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Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

7 coisas que ajudam em conversas difíceis

Kamilla Camilo - Nicole Avelino
Kamilla Camilo Imagem: Nicole Avelino
Kamila Camilo

Kamila Camilo

Kamila Camilo é feminista negra decolonial, ativista, há 10 anos atua com projetos sociais, tem como missão deixar o mundo um lugar melhor do que ela encontrou e faz isso gerando conversas que transformam e fazendo perguntas provocativas. É inquieta e atualmente canaliza seu senso de justiça ajudando organizações a gerarem impacto positivo através de seus negócios na consultoria Impact Beyond.

25/07/2021 06h00

Num país onde a polarização se tornou a regra, onde preferimos buscar concordância ao invés de convergências, quem é que terá suas necessidades atendidas? Na semana em que bilionários escolhem viajar para o espaço em vez de investirem seu tempo e recursos em reduzir as desigualdades, de que lado estamos? Se o muro das desigualdades não existisse, haveria lado para estar?

Faço parte de um grupo que semanalmente discute política e expansão de consciência, é um espaço para ser vulnerável, aprender com o diferente e sobretudo escutar. Com os ânimos em relação a Cuba aquecidos começamos expor no WhatsApp nossas visões até que um dos membros propôs que fizéssemos o diagrama de Nolan para observarmos como estavam nossas posições políticas e se, desde que passamos a pensar no tema, nossas crenças e percepções mudaram.

Curiosamente todas as pessoas estavam em uma posição mais progressista da matriz, uns mais à esquerda e outros mais ao centro. Compartilhamos os resultados e, quando nos encontramos, o Pedro Ivo (diretor de Desenvolvimento Humano na prefeitura de Mogi das Cruzes) fez uma provocação: E se ao invés de pensarmos em direita e esquerda, progressista e conservado,r nossa matriz fosse: JUSTIÇA - PROSPERIDADE e SEGURANÇA E LIBERDADE? Ou então, se a matriz fosse dos arquétipos: PAI - MÃE e VELHO E JOVEM.

Alguém é contra ter prosperidade? Alguém é contra justiça? Quem não deseja em algum nível segurança e liberdade? Não é função dos pais cuidarem e proverem? Se nos conectarmos com nossos ancestrais e não negligenciarmos a força, vitalidade e vida dos jovens, será que não aumentaremos nossas chances de mudar aqui e agora?

Sei que não é fácil pensar em co-criar presentes melhores num país com 14 milhões de pessoas sem emprego, onde uma mulher é assassinada por hora, onde a violência policial é constante, onde mesmo com abundância de terra, alimento e água as pessoas ainda morrem de fome. Mas certa vez ouvi que o Brasil era um terra onde tudo que se planta dá e hoje quero te convidar a recomeçar. Te convidar a se atrever a pensar um presente melhor para as pessoas e para natureza, a partir das suas atitudes, crenças e visão de mundo.

Comentei que estávamos todas nos quadrantes libertários da matriz e conclui, e peço licença poética para uma metáfora que é: liberdade e justiça, segurança e prosperidade são necessidades que todas as pessoas terão ao longo da vida e que cada figura no sistema complexo que vivemos tem seu papel para suprir.

Quando atribuímos ao Estado o papel de provedor da segurança não devemos nos eximir de termos atitudes seguras, se dissermos que ao mercado cabe o fomento à prosperidade, o que nós fazemos como indivíduos para que o mundo seja mais próspero? É mesmo melhor dar do que receber? Se queremos um mundo mais equitativo e justo, porque tratamos as pessoas que amamos com injustiça?

Não tenho as respostas, mas como vocês, estou buscando essa construção e quero incluir mesmo as pessoas com quem não concordo, porque elas também estão no mundo, e para isso acredito que podemos fazer algumas coisas que ajudam tanto nas conversas difíceis ´quanto na formação de pessoas que estão mais abertas ao diálogo:

  1. educar as meninas: reduzir a desigualdade de gênero reduz a pobreza e ajuda o meio ambiente

  2. escuta ativa: crescemos lutando para nos fazer ouvir, mas escutar com atenção é o segredo para falar com intenção e tocar mais corações

  3. cuidar da saúde mental: se a gente se ocupar das próprias neuras não teremos tempo para ficar apontando a dos outros, se tiver acesso seja rede de apoio pra quem não tem

  4. praticar empatia: não quer dizer se colocar no lugar do outro, isso é impossível, mas busque sentimentos em você que te ajudem a compreender melhor a necessidade não atendida do outro

  5. abraçar: 20 segundos e seu cérebro vai estar tão alegrinho que nem vai dar mais vontade de "tretar"

  6. respirar: responder na ânsia só para vencer uma discussão não vai funcionar, respira e NÃO PIRA

  7. cuidar de uma planta: qualquer uma, vale até um matinho desses que crescem na calçada, a natureza é uma bela professora de paciência

Tenta colocar qualquer uma dessas coisas em prática nos próximos dias e me conta o que aconteceu.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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