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Brasil não oferece condições para desenvolvimento integral dos jovens

Rodolfo Santos/iStock
Imagem: Rodolfo Santos/iStock
Rodrigo Rubido

Rodrigo Rubido

Rodrigo Rubido é arquiteto, educador social, co-fundador e Diretor de Desenvolvimento Institucional do Instituto Elos, uma organização especialista em tecnologias sociais que atua há mais de 20 anos para promover transformações positivas em comunidades por meio de formação de lideranças e transformação social.

13/02/2022 06h00

"Nunca me sonharam". O título do documentário dirigido por Cacau Rhoden, lançado em 2017, resume a atenção que o Brasil dá aos jovens. A obra, que mostra a dificuldade dos que estudam na escola pública em sonhar e realizar esses sonhos, segue relevante.

A juventude é o momento de grande potência do ser humano. É nessa fase da existência que a vontade de mudar o mundo fica mais forte. É preciso produzir as condições para que esse desejo não se esvaia com as dificuldades da vida. Vivemos como se não houvesse alternativas, mas se olharmos para o tamanho da inventividade humana, conseguimos ver que é possível ajustar essa capacidade para fazer melhor.

Neste momento, o Brasil vive o ápice dessa parcela da população: são 47,8 milhões de jovens. Isso significa que existe uma janela de oportunidades única para investir neste grupo de pessoas. O cenário social, agravado pela pandemia, mostra que os desafios a serem enfrentados são inúmeros: desemprego, evasão escolar e falta de perspectiva são algumas das questões fundamentais para eles.

Os "sem-sem" -- sem estudo e sem emprego -- compreendem que a educação a que eles têm acesso não é suficiente e que as oportunidades de trabalho são poucas e precárias, mas, mesmo assim, aspiram conseguir algo melhor.

Apesar das crises sanitária e econômica que o país enfrenta neste momento, os jovens seguem otimistas com o futuro. O Atlas das Juventudes de 2021 mostrou que a média de "felicidade futura" do brasileiro de 15 a 29 anos é de 9,3, uma das maiores em todos os países pesquisados.

Para que um cenário de crescimento e prosperidade seja possível, é fundamental apoiar o pleno desenvolvimento desse grupo em seus territórios e garantir que possam realizar seus potenciais coletivos e individuais, atuando como protagonistas em todas as esferas da sociedade.

É preciso ter atenção especial para a questão da formação de lideranças, já que estamos em uma crise de representatividade. Os que estão engajados na transformação se propõem a formar outros cidadãos que atuem da mesma maneira.

Esses jovens que querem mudar o mundo devem ser formados como líderes, um trabalho a ser feito de maneira planejada. Não podemos ignorar os erros do passado e a necessidade de criar melhores condições para eles.

A pesquisa "O Sonho brasileiro", da Box 1824, realizada em 2011, questionou pessoas de 18 a 24 anos sobre seu futuro e revelou uma geração de comportamento coletivo e atuante. Naquele momento, 74% dos jovens afirmaram se sentir na obrigação de agir coletivamente. Nos anos seguintes à pesquisa, eles foram protagonistas de pelo menos dois movimentos marcantes para o país: as Jornadas de Junho de 2013 e as ocupações de escolas e universidades por estudantes em 2016.

Os valores que as juventudes carregam são, equivocadamente, desvalorizados pela nossa sociedade. Trabalhos significativos, especialmente aqueles que envolvem o cuidado ao outro, valem pouco na nossa escala de importância. Mais vale uma pessoa que trabalha em um banco do que a que educa uma criança.

Por que não conseguimos monetizar trabalhos que se dedicam aos seres humanos, como a parentalidade, educação e assistência social, entre outros? Vale lembrar ainda que, de acordo com o IFTF (Institute For The Future), mais de 80% dos empregos futuros ainda não existem. Transformar esse modelo mental é um dos desafios para que os jovens possam alcançar seu potencial em atividades significativas.

Esta mudança não é utópica. Os países nórdicos se propuseram a oferecer os melhores seres humanos do mundo, valorizando o que de fato é essencial para a vida. Eles começaram pela primeira infância, ao proporcionar licença parental até 1 ano de idade dos filhos e ao elaborar uma política de valorização de todos os profissionais de educação e outros serviços de assistência.

Na Finlândia, o professor é a profissão mais valorizada do país, tanto em termos de status social como financeiro, com salários que se equiparam aos de um executivo de grande empresa. Os estudantes têm apoio na alimentação, transporte e materiais. Esse é o tamanho do investimento nas gerações futuras. Não à toa, esses países tiveram poucos percalços durante a crise financeira mundial de 2008.

Para que as juventudes tenham oportunidades, é preciso imaginar um futuro melhor e buscar os meios para concretizá-lo. É preciso sonhar com os jovens.

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