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Tony Marlon

Como comparar propostas sem debates na TV?

Tony Marlon

Formado em jornalismo pela Universidade Santo Amaro ? UNISA, Tony se reconhece antes como educador, feito todo mundo é. A partir do Campo Limpo, periferia da zona sul de São Paulo, trabalha por uma comunicação que mova positivamente corações, discursos, espaços e relações. Acredita que "Dislexicando" é a coisa mais bonita do mundo e quer o primeiro parágrafo de "O Livro dos Títulos" em sua lápide, lá no futuro. Anda falando por aí: "Não fosse o Sarau do Binho, até hoje eu não saberia que poeta é alguém que solta pipa na laje". É autor do podcast https://paisagemsonora.com

14/10/2020 10h25

Uma a uma, algumas das principais emissoras de TV aberta do país cancelaram seus debates para a prefeitura de São Paulo. Apenas a Band, que tradicionalmente abre o calendário eleitoral, promoveu seu encontro até aqui.

Se é no município que a nossa vida realmente acontece, como dizem, conseguimos como nação um feito inédito. Mais um, aliás: em meio ao maior desafio de saúde pública das últimas décadas, uma das maiores cidades do mundo simplesmente não terá como conversar sobre o seu futuro futuro coletivo. E sobre como sair do que virá depois, porque virá.

E se tem um momento da história em que estamos precisando sentar para conversar sobre o nosso futuro coletivo é agora. Não sei se você concorda.

Restarão: uma propaganda eleitoral gratuita que te empurra candidatos e candidatas como produtos numa prateleira de supermercado.

Um punhado de programas de governo que são difíceis de encontrar, difíceis de ler e mais ainda difíceis de acreditar que serão realizados.

E tem as redes sociais que dispensam maiores reflexões sobre o que meia dúzia de robôs e um punhado de dinheiro seguem fazendo com a saúde da nossa democracia. Ou, com o que sobrou dela.

Obviamente, os grupos de comunicação precisam criar condições seguras de trabalho para seus funcionários e funcionárias. Não é sobre criar risco para eles e elas, você sabe bem. Vida, sempre, em primeiro lugar, sempre. Aliás, se puder, ainda fique em casa. Não parece, mas não acabou.

Mas será que vamos ficar dependendo de jingle ruim e frases de efeito que não dizem nada para decidir onde amarraremos os burros da nossa esperança em novembro? É isso mesmo, nenhuma boa ideia que envolva computador, um aplicativo, tripé de dez reais e contar suas ideias em horário nobre pra todo mundo a partir de casa, que seja?

Candidatos, candidatas: a quem de vocês interessa não dialogar publicamente sobre suas ideias? Ou, continuar conversando apenas com suas bolhas na internet? Ou, realizar entrevistas declaratórias, sem nenhum tipo de questionamento sincero?

Emissoras de rádio e TV são concessões públicas. Por mais que haja ali na sua emissora preferida um dono, e dezenas de outras pessoas que mandam até no parafuso que segura a câmera, ainda assim, todo e qualquer canal de sinal aberto pertence ao Estado brasileiro.

Ele apenas é concedido às emissoras por um tempo, por meio de processos de licitação. Em última instância: o sinal é de todos e todas nós, e quando mais precisamos de um retorno público, ao que parece, não teremos. Entendeu a contradição?

Na esperança que alguma coisa mude deixo uma dica, mesmo não sendo ninguém na fila do pão: debate que começa quase 11 da noite não é acessível para quem mais precisa das ideias e planos que serão falados ali. Quem mais precisa das ideias e planos falados ali acorda cedo demais para ir dormir faltando 15 minutos para começar tudo de novo.