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Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Lisi, cadê minha mão? E foi assim que descobri que tinha uma deficiência

Deives Picáz - Divulgação
Deives Picáz Imagem: Divulgação
Deives Picáz

Deives Picáz

Deives Picáz mora em Porto Alegre (RS) tem 20 anos e é estudante de publicidade e propaganda. É uma pessoa com deficiência e também ativista da causa das pessoas com deficiência. Em seu Instagram com 26 mil pessoas, ele cria conteúdo sobre inclusão e representatividade. É um influenciador digital e embaixador da Associação Dar a Mão.

19/09/2021 06h00

A primeira vez que questionei sobre ser diferente das outras crianças foi no meu aniversário de 2 anos. Todos batiam palmas, e eu, instantaneamente, reparei que as minhas eram diferentes. Então perguntei à minha irmã Lisiane: "Lisi, cadê minha mão?" E foi assim que descobri que tinha uma deficiência.

Sempre fui uma criança muito comunicativa e muito questionadora. Com isso, reparava sempre que na televisão, nas lojas de brinquedos ou até mesmo em livros infantis não havia personagens, pessoas ou brinquedos que se parecesse comigo. Sabendo que no Brasil aproximadamente 25% da população possui algum tipo de deficiência, o que é quase 45 milhões de pessoas, a visibilidade que temos na mídia ou em outras fontes de comunicação é baixíssima.

Deives Picáz - Divulgação - Divulgação
Deives Picáz
Imagem: Divulgação

A minha insaciável vontade de me comunicar me trouxe até a Internet, onde diariamente eu apareço para interagir com quem me acompanha, é nela que tento passar um pouco de conhecimento sobre a causa das pessoas com deficiência.

Mas uma coisa interessante é que essa minha vontade de lutar pela causa começou no ano de 2020, que foi quando descobri o nome da minha deficiência, o que era capacitismo e o porquê é importante combatê-lo.

Essa descoberta foi por meio de uma fotografia minha no espelho, em que relatei um episódio de bullying ocorrido na minha infância. Na minha visão, era só mais uma publicação. Eu não imaginaria que seria viral e que muita gente iria se interessar no que eu tinha pra falar, relatar e compartilhar na internet.

Esse ano fui convidado pela Dar a Mão, que é uma associação sem fins lucrativos que visa dar suporte para pessoas com a mesma deficiência que a minha, chamada de agenesia de membros, para ser embaixador. E, como embaixador, meu vínculo com a associação ficou mais forte, já que posso participar de encontros, reuniões, lives. Além de levar o nome da associação a mais pessoas para que elas a conheçam.

Depois que comecei a reconhecer meu corpo como único e resolvi expandir isso para quem me seguia nas redes sociais, conheci pessoas maravilhosas que me abraçaram e me acolheram na causa: Luísa Pitanga, Ivan Baron e Rebeca Costa, entre muitas outras.

Hoje entendo que a representatividade que não tive quando eu era criança, pode ser preenchida com a que eu posso vir a causar dando a cara tapa e lutando por aquilo que acredito. Criadores de conteúdo e ativistas da causa são essenciais, tanto na Internet quanto fora dela. As crianças com deficiência de hoje podem se enxergar nesses criadores e a partir disso, entender que a deficiência é só uma característica e elas podem ocupar os espaços que quiserem e que as façam felizes.

É importante que as pessoas se reconheçam como seres humanos únicos, independente se possuem alguma deficiência ou não, pois afinal, cada um tem sua individualidade, mas juntos, podemos ajudar para que o futuro seja acessível, inclusivo, representativo e anti-capacitista.

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