trabalhadores autônomos vendendo artigos.

São mais de 60 mil habitantes e você tem uma feira sem condições sanitárias.

No hospital da região, precisamos de um programa de leitos e UTI. A UBS (Unidade Básica de Saúde) é micro. Quando chove fica tudo alagado. Não tem a mínima estrutura de leito para pessoas com problemas respiratórios. A casa da maioria é tudo palafita. Não tem para onde descer mais, está me entendendo?

Precisamos, para ontem, modificar as condições dos feirantes. Abastecimento de alimento, lavagem de materiais, os produtos precisam ter um lugar melhor para higienização. E tem de haver políticas públicas. Aqui a mudança nem começa. A vala continua com lixo e ninguém faz nada. Daí quando alguém ficar doente, nem precisa ser de coronavírus, vai para o hospital e não tem leito.

Para amenizar a situação, estamos arrecadando cestas básicas. Também realizamos rezas para famílias e pessoas que estão mais desesperadas e depressivas. Aqui também precisamos ter o lado pessoal e espiritual fortalecido, porque o desemprego sempre foi grande."

Arquivo Pessoal

Baixadas da Estrada Nova Jurunas (PA)

Renato Rosas

Músico e ativista na Baixadas da Estrada Nova Jurunas

Onde fica

Na zona sul de Belém, o complexo de comunidades tem 60 mil moradores e fica na beira do rio Guamá, em uma capital com 66% das moradias classificadas como aglomerados subnormais.

Ações locais

Arrecadação de alimentos, diálogos em asilos e ao redor da comunidade.

Como ajudar

Comitê Jurunas Urgente (91 98130-0276).

Comércio e povo fortes

Segunda maior favela paulistana, Paraisópolis (SP) exporta modelo para outras capitais

"Como não há comunicação específica para as favelas, estamos buscando alternativas.

As pessoas estão achando que é uma gripe simples, porque é o que foi dito no início. A circulação contínua. Então estamos colocando carro de som para falar com a população, pedir que fique em casa. Só que as casas em sua maioria não têm ventilação e há milhares morando em cima de córrego que há mais de dez anos prometeram canalizar.

Para melhorar a situação, eu acredito em três pontos de atenção: área social, de saúde e econômica. No social, 60% da população que trabalha em Paraisópolis é formada por diaristas, empregadas domésticas, porteiros, motoristas de aplicativos. Essas pessoas vão precisar de uma renda nesse período. Na saúde, precisamos de unidades móveis nas favelas como opção rápida. Já na economia, que o governo ajude empreendedores locais. Quem tem me ligado falando que quer doar cesta básica, eu digo que aceito ajuda, mas incentivo a comprar aqui no nosso comércio. Isso é importante para que a nossa economia não acabe."

Você tem política que fala em salvar bancos, varejos, grandes empresas. Mas não existe uma política que fala em salvar empreendedores de favelas nesse país. A gente não quer um apoio que fique restrito a Paraisópolis, mas para todas as favelas do Brasil.

Alexandre Battibugli/Divulgação

Paraisópolis (SP)

Gilson Rodrigues

Presidente da União de Moradores e Comerciantes de Paraisópolis.

Onde fica

Na zona sul da capital paulista, tem mais de 100 mil habitantes, com 42% das casas chefiadas por mulheres e 87% sustentadas com até três salários mínimos.

Ações locais

A Associação dos Moradores de Paraisópolis criou cargos de Presidente da Rua. São 420 voluntários que zelam por 50 casas cada, distribuindo cestas básicas, fazendo treinamentos de primeiros socorros e compartilhando informações seguras.

Como ajudar

vakinha.com.br/empreendedoras-de-paraisopolis

Tuca Vieira/Folhapress Tuca Vieira/Folhapress
Arte UOL Arte UOL

Gabinete e funk

No Complexo do Alemão (RJ), grupo comunica, faz música e sugere exemplo ao governo

"O ritmo é louco. Pra mim, pro Brasil, pro mundo. Mas principalmente para as favelas.

Toda hora o governo diz: 'a gente não pode, a gente não tem o suficiente'. Então que eles peguem o que têm, equacionem e gerem — como a gente faz aqui.

O que falta são ações concretas. Geração de insumos para a saúde, kit com detergente, água sanitária, sabão bactericida, álcool 70. É isso o que se espera. A base do combate a esse vírus é a limpeza, o uso de água com sabonete ou detergente. Se isso é inexistente em muitos territórios, me diz como é que exigem que essa população faça o combate? Precisamos de clareza.

No momento, todas as favelas do Rio têm distribuição de água insuficiente para salvaguardar o mínimo de higiene exigido diante do coronavírus. Os reservatórios não estão sendo usados de forma eficiente, então é necessário providenciar com extrema urgência essa distribuição.

Diversos coletivos se unem aqui formando o Juntos pelo Complexo. É por meio dele que colocamos faixas nas principais vias de acesso, com recomendações para a população lavar as mãos com frequência ou doar água a quem não tem. Até mesmo um funk educativo foi criado pelo MC Willian da Canitá e pelo DJ Marlon."

Divulgação

Complexo do Alemão (RJ)

Reginaldo Lima

Empreendedor e líder comunitário.

Onde fica

São 60 mil moradores nas 15 favelas do conjunto que fica entre Ramos e Inhaúma, zona norte do Rio.

Ações locais

O Gabinete de Crise, espaço de diálogo e criação de soluções segundo a realidade da comunidade, tem feito cartazes, dado recados na rádio e em carros de som. A urgência é arrecadar dinheiro para comprar alimentos. A população também se une em projetos como Voz das Comunidades, Coletivo Papo Reto, Solta Voz Morador, Educap, Ocupa Alemão e Instituto Raízes em Movimento.

Como ajudar

esolidar.com/apoie-morro-do-alemao

Fabio Teixeira/picture alliance via Getty Image Fabio Teixeira/picture alliance via Getty Image

Quem move o país

No Sol Nascente, em Ceilândia (DF), alto-falantes na rua e jovens rebatem mensagem do presidente

"Nosso trabalho braçal é o que faz com que as coisas funcionem lá em cima. É o trabalho da diarista, da caixa do mercadinho, do rapaz do restaurante.

Isso é o que move o Brasil.

O que mais preocupa é a falta de alimentos. Nós precisamos sair de casa para ganhar dinheiro. As pessoas estão com necessidades fundamentais.

Temos que ter transporte entrando na comunidade para evitar aglomeração. Aqui não temos ônibus direto para o Plano Piloto, ou seja, a maioria tem que andar quatro quilômetros para pegar ônibus para trabalhar em Brasília. Os mais velhos precisam ser mais assistidos. As crianças estão ansiosas em casa. Aqui são barracos, casas pequenas com muita gente no mesmo cômodo."

Colocamos carro de som na rua pedindo para quem tem mais de 60 anos ficar em casa. Os jovens de diversas igrejas estão se desdobrando para ajudar quem precisa. Mas depois do pronunciamento do presidente, muita gente está na rua. Pior: reclamando que a gente tem feito o trabalho de falar de quarentena sem necessidade.

Arquivo Pessoal

Sol Nascente (DF)

Margarida Minervina

Fundadora da Associação Despertar Sabedoria

Onde fica

O Setor Habitacional Sol Nascente fica a 35 km de Brasília, em Ceilândia, e tem 100 mil habitantes.

Ações locais

Carros de som com mensagens, arrecadação de cestas básicas.

Como ajudar

facebook.com/associacaodes

Lalo de Almeida/Lalo de Almeida Lalo de Almeida/Lalo de Almeida

Toda vida importa

Em Heliópolis (SP), a preocupação é não deixar cair a imunidade da população

"O Brasil tinha saído do mapa da fome. E nós não queremos voltar para lá.

Aqui temos crianças que comiam na escola ou em projetos que agora pararam. Essa é a nossa preocupação. Nesse primeiro momento, conseguimos arrecadar 1.500 cestas básicas. Vamos utilizar 50 pontos ao redor da comunidade para não gerar aglomeração na entrega. Estamos olhando para as famílias que mais precisam, porque aqui tem muita gente vulnerável. Mas sabemos que essas são apenas medidas paliativas.

Nesse momento, temos dois pilares de atuação. O primeiro articula os parceiros e a sociedade civil para arrecadar cestas básicas, incluindo kits de higiene e limpeza. A preocupação é não deixar cair a imunidade: as pessoas terem alimentação para não ficar mais vulneráveis. O segundo é a divulgação. Temos ido para as ruas com carro de som. São duas vinhetas: uma geral e uma especialmente direcionada para o jovem: para que ele não vá para a festa, não utilize o mesmo copo, o mesmo bico do narguilé, fique dentro de casa para não prejudicar a vida de avós e dos mais vulneráveis. Temos ainda faixas e cartazes criados pelos próprios jovens. É uma luta diária que depende que as pessoas se engajem."

A gente está conversando com todos por aqui. Toda vida para gente aqui é importante: a vida do idoso, da criança, do jovem.

Comunicação/UNAS

Heliópolis (SP)

Cleide Alves

Presidente da UNAS

Raio-X

Calcula-se que 220 mil pessoas morem no bairro na zona sul da cidade. Uma média de 60% da população está no mercado informal de trabalho.

Em movimento

Carro de som informativo e arrecadação de alimentos, brinquedos e produtos de higiene. Com a campanha "Quem tem fome, tem pressa", a União de Núcleos, Associações dos Moradores de Heliópolis e Região (UNAS) pede verba para cestas básicas.

Como ajudar

benfeitoria.com/HELIPA

Rubens Chaves/Folhapress Rubens Chaves/Folhapress

A Covid-19 nas favelas

Apesar de o contágio ter despontado em áreas ricas das capitais, até 1º de abril diversas favelas no Rio já tinham casos confirmados pela administração municipal. Entre elas estão Vidigal, Mangueira e Cidade de Deus. Em Salvador, notificações de coronavírus começaram a aparecer no fim de março em bairros pobres da cidade, como Cajazeiras e Caixa D'Água, bem como no Candeal. A falta de testes, a incidência irregular na busca por atendimento, bem como a desconsideração das favelas enquanto bairros — e a sua consequente inclusão em contagens de regiões vizinhas — são fatores que nublam a visualização dos casos nas comunidades. A hashtag #Covid19NasFavelas foi criada para falar do tema nas redes sociais. Em Ecoa, uma lista de doações em constante atualização abrange outras favelas do país.

WhatsApp e sabonetes

Em São Luís (MA), Coroadinho tem comitê e maioria de doações na própria comunidade

"O canal de comunicação aqui é a rede social.

Eu vejo uma grande massa nas redes, mas não vejo ninguém batendo nas casas perguntando o que estamos precisando. Não vejo uma visita domiciliar da prefeitura, nem mesmo de agentes de saúde. A nossa associação pode ajudar muito o poder público, porque tem áreas em que ele não entra, já que há a questão das facções.

Estamos mantendo um canal com os pais para acompanhar as crianças. Vamos organizar vídeos com aulas. É importante fazê-las entender o que está acontecendo, porque elas se formam agentes dentro da própria casa cobrando os pais.

Temos também o comitê do Coroadinho sem Corona no WhatsApp. Fazemos vídeos para que as pessoas se conscientizem ficando em casa. Mas sabemos que é difícil. A maioria trabalha de manhã para comer de tarde. É difícil ficar em casa e ver as coisas acabando. Por conta disso, por meio do do comitê compartilhamos alimentos.

E, por incrível que pareça, eles estão vindo da própria comunidade. A gente divide pacote de arroz, sabão e por aí vai."

Organizamos o nosso comitê baseado em Paraisópolis. Cada voluntário cuida de 25 famílias para informar e conversar. A tecnologia está ajudando demais. Muitas vezes o morador não sabe ler, mas ouve o nosso áudio e pronto.

Arquivo Pessoal

Coroadinho (MA)

Christiane Teixeira

Professora, líder comunitária e presidente da Associação Núcleo de Educação Comunitária de Coroadinho.

Onde fica

Na região sul de São Luís, tem cerca de 58 mil habitantes.

Ações locais

Com o comitê Coroadinho sem Corona, voluntários informam a população, arrecadam alimentos e se revezam fazendo sabonetes.

Como ajudar

esolidar.com/apoie-coroadinho

Em casa, com comida

Em Rio das Pedras (RJ), articulador pede ajuda para necessidades básicas dos moradores

"Ontem eu estava andando na favela e ouvi muitos relatos de pessoas que não têm o que comer. Algumas me disseram 'eu comi o último pão que tinha com os meus filhos'.

As pessoas estão sem gás, com o aluguel vencendo. Está um tremendo desespero. Estava tendo um toque de recolher há uns três dias e agora parou, porque muitos estão vendo a necessidade de o povo ir para a rua tentar vender algo.

Ontem eu fiquei muito emocionado em ver o relato das pessoas. Com as mãos atadas, eu não sei o que fazer. Eu faço esse apelo para ver se conseguimos arrecadar ao menos as necessidades básicas dessas pessoas que são muitas.

Temos que conscientizar o morador a ficar em casa, mas também temos que oferecer comida para que ele possa ter uma quarentena. Essa é a solução."

Arquivo Pessoal

Rio das Pedras (RJ)

Jefferson Timoteo

Articulador e empreendedor.

Onde fica

Situada na zona oeste da capital fluminense, em Jacarepaguá, Rio das Pedras é reconhecida como a terceira maior favela da cidade, com mais de 55 mil moradores. Sua ocupação começou nos anos 1970.

Como ajudar

Contatar a liderança por e-mail.

Ricardo Moraes/Reuters Ricardo Moraes/Reuters

Não julgue a favela

Em Aglomerado da Serra (BH), maior favela mineira, líder arrecada alimentos e dinheiro para aluguéis

"Algumas pessoas não estão seguindo as regras, mas por questão de sobrevivência mesmo. Não podemos julgar porque essas pessoas não têm mesmo o que fazer.

É tipo uma caça, e você não pode esperar cair do céu.

Para montar a cesta básica, fazíamos eventos com música ao vivo e com artistas voluntários. Mas, agora, nem isso dá. Tem muito pedido: produtos de higiene, leite. Como os presídios não estão recebendo visitas, o pessoal pede ajuda com comunicação e comida.

Por isso, a nossa primeira preocupação é levar comida para que as famílias não saiam de casa. Estou seguindo o modelo de Paraisópolis. A gente tem oito vilas, então montei grupos de lideranças e cada líder cria um time na sua vila. A gente conseguiu montar um cadastro pelo WhatsApp. Além da ação da cesta básica, colocamos uma moto com som para ficar rodando com informações de conscientização."

Já apareceram cinco famílias com pessoas infectadas na favela. Levo alimentos para elas. Tem uma família que está com o aluguel para vencer, todas as pessoas sem trabalhar no momento, então vamos fazer uma vaquinha. Outra demanda são os idosos: estamos planejando mandar comida pronta para os que não têm quem cuide.

Arquivo Pessoal

Aglomerado da Serra (BH)

Cristine Pereira

Presidente da Associação Comunitária de Moradores da Vila Santana do Cafezal.

Onde fica

Maior favela de Minas Gerais, com cerca de 120 mil pessoas, fica na zona sul da capital.

Ações locais

Estruturação de voluntários, carro de som, arrecadação de alimentos e dinheiro para demandas urgentes de quem está mais vulnerável.

Como ajudar

esolidar.com/aglomerado-da-serra

Renda para conseguir parar

  • O que é

    Pleiteada por economistas, movimentos sociais e lideranças políticas, uma renda emergencial para enfrentar o período foi aprovada e visa abranger as populações mais pobres do país.

  • Qual é o valor

    O auxílio estabelecido é de R$ 600 para trabalhadores informais e de R$ 1.200 para mães responsáveis pelo sustento da família.

  • Quem pode receber

    Trabalhadores sem carteira assinada, autônomos ou em contrato intermitente que possuam renda familiar mensal por pessoa de até meio salário mínimo, ou renda familiar mensal total de até três salários mínimos.

  • Por quanto tempo

    Três meses.

  • Quando começa

    O prazo anunciado pelo governo para início dos pagamentos é 16 de abril.

    Leia mais
  • Quem apoia

    Acerca da importância da medida, a economista Monica de Bolle disse a Ecoa. "A gente ainda não sabe que tipo de reorganização econômica sai dessa pandemia. Portanto, a gente está falando de prazos muito longos e de necessidades de uma população muito vulnerável por muito tempo".

A comunidade é o mundo

Em Casa Amarela, Recife (PE), advogado relata inquietação e atuação de ONGs

"As pessoas estão bem apreensivas.

Como toda comunidade, tem casas em que já se tem alvenaria, mas há muitas ainda com dez pessoas divididas em dois cômodos, por exemplo. Existe também uma apreensão com a demora do governo em oferecer respostas para questões trabalhistas. Tem o medo do vírus, de não ter como se defender adequadamente, e tem o medo da fome e de não sobreviver.

Existem diversas ONGs trabalhando em Casa Amarela, mas o que mais precisamos é de distribuição de itens de higiene, ampliação de pontos de atendimento médico e suporte na alimentação.

A Casa Amarela reúne várias comunidades em um complexo. Como é muito grande, somos divididos em sub-distritos. Ela é tão gigante que no passado já quiseram transformá-la em uma cidade. É chamada aqui em Pernambuco de nação. É uma grande cidade, um mundo."

Arquivo Pessoal

Casa Amarela (PE)

Marcos Almeida

Articulista do G10 das Favelas e advogado trabalhista no complexo de Casa Amarela.

Onde fica

Segundo o último censo, o bairro tem cerca de 30 mil moradores.

Ações locais

Entre em contato por e-mail.

Sergio Moraes/Reuters Sergio Moraes/Reuters
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