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Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

O desafio de estar por dentro das Conferências do Clima da ONU

YVES HERMAN/REUTERS
Imagem: YVES HERMAN/REUTERS
André Castro Santos e Flávia Bellaguarda

sobre os colunistas

André Castro Santos

André Castro Santos é pesquisador, doutorando em Alterações Climáticas e Políticas de Desenvolvimento Sustentável pela Universidade de Lisboa, advogado membro da Latin American Climate Lawyers Initiative for Mobilizing Action (LACLIMA) e membro do Conselho Consultivo Acadêmico do Youth Climate Leaders (YCL).

Flávia Bellaguarda

Flávia Bellaguarda é advogada, mestre em Justiça Climática pela University of Birmingham com especialização em sustentabilidade na Schumacher College. Coordenadora de política de justiça climática do Climate Reality Brasil. Fundadora da LACLIMA e Youth Climate Leaders.

31/10/2021 06h00

Todo ano, entre novembro e dezembro, representantes de todos os 196 países que fazem parte da Convenção da ONU para o Clima se reúnem para discutir metas, compromissos e meios de agirem em conjunto no enfrentamento da crise climática. Estas reuniões são chamadas COP, sigla que significa "Conferência das Partes". Sua 26ª edição será realizada entre 1 e 12 de novembro, em Glasgow, no Reino Unido.

A COP26 ocorre em um momento singular e inédito, pois a pandemia da covid-19, mesmo com as vacinas, ainda não está sob total controle ao redor do mundo. Estamos em um cenário no qual países ainda correm para imunizar suas populações, ao mesmo tempo em que se esforçam para, aos poucos, reestruturar suas economias, após períodos de lockdown. Enquanto isso, cientistas alertam para o caráter emergencial da adoção de medidas para frear o aquecimento global e para nos adaptarmos às alterações que já são irreversíveis.

Ao longo dos próximos dois meses, teremos contato com diversas notícias e debates sobre a COP26. Contudo, para muitos, compreender o que se fala sobre esse tema não é algo simples. Além de termos difíceis e do "juridiquês" que acompanha o assunto, entender o que se passa durante a COP e como isso impacta a nossa vida depende de certo conhecimento e acesso a informações sobre o histórico dessas negociações. Afinal, cada decisão que os países adotam na COP é fruto de rodadas de negociações que se iniciam anos antes e também decorrem de aprendizados de ações do passado.

Para aproximar este tema complexo a um público ainda leigo no assunto, porém cada vez mais interessado, diversas organizações têm promovido debates e discussões por meio de mídias sociais além da produção de materiais informativos. Entre eles, está a publicação realizada em conjunto pelo Observatório do Clima e pela LACLIMA. Trata-se do "manual" Acordo de Paris: um guia para perplexos. O documento foi escrito por jornalistas, ativistas e advogados especializados nas negociações e nos tratados internacionais sobre mudanças climáticas.

Em tempos de inundação de fake news e informações enganosas sobre a crise climática, é fundamental estarmos cercados de boas referências para compreender este assunto complexo que atinge a todos nós. Manter-se atualizado sobre esse assunto se tornará cada vez mais uma ferramenta importante para que os cidadãos percebam o que é necessário para a construção de uma sociedade mais resiliente, refletindo, assim, de forma positiva na pressão popular ao setor privado e ao setor público para que apresentem planos ambiciosos a curto prazo de carbono zero.

A crise climática é perigosa e injusta e muitos de seus efeitos já são irreversíveis. Porém, como toda crise, a mudança climática também nos propicia inúmeras oportunidades. Portanto, precisamos estar alertas e bem informados, para exercemos bem nosso papel de cidadão e também para conhecer os caminhos da transição que estamos vivendo para um mundo mais resiliente, adaptativo e no qual emitiremos cada vez menos carbono para satisfazer nossas necessidades.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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