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Diário antirracista

Sérgio Luciano

Sérgio Luciano tem como missão de vida o despertar da potencialidade que vive em cada ser humano, a partir da própria sabedoria de cada um. Com experiência em logística e gestão de processos, faz parte da rede Guerreiro Sem Armas, formação de tecnologias sociais para a realização de projetos e sonhos coletivos, e encontrou sua paixão de vida no Process Work, uma abordagem terapêutica para mediação de conflitos, facilitação de grupos e autoconhecimento derivada da psicologia jungiana.

10/06/2020 04h00

O que despertou seu interesse em ler esse texto? Que sentimentos e/ou pensamentos estão presentes agora que clicou na chamada e chegou até aqui?

"Lá vem mais um chato, falar sobre racismo. Essa merda nem existe. Vou pro final da página criticar."

"Eu sou branco e não vejo movimentos em defesa de brancos. Racismo contra brancos existe também tá, gente?"

"Apesar de eu não ser racista, é sempre bom saber mais e ensinar os amiguinhos racistas."

"Poxa, eu tô mobilizado com o que tem acontecido, e quero entender como posso fazer parte da desconstrução do racismo no Brasil."

"Tenho vergonha de dizer que quero aprender mais, mas quero muito aprender sobre esse tema."

"Não gosto de pensar que sou racista, mas vejo que tenho atitudes preconceituosas, até sem querer, em relação a negros. Será que sou racista, mesmo que não faça por maldade?"

"Reconheço meus privilégios, acredito na importância da reparação histórica e fiquei curioso sobre o conteúdo da publicação, para saber como ser mais consciente."

"Não sou de protestar nas ruas, tenho medo. Mas quero fazer parte dessa transformação de outras formas."

"Acho hashtags importantes, mas quero ir além da fala e rever atitudes."

Talvez esses pensamentos, ou algo parecido, tenham visitado você. Ou, quem sabe, tantos outros pensamentos mais.

Se você está mais para a vibe do 'para de mimimi sobre racismo', respeito sua opinião. E me permito continuar escrevendo esse texto, sabendo que rotular como ‘mimimi’ não acaba com o racismo. Senão, sério: se isso resolvesse, até eu começaria a chamar de ‘mimimi’.

Se estiver disposto a olhar outras perspectivas, fica o convite para investigar mais, sem pré conceitos. Desafie-se.

Se você diz não ser racista, quero cutucar um pouco. Eu, que sofro com preconceitos por conta do racismo (e se você começa com a ideia de que não sou negro, sugiro começar a ler sobre colorismo), às vezes tenho pensamentos e atitudes que alimentam o racismo. Será que você não é, ou não percebe o impacto de algumas atitudes suas que, para você, são normais?

Provocando um pouco mais, qual o motivo de tentarmos nos desvencilhar do rótulo de racista? Que dores surgem ao se perceber, ou ser ‘colocado’, nesse papel? E se a gente tentasse ampliar o olhar para significados do racismo, buscando compreender suas questões estruturais e como elas influenciam nossa visão de mundo e atitudes?

E se você se percebe parte do problema, e da solução, tenho certeza de que aquilo que está por vir será uma valiosa contribuição.

Devida introdução feita... vamos ao diário.

O que motivou esse texto foi um convite para uma jornada de 30 dias antirracismo, que chamou minha atenção pela proposta humanizada, construída a partir da vulnerabilidade e acolhimento. Jornada trazida pelo Samuel Emílio e pautada em 3 pilares:

1. Pensar sobre o que estamos vivendo e ter propriedade para falar sobre o tema nos círculos que frequentamos.

2. Sentir, perceber e cuidar dos sentimentos que ficam vivos quando falamos sobre esse assunto.

3. Agir a partir de dicas concretas de como ser uma pessoa que apoia a causa antirracista.

Achei pertinente te contar sobre isso porque acho fundamental termos pessoas, que entendem do assunto, dispostas a contribuir com a criação de um espaço seguro para investigação pessoal e coletiva sobre o racismo, a partir de um lugar de responsabilidade e não de culpa.

Um espaço seguro para vivenciarmos o desconforto de percebermos alguns benefícios que temos pelo simples fato de vivermos numa estrutura social que, enquanto privilegia alguns, perpetua preconceitos e aumenta desigualdades para tantos outros.

Um espaço seguro para descobrirmos como sermos parte da transformação dessa estrutura, cada uma e cada um reconhecendo seus privilégios, e entendermos como usá-los a favor dessa transformação, ao invés de alimentar sua manutenção.

E resgatando as palavras do Samuel:

- Ah Samuel, mas eu vou precisar preencher durante 30 dias um diário?

- Meu bem, foram mais de 300 anos de escravidão. Pode ser que você tenha descoberto a expressão antirracismo semana passada...

Como participar

Assista aqui ao vídeo com o chamado para essa jornada antirracismo:

Caso deseje fazer parte, inscreva-se na lista de transmissão. Quer uma companhia mais próxima nessa jornada? Convide uma amiga ou um amigo para passarem juntos por esse processo.

E que tal, para começar, compartilhar essa publicação nas suas redes e convidar outras pessoas para aderirem à causa?

Sérgio Luciano