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Patricia Lobaccaro

Engajando novas gerações na cultura de doação

Patricia Lobaccaro

Patricia Lobaccaro construiu carreira no campo do investimento social, articulando redes e iniciativas para fortalecer projetos transformadores no Brasil. Foi presidente e CEO da BrazilFoundation de 2010 a 2019, mobilizando mais de 35 milhões de dólares em apoio a mais de 500 organizações da sociedade civil no Brasil. Atualmente Patricia atua como consultora no setor social e faz parte do conselho de instituições sem fins lucrativos. É formada em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade de São Paulo e fez curso de gestão em non-profits em Harvard.

25/10/2020 04h00

A geração Z, que já nasceu conectada, tem afetado as estratégias das marcas em prol de um mercado de consumo mais consciente, e vem também transformando as formas de captação de recursos. Nascidos entre 1996 e 2010, os integrantes dessa geração valorizam a transparência, a autenticidade e a responsabilidade social. Sabem como ninguém usar todas as ferramentas que têm à disposição - a influência nos hábitos familiares de consumo e presença massiva nas redes sociais - para pressionar as empresas por mudanças na forma de fazer negócios. O alto índice de consciência ambiental e de justiça social também faz com que essa faixa etária seja cada vez mais engajada com causas sociais.

Uma forma de engajamento jovem que vem se tornando popular na arrecadação de recursos se dá por meio de streaming de games. O Hospital de Pesquisa infantil St. Jude, no Tennessee, já arrecadou mais de 30 milhões de dólares com essas transmissões, oferecendo prêmios e recompensas aos participantes. A plataforma Twitch arrecadou quase 14 milhoes de reais para o combate ao covid com transmissões de esporte eletrônico, uma ação batizada de Stream Aid.

Nos EUA, a Leukemia & Lymphoma Society (LLS) - maior ONG do mundo na luta contra o câncer de sangue - organiza a iniciativa Students of The Year, um programa de desenvolvimento de liderança filantrópica no qual estudantes participam de uma competição de captação de recursos para a LLS. Durante o programa, que tem duração de 7 semanas, os estudantes desenvolvem habilidades como empreendedorismo, marketing e gerenciamento de projetos, e contribuem para fazer a diferença na vida de um paciente com câncer. Neste ano, as vencedoras foram duas jovens de 15 e 16 anos, que conseguiram arrecadar 450 mil dólares e ainda ganharam destaque na edição mais recente da revista Forbes americana.

E se generosidade e doação fossem ensinados nas escolas? No Brasil, uma iniciativa que vem ganhando tração é o Dia de Doar Kids, criado para inspirar crianças a pensarem em suas próprias iniciativas de generosidade. Marina Pechlivanis, idealizadora da iniciativa, conta que o projeto surgiu com o intuito de responder às seguintes questões: "Como desejamos que as novas lideranças atuem? Que tipo de transformação desejamos ver na sociedade? Que sonhos desejamos deixar para as crianças deste país?". Segundo ela, "gentileza se aprende praticando e generosidade se aprende doando, e quando tudo isso começa na infância é possível que em um futuro próximo tenhamos um país mais consciente sobre a importância da civilidade e da consciência social."

O Dia de Doar Kids realizou recentemente uma pesquisa com com 450 crianças e jovens brasileiros para ouvir o que pensam sobre os desafios e as oportunidades da sociedade e do planeta — um estudo inédito que inclusive aborda a questão de estimular a cultura de doação por meio das escolas. A pesquisa está servindo de base para endereçar e articular soluções em novos materiais para as escolas e professores, além de reflexões para a sociedade como um todo. Na contagem regressiva do Dia de Doar, dia mundial de doação (que esse ano cai no dia 1 de dezembro), a plataforma está lançando o *Prêmio Dia de Doar Kids 2020 Escolas*, com apoio do Starling Collective, reconhecendo iniciativas generosas e solidárias de escolas de todo o Brasil que culminem no Dia de Doar. Uma iniciativa bacana que merece ser repercutida.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.