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MM Izidoro


MM Izidoro

Qualquer sistema só é tão forte quanto seu elo mais fraco

Getty Images/iStockphoto
Imagem: Getty Images/iStockphoto
M.M. Izidoro

A cada 15 dias, vamos contar notícias boas da vida real que aconteceram com gente de verdade como eu e você

04/04/2020 04h00

Essa é uma frase que eu já ouvi algumas vezes de programadores, hackers e engenheiros, mas que hoje eu dia eu consigo ver que pode se aplicar a todos nós.

Seja a humanidade como um todo, ou cada indivíduo dela, somos um sistema. Um sistema complexo que contém muitas variáveis e possibilidades.

Cada humano é um sistema composto de células, moléculas, órgãos e ideias. A humanidade é um sistema composto de bilhões de humanos de todos os tipos. Podemos ainda dizer que a humanidade faz parte de um sistema maior ainda que é o planeta Terra com todos os seres vivos, a água, o ar, as pedras e tudo mais.

E se tem uma coisa que a pandemia que estamos passando está mostrando para a gente é que cada vez mais cuidar desses sistemas, e de seus elos mais fracos, se torna necessário.

Como toda pandemia antes do Coronavírus, o paciente zero foi apenas uma pessoa. Não importa sua nacionalidade, raça ou cor. Por causa da infecção de apenas um indivíduo, hoje você tem bilhões de pessoas em todo o mundo se isolando em suas casas, outras milhões infectadas e milhares mortas.

Isso mostra que somos mais conectados do que a gente normalmente imagina. E isso está me fazendo pensar muito na frase que abre esse post.

Por causa de muitos fatores, nós começamos a nos afastar do mundo natural e até da ideia da coletividade. Nossos ideais de sucesso e bem estar começaram a virar coisas externas como acúmulo de dinheiro, o tamanho da nossa casa, quantos cavalos tem o motor do nosso carro, quantas horas ficamos trabalhando longe da família e dos amigos. São parâmetros individuais de sucesso e não coletivos.

Mas o que importa tudo isso se nós não estivermos bem, se nosso sistema não estiver completamente forte?

Esses dias, vendo o noticiário sobre a pandemia eu li uma citação que me marcou. A filha de uma das vítimas do COVID-19 falou que eles eram uma família milionária, mas que o pai dela morreu implorando por uma das coisas mais abundantes e gratuitas do planeta Terra que é o ar. E eu não consigo parar de pensar nisso.

Se apenas uma célula do nosso corpo estiver ruim e evoluir para um câncer. Se não estivermos bem com nós mesmos e mesmo com todo o acúmulo material que conseguirmos, nunca conseguimos a felicidade e a paz. Se poluirmos a natureza e ficarmos sem algo tão essencial como o ar para respirar. Cuidar disso devia ser prioridade.

Como coletivo, isso é ainda mais forte. A crise do Coronavírus não vai acabar tão cedo e uma das razões é que durante muito tempo nós deixamos de olhar para os elos mais fracos da nossa sociedade. Até o mundo ter uma vacina, qualquer pessoa pode ser um vetor para reiniciar a pandemia. Principalmente às pessoas invisíveis, aquelas que no dia a dia nós fingimos não ver dormindo nas calçadas, limpando nossas ruas, morando nas nossas favelas. Essas são as pessoas que não podem fazer quarentena em casa. São as pessoas que não têm dinheiro para o álcool em gel. Que moram onde o sistema de saúde é deficitário e não tem saneamento básico. Mas, ao mesmo tempo, elas são as pessoas que fazem a nossa sociedade rodar. Ao não deixar nossos lixos acumularem, nossa água e eletricidade funcionando, nossas encomendas e deliveries. Pessoas que todos nós estamos em contato sempre mesmo que não percebemos.

A pandemia mostrou que o mundo pára se essas pessoas pararem. Essas pessoas que sempre foram tratadas como frágeis, são as que fazem o mundo como a gente conhece funcionar. Por isso está na hora de olharmos para maneiras de deixarmos essas pessoas mais fortes, pois se elas caírem a sociedade inteira cai com elas. E se apenas uma delas estiver infectada, todos nós podemos estar também.

Essa é uma das várias oportunidades que temos para sairmos melhores do outro lado dessa crise. Agora é a hora de vermos como podemos nos tornar mais fortes. Seja internamente, na nossa saúde física e mental. Seja externamente, em cada indivíduo que entramos em contato na nossa vida. Enquanto existir um elo fraco em qualquer um desses sistemas, não estaremos fortes como podemos ser. Seja no nosso corpo, na nossa família, na nossa empresa, cidade, país e planeta. Temos de cuidar da gente e um dos outros.

Agora temos tempo, temos tecnologia e temos a necessidade e possibilidade de fazermos essa mudança.

Se tivermos compaixão, com o outro e nós mesmos, a coragem para mudar vem logo atrás. E quando conseguirmos fazer essa mudança, seremos pessoas e sistemas muito melhores e muito mais fortes.

Depende apenas da gente. Vamos nessa?

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

MM Izidoro