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Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

As 5 lições de empreendedorismo das periferias e favelas brasileiras

Various people creating mobile application. Editable vectors. - miakievy/Getty Images
Various people creating mobile application. Editable vectors. Imagem: miakievy/Getty Images
Luis Coelho

Luis Coelho

Luis Coelho é empreendedor social, sócio-fundador do "Empreende Aí", negócio de impacto social que capacita empreendedores de territórios populares a terem seus próprios negócios. É de periferia e traz isso com muito orgulho. Acredita que as inovações, as transformações, a criatividade e a resiliência são extremamente fortes vindo das bases. Apaixonado por empreendedorismo e inovação, seu objetivo é construir pontes e mostrar que as periferias são potências criativas, econômicas e empreendedoras.

08/08/2021 06h00

Estou empreendendo na periferia desde 2013, quando eu tinha uma pequena loja de roupas no bairro, que acabou fechando depois de alguns poucos meses. Então, em 2015, abri meu negócio com minha companheira Jennifer, no qual estamos à frente há mais de 6 anos, ensinando sobre negócios para microempreendedores das periferias de todo o país. É, sim, um método de ensino de negócios criado na periferia para empreendedores das periferias.

Nesses anos ensinando, aprendi algumas coisas com esses empreendedores que não aprendi em nenhum livro, palestra em lugares chiques ou qualquer outro lugar que se fale sobre negócios.

Contextos diferentes vão fazer com que cada um desenvolva habilidades diferentes em cada um de nós, em como nos relacionamos, em como enxergamos a vida e, obviamente, em como nos desenvolvemos profissionalmente.

E é exatamente sobre isso que quero me aprofundar: sobre o que acredito que todos podem aprender com as empreendedoras e empreendedores das periferias:

  1. Sua rede (network) não é apenas quem te apoia com o negócio:

Quando falamos em redes de contatos para empreender, geralmente, pensamos em pessoas que possam ser parceiras de negócios, clientes, fornecedores, investidores ou oferecer alguma relação mais comercial.

Quando você olha isso nas periferias, essa rede também pode ser daquela vizinha que cuida do seu filho enquanto você vai fazer uma entrega para um cliente, aquele familiar que empresta o cartão de crédito para comprar a primeira matéria-prima do nosso produto ou até mesmo organizações locais, que podem apoiar em diversas frentes.

Tudo isso faz parte de uma rede ampliada que todos podemos olhar com mais zelo, pois estamos diretamente envolvidos com o sucesso dos nossos negócios em qualquer ambiente.

  1. Não pense em plano B:

Empreender qualquer coisa na vida requer um foco muito grande, um desejo profundo de fazer dar certo e, mesmo assim, saber que pode dar ruim a qualquer momento.

Geralmente, a pessoa que está empreendendo nas periferias e favelas coloca todas as fichas naquele negócio, naquela ideia, naquele empreendimento. Além de ser o sonho dela, também será seu sustento. Sinceramente, não se pensa em plano B, pois o único plano é fazer o PLANO A DAR MUITO CERTO. Como diz o Emicida: "Segunda chance é só no vídeo game, então, é bom ficar ligeiro", e com isso, o foco aumenta muito e a possibilidade de fazer o negócio dar bons resultados é maior, pois não existe a ideia de que "se esse negócio não der certo, vou fazer outra coisa".

Claro que existem problemas em não ter um plano B, mas também vejo como vantagem, pois você tem que fazer o plano A dar certo. Vale destacar que isso não significa não mudar a trajetória dentro do próprio negócio e, sim, de manter o foco em fazer dar certo.

  1. O negócio conta sua história e não o contrário;

É muito comum vermos grandes empresários desenvolverem uma história DEPOIS que seus negócios dão certo, para criarem uma narrativa ou uma mística em torno deles.

O que aprendi é que, nas periferias, essa história dá base para o que a empreendedora deseja fazer. E isso dá uma autenticidade única para o negócio, algo que os consumidores procuram cada vez mais.

Acredito que todos podem utilizar sua história como base para criar seus empreendimentos e, em um universo com tudo cada vez mais parecido, essa narrativa é extremamente poderosa para os negócios que estão nascendo.

  1. Parceria, colaboração e "nóis por nóis":

As novas teorias sobre negócios começam a falar cada vez mais sobre "utilizar, de forma estratégica, ativos que não sejam necessariamente da empresa": uma forma bonita e um século atrasada para falar sobre algo que fazemos nas periferias, que é utilizar o poder das parcerias e da colaboração para que um possa puxar o outro para cima.

Hoje se fala em economia compartilhada, economia colaborativa e outros termos da moda, mas compartilhar, colaborar e fazer parcerias são o que chamamos, há muito tempo, de "nóis por nóis. Fazemos isso desde sempre para sobreviver, e vejo como uma estratégia extremamente inteligente para quem deseja empreender. Você não precisa ter ou saber fazer tudo, faça como nós, faça boas parcerias e ganhe em conjunto.

  1. A diversidade é orgânica:

Enquanto vemos uma verdadeira corrida de muitas empresas para serem mais diversas, nos negócios das periferias, essa diversidade é extremamente orgânica por um motivo muito simples. Geralmente, se contrata as pessoas que estão mais próximas do seu ciclo e nas periferias a pluralidade é a única regra. Desta forma, os negócios, quando começam a crescer dentro das periferias, possuem uma diversidade grande sem que tenham que ter programas de diversidade ou algo do gênero.

Esse aprendizado talvez seja um pouco mais difícil de copiar para quem é de fora da periferia, então, vai uma dica simples: busque contratar pessoas das periferias, isso já vai trazer uma pluralidade gigante, pois somos diversos.

Esses são cinco pontos que aprendi convivendo com os empreendedores das periferias de todo o país, e tenho certeza de que você poderá colocar em prática, seja empreendendo um negócio, um projeto, seu corre pessoal ou seu trampo.

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