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Tony Marlon


Tony Marlon

Grupo usa Whatsapp para apoiar trabalhadoras domésticas contra covid

Observatória dos Direitos e Cidadania da Mulher
Imagem: Observatória dos Direitos e Cidadania da Mulher
Tony Marlon

Formado em jornalismo pela Universidade Santo Amaro ? UNISA, Tony se reconhece antes como educador, feito todo mundo é. A partir do Campo Limpo, periferia da zona sul de São Paulo, trabalha por uma comunicação que mova positivamente corações, discursos, espaços e relações. Acredita que "Dislexicando" é a coisa mais bonita do mundo e quer o primeiro parágrafo de "O Livro dos Títulos" em sua lápide, lá no futuro. Anda falando por aí: "Não fosse o Sarau do Binho, até hoje eu não saberia que poeta é alguém que solta pipa na laje". É autor do podcast https://paisagemsonora.com

26/06/2020 04h00

É pelo Whatsapp que trabalhadoras domésticas da Grande São Paulo têm recebido informações sobre direitos trabalhistas e como se prevenir contra o novo coronavírus. Um estudo da InternetLab mostrou que ao aplicativo é usado durante o serviço por 85% das entrevistadas.

Batizado de Zap Zap das Domésticas, o projeto nasceu da Observatória dos Direitos e Cidadania da Mulher em 2018, mas por conta da pandemia, acaba de ganhar uma nova temporada, com apoio da Purpose, trazendo conteúdos inéditos sobre a covid-19 e seus efeitos na vida pessoal e no ambiente de trabalho da categoria.

Assista os vídeos que foram encaminhados na primeira temporada clicando aqui.

O Brasil é o país com mais empregadas domésticas em todo o mundo, são mais de 6 milhões de trabalhadores, sendo 92% deste grupo composto por mulheres. A grande maioria, 63%, são negras. Para se ter uma ideia, 14,6% das mulheres que hoje exercem atividades remuneradas no Brasil estão no trabalho doméstico.

Nos dois primeiros meses da pandemia no Brasil, 39% das famílias dispensaram diaristas e não mantiveram o pagamento dessas trabalhadoras, segundo pesquisa do Instituto Locomotiva. Uma grande parte das profissionais seguiu trabalhando normalmente, viajando longas distâncias e enfrentando as lotações do transporte público, que não diminuíram durante a crise de saúde.

E é por conta deste cenário, me explicou a advogada Mariana Fidelis, uma das criadoras do projeto, que elas decidiram reativar o canal de conversa direta com as trabalhadoras, numa tentativa de não apenas explicar questões práticas de cuidado com a saúde, mas conversar sobre direitos que podem estar sendo negados no momento crítico que o país se encontra.

"Como vemos nas notícias que têm circulado em diversos veículos são inúmeras as denúncias que escancaram e intensificam diversas vulnerabilidades do trabalho doméstico no Brasil", explica a advogada, que conta que existe também questões emocionais e afetivas, uma camada de luto na categoria, que precisa ser olhado e cuidado coletivamente, citando a morte de Miguel Otávio, 5 anos. Miguel caiu de um prédio no centro do Recife, no dia 2 de junho. Sua mãe, Mirtes Renata Santana de Souza, trabalhadora doméstica, deixou o filho aos cuidados da patroa por alguns minutos.

Mariana me explicou que "o conteúdo dessa nova temporada tem este recorte covid-19 e, além dos direitos trabalhistas, também fala sobre direitos sociais, como saneamento básico, acesso a água, a saúde e segurança no ambiente do trabalho". Na quarta, 24, o Zap Zap das Domésticas falou sobre a rotineira falta de água nas periferias, trazendo dicas práticas sobre como se precaver.

As mensagens são enviadas semanalmente para quem é cadastrada, e os conteúdos são feitos de maneira que podem ser, facilmente, compartilhados em outros grupos. A ideia é viralizar as informações. Vídeos, em especial animações, e áudios e fotomontagens são as principais formas de trazer as informações.

Para receber conteúdos do Zap Zap das Domésticas clique em http://bit.ly/zapzapdasdomesticas ou acesse o site www.zapdasdomesticas.com.br. Vale a pena continuar a conversa com as realizadoras dessa iniciativa, e você pode fazer isso escrevendo para observatoriadcm@gmail.com. Todo respeito, e todos os direitos, para as trabalhadoras domésticas deste país.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

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