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Reconexão

Sandra Caselato

Sandra Caselato, formada em artes plásticas e psicologia, é uma exploradora dos processos psicológicos e das relações humanas. Está sempre em busca de experiências que contribuam com a transformação pessoal e de outras pessoas. Especialista em Comunicação Não-Violenta, atua com desenvolvimento humano há mais de 20 anos.

07/04/2020 04h00

Nestes tempos de coronavírus, tenho participado de muitas conversas online, escutado muitas pessoas individualmente e também oferecido, junto com meu parceiro Yuri, uma série de encontros de reconexão para fortalecimento emocional, resiliência e conexão entre as pessoas. São encontros semanais gratuitos, pela plataforma Zoom em diversos horários. O próximo será dia 11 de abril, sábado, das 10:30 às 12:00. Se você tem interesse em participar e/ou receber informações sobre as próximas datas, cadastre-se aqui.

Muito do que temos oferecido nesses encontros se baseia no trabalho de Joanna Macy, autora de vários livros, que considero uma das grandes mestras da atualidade. Ela desenvolve um trabalho fenomenal (The Work That Reconnects), que resgata conhecimentos ancestrais e busca restabelecer nossa conexão com nós mesmos, com os outros, com o mundo e com a vida. O objetivo é contribuir para o que ela chama de A Grande Virada, a transformação de uma sociedade de crescimento industrial para uma civilização mais sustentável.

Diante das esmagadoras crises sociais, econômicas e ecológicas dos tempos atuais, seu trabalho ajuda as pessoas a transformar o desespero e a apatia em ações coletivas e construtivas. Traz uma nova maneira de enxergar o mundo como sendo nosso corpo vivo maior, e essa perspectiva nos liberta de suposições e atitudes que agora ameaçam a continuidade da vida na Terra.

Segundo ela, de todos os perigos atuais que enfrentamos, do coronavírus ao caos climático, nada é tão preocupante quanto o amortecimento de nossa resposta a esses perigos, nossa falta de ação e apatia. Para mudar isso, o que as pessoas mais precisam é ouvir a sua própria voz interna, para agir e preservar nossa vida coletiva e nosso mundo.

Convido você a conhecer e a vivenciar um pouco dessa experiência, individualmente ou de preferência com outras pessoas, em comunidade. Participe de nossos encontros e/ou experimente a sugestão abaixo. O trabalho se estrutura em um fluxo espiral que passa por quatro estágios consecutivos, que se repetem e refletem uma sequência natural comum ao crescimento psicológico e à transformação espiritual.

Segue sugestão de como abordar cada uma dessas quatro etapas, em duplas ou em grupo, uma pessoa por vez, buscando encontrar cada um a sua própria resposta interna:

  • AGRADECER: Fale sobre coisas que você celebra e pelas quais você é grata(o) em sua vida e no mundo.

  • HONRAR A DOR PELO MUNDO: Fale sobre preocupações que você tem sobre o mundo, coisas que você enluta (lamenta) neste momento no planeta.

  • VER COM NOVOS OLHOS: A partir da conexão com esta dor, o que surge, o que emerge? Fale sobre algo que você considera inspirador e te dá esperança no mundo.

  • SEGUIR EM FRENTE: Fale sobre o que você pode fazer efetivamente, passos concretos que você pode dar para contribuir com a mudança que você quer ver no mundo.

Potentes transformações acontecem quando em vez de reprimir, esconder ou patologizar nossa dor pelo mundo (seja medo, tristeza, indignação ou desespero), nós a honramos e passamos a entendê-la como compaixão, que nos traz de volta à vida.

Aproveite ao máximo sua quarentena forçada: reflita sobre a maneira como você vive sua vida, sua conexão com você mesma(o), com as pessoas à sua volta e com o mundo.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.