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O mercado de treinamentos durante e pós Covid-19

Sérgio Luciano

Sérgio Luciano tem como missão de vida o despertar da potencialidade que vive em cada ser humano, a partir da própria sabedoria de cada um. Com experiência em logística e gestão de processos, faz parte da rede Guerreiro Sem Armas, formação de tecnologias sociais para a realização de projetos e sonhos coletivos, e encontrou sua paixão de vida no Process Work, uma abordagem terapêutica para mediação de conflitos, facilitação de grupos e autoconhecimento derivada da psicologia jungiana.

13/05/2020 04h00

Desde que começou a quarentena, vi aumentar consideravelmente o número de e-mails, mensagens no WhatsApp, publicações no Facebook e Instagram oferecendo conteúdo online, vindo de pessoas e empresas que trabalham com treinamentos, em diferentes áreas. Como têm sido essas ofertas? É possível levar para o mundo digital uma experiência imersiva e engajante, nestes tempos de distanciamento social?

As famosas lives

Algumas dessas ofertas vêm em formato de lives. Transmissões essas que, do ponto de vista educacional, poderíamos chamar de conteúdos distribuídos de "um pra muitos". Uma pessoa que é detentora do conhecimento fala, enquanto expectadores ficam atentos assistindo e absorvendo conteúdo pelo tempo que durar a transmissão. Normalmente, são transmissões gratuitas nas mídias sociais, apesar de existir aqueles que criam transmissões exclusivas para públicos pagantes.

Já recebi convites de empresas e grupos para oferecer conteúdo nesse formato, abertos ao público e fechados, pagos e gratuitos. Apesar de eu gostar desse formato para levar informação de qualidade a um número maior de pessoas, tenho resistência por ser uma interação bem passiva e que não permite tanta interação e ação entre o público.

Cursos online

Esse é outro formato que disparou nas ofertas que tenho visto. Percebo bastante gente pegando o conteúdo que oferece presencialmente e transformando numa série de vídeos, intercaladas com propostas de exercícios individuais. Algumas utilizando plataformas já consagradas como Udemy ou Hotmart, outras hospedando a sua própria plataforma.

Gosto desse formato. Inclusive, está sendo uma das bases para o projeto de educação socioemocional que pretendo lançar no segundo semestre, pela Colibri. Porém, apesar de gostar, acho que ele tem um limitante.

Pela entrega destes conteúdos serem individualizadas, normalmente esses cursos não têm uma pegada de construção coletiva do conhecimento, ou propostas de atividades em grupo. E isso, para mim, é essencial no que acredito enquanto educação.

Treinamentos ao vivo

Outro formato que tenho visto são os treinamentos ao vivo via plataformas como Google Meet, Zoom, Jitsi, dentre outras. Tenho percebido que essa é a oferta mais comum em substituição aos treinamentos presenciais.

Preparado para um público mais restrito, normalmente tem a mesma quantidade de pessoas que participariam presencialmente. O conteúdo recebe adaptações para ser transmitido virtualmente e facilitador conduz as pessoas pelo conteúdo. É comum usar uma apresentação de slides para a apoiar a transmissão do conteúdo e, intercalado às falas, facilitador propõe exercícios, faz perguntas, estimular diálogo.

Um ponto de atenção que vejo nesse modelo é que, em geral, as interações ficam muito limitadas ao diálogo e reflexão, perdendo o potencial das dinâmicas de grupo que podemos oferecer presencialmente.

O que nos leva a uma ampliação desse modelo.

Facilitação visual online

Benditos sejam aqueles que resolveram levar os famosos quadros brancos para o universo digital. Graças a plataformas como Miro e Mural, é possível utilizarmos coletivamente um quadro branco digital.

Com a possibilidade de utilizar post-its, desenhar, inserir imagens, traçar linhas, fazer conexões, promover votação, dentre outros, essas ferramentas são o que conheço de mais próximo de uma experiência presencial de atividades em grupo.

Imagine que, para começar o treinamento, o facilitador gostaria de saber as expectativas das pessoas. Ao invés de apenas escutá-las, poderia propor que cada uma escreva até 3 post-its com suas expectativas e coloque no espaço reservado para elas. Depois poderia pedir que, ao longo do treinamento, eles criem um novo post-it sempre que surgir um aprendizado que atenda àquela expectativa.

Ao final do treinamento, todos teriam acesso a um painel compartilhado com aprendizados e descobertas e o facilitador teria termômetro visual de como foi o treinamento.

Essa é uma das infinitas possibilidades que estes quadros brancos digitais oferecem. E o mais bacana é que eles podem ser usados junto com plataformas de comunicação.

Mais importante que o como, é o que queremos entregar

Um ponto importante é que nenhuma das coisas que falei acima faz sentido se, antes, não temos clareza do que queremos entregar. A depender do resultado e tipo de experiência que buscamos, um formato pode ser muito ou pouco efetivo. Ou ainda podemos misturá-los, como é o caso do projeto que mencionei sobre habilidades socioemocionais.

Gosto da abordagem de empresas como a Fractal Makers, que apoiam empresas e pessoas a construírem seus treinamentos escutando, primeiro, seu objetivo. E, depois de muito claro qual o objetivo e tipo de experiência que gostariam de entregar, começar a desenhar como será o treinamento e escolher os meios adequados de entregá-lo.

E vocês, leitoras e leitores, como têm sido as suas experiências com ofertas de conteúdos e treinamentos online? E o que gostariam de ver mais naquilo que elas oferecem e/ou naquilo que vocês participam?

Sérgio Luciano