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Rodrigo Hübner Mendes

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Mesmo em modo remoto, é possível singularizar recursos pedagógicos

Pollyana Ventura/Getty Images
Imagem: Pollyana Ventura/Getty Images

Rodrigo Hübner Mendes

12/03/2021 04h00

Nestes tempos em que volta às aulas presenciais é novamente posta em cheque diante do repique da pandemia, torna-se oportuno dar visibilidade a ações educacionais que se mostraram efetivas, mesmo no período de isolamento social.

Desde 2017, o Instituto Rodrigo Mendes, com o apoio da ABADHS, AT&T, Fundação Grupo Volkswagen, Instituto Credit Suisse Hedging-Griffo e do Instituto Península, desenvolve um programa de formação de educadores que tem como objetivo ampliar as oportunidades de aprendizagem por meio da criação de materiais pedagógicos acessíveis. Em suas primeiras edições, o projeto foi realizado no formato presencial, em que profissionais das redes públicas de ensino (professores, coordenadores pedagógicos e representantes de secretarias da educação) participavam de encontros para a discussão de situações desafiadoras das salas de aula. As conversas eram iniciadas a partir de casos de estudantes que estavam enfrentando dificuldades em virtude de barreiras presentes nos ambientes de ensino e aprendizagem. Na sequência, o próprio grupo recebia apoio para a criação de materiais que transcendessem os recursos convencionais adotados pelas escolas (lousa, livro didático impresso, etc) e favorecessem o desenvolvimento de todos os estudantes.

Já estávamos iniciando a edição 2020, da qual participaram profissionais das escolas de Cruzeiro, Nova Odessa e Peruíbe, quando fomos pegos de surpresa pela pandemia e o consequente fechamento dos espaços em que esse curso era realizado (escolas e laboratórios maker). Apesar das incertezas sobre quais seriam os resultados, dado que o projeto pressupunha a manipulação de recursos tecnológicos do universo maker (impressoras 3D, cortadoras laser, arduinos, etc), o curso foi redesenhado para o formato remoto. Nesse sentido, os participantes receberam kits de equipamentos e componentes em suas casas e as aulas foram conduzidas por meio de plataformas de videoconferência de maneira síncrona, preservando a identidade original dos encontros.

O desfecho foi surpreendente. Além de terem criado materiais multissensoriais extremamente inovadores e que alcançaram com primazia os objetivos de aprendizagem planejados, os educadores desenvolveram fortes laços de colaboração. Bons exemplos são o tabuleiro de RPG para aulas de língua portuguesa e literatura, uma versão acessível do jogo africano da Mancala para uso em atividades lógico-matemáticas e a caixa de instrumentos musicais, que permite jogos de reconhecimento de sons e tons, a partir de simples acionamentos de botões. Estamos agora iniciando a edição 2021, e o êxito da migração para o mundo virtual vai permitir, dessa vez, a participação de representantes de municípios de todas as regiões do Brasil.

Sejam quais forem os desafios que ainda teremos pela frente, apostar na capacidade criativa, no potencial de protagonismo e na força do trabalho colaborativo parece ser uma estratégia poderosa para que preservemos o insubstituível e precioso percurso de aprendizagem de cada estudante, sem deixar ninguém para trás.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL