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M.M. Izidoro

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Ainda dá para trazer boas notícias

Getty Images
Imagem: Getty Images

M.M. Izidoro

10/04/2021 06h00

Faz um tempo que eu falo para os meus amigos que nesses tempos de crise a gente tem de ser como os caranguejinhos no fundo do mar.

Pode estar a maior tempestade lá em cima na superfície do oceano, daquelas de balançar navios com ondas gigantes, que lá embaixo o caranguejinho tá de boas procurando uma conchinha nova para usar de casa.

O mundo tá um caos desde sempre. Sempre teve um leão, uma nevasca mais forte, a destruição de um ecossistema ou um político que não compra vacinas para dar medo na gente. Faz tempo que o mundo tá nessa tempestade e sempre vai estar. As redes sociais e ciclos de notícias 24 horas fazem essa tempestade parecer ainda pior, pois ela não passa nunca. Ela pode estar acontecendo só em um cantinho do oceano, mas todas as câmeras, microfones, posts e stories vão focar ali, dando a impressão que não tem saída nunca.

Mas se a gente olhar pro lado, se a gente olhar para o pequeno e o que está ao nosso alcance, tá tudo bem. Tá tudo certo. A gente pode estar no meio de uma pandemia, e de uma política genocida, mas ainda tem gente entrando na faculdade, gente conseguindo emprego, gente curando de câncer, gente tentando integrar a gente mais com a natureza e a natureza fazendo sua mágica todo dia bem na nossa frente.

A gente está cercado de boas notícias o tempo todo. Mas às vezes parece que a gente não consegue parar para ver.

Para quem me segue aqui no Ecoa desde o começo, sabe o quão importante isso é para mim, pois minhas primeiras colunas eram também um podcast chamado De Boas, no qual eu fazia em parceria com a plataforma de saúde mental #EuEstou, o UOL e a produtora de entretenimento sônico Ampère. Nesse podcast, eu trazia notícias boas de pessoas reais. Pessoas que tiravam um tempo para dividir com a gente suas conquistas e suas felicidades.

A vida aconteceu, eu comecei a direcionar mais a coluna para ensaios em textos e o "De Boas" ficou de lado (mas ainda está lá no seu player de podcast favorito, caso você queira relembrar esses momentos.)

Mas eu ainda acredito muito no poder do podcast e, principalmente, no poder das boas notícias.

Como a galera do Ecoa é fina demais e acredita nas mesmas coisas que eu acredito (que se não, eles não publicariam minhas colunas aqui, não é mesmo), essa semana eles continuaram a tradição da vertical de contar boas notícias e lançaram o Trago Boas Notícias, o primeiro podcast do UOL feito em parceria com o Spotify.

Nesse podcast que sai de segunda a sexta no fim da tarde, Edgar Piccoli vai trazer notícias boas para te ajudar a desacelerar. Como um chazinho com biscoito de polvilho no fim de tarde - ou uma caipirinha de frente pro mar - o Trago Boas Notícias traz conteúdos do Ecoa que te mostram que pode parecer que não está nada bem, mas que aqui embaixo com os caranguejinhos, está tudo bem.

Então, se você está cansado de tanta tragédia e notícia ruim - e se você não está, me conta seu segredo ou procura um psicólogo, que isso não é normal - abre agora o seu Spotify e assine o Trago Boas Notícias para não só ouvir de pandemia e corrupção, mas de elefantas chamadas Mara, hortas em escolas públicas e como a educação transformou a vida da menina humana Júlia.

Na grande tempestade que estamos vivendo, nos dar um tempinho para respirar é quase revolucionário. Nem que seja por 15 minutinhos ouvindo um podcast e pensando na elefanta Mara e que talvez te inspire a ver sua própria notícia boa aí na sua família e no seu bairro, e quem sabe um dia alguém ouça sobre ela no podcast e se inspire também e assim o ciclo virtuoso acontece.

Então, taca o dedo no play, esquece do navio que está se debatendo lá em cima e deixa a voz do Edgar te levar lá pro fundo do mar onde o clima outonal está delicioso e ainda dá para passar um tempinho de boas, como caranguejinhos.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL