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Milo Araújo

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

A incansável luta para valer seus direitos

Ciclista na Linha Verde do Metrô, em São Paulo - Alfribeiro/iStock
Ciclista na Linha Verde do Metrô, em São Paulo Imagem: Alfribeiro/iStock

Milo Araújo

29/10/2021 13h15

Notícia: O Metrô de São Paulo e a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) vão reduzir o horário de acesso de bicicletas às estações e aos trens. A partir da próxima segunda-feira (1), bicicletas não poderão mais ser transportadas nos vagões entre 10h e 16h. De acordo com a Central de Informações do Metrô, o horário de transporte das bicicletas "voltará ao normal". Só serão aceitas bicicletas nos vagões entre 20h30 e meia-noite.

E lá se vem um retrocesso!

Como se a necessidade de se locomover através de modais de transporte fosse só durante o agravamento da pandemia que estamos vivendo.

Bom, não é de hoje que é constantemente discutida a necessidade de ampliação de transportes sustentáveis como a bicicleta. A praticidade de se locomover usando de transporte compartilhado. Os benefícios de se locomover sem prejudicar o meio ambiente (olá, COP26!). A necessidade diária de diminuir as distâncias percorridas e o tempo perdido pelo trabalhador que atravessa a cidade em direção ao seu local de trabalho.

Uma mobilidade centrada em pessoas e não em veículos é melhor para as cidades, para os nossos bolsos e até para as empresas, mas não basta apresentar dados, fatos, necessidade. Estamos sempre na contramão das necessidades básicas.

Enquanto aqui em São Paulo limitamos o uso da bicicleta e diminuímos a facilitação e acesso à mesma, lugares como Paris promovem o incentivo ao uso da bicicleta com ações como a recente lei aprovada pelo parlamento francês. Lei esta que incentiva a troca de seu veículo antigo e poluente por um subsídio de 2500 euros para a compra de uma bicicleta elétrica. Também a prefeita recém-reeleita Anne Hidalgo põe em prática ações como o investimento de 250 milhões de euros para tornar a cidade 100% apta à locomoção de bicicleta, fazendo com que a quantidade de ciclistas nas ruas aumentasse de 5% para 15% no último 2020 e assim consequentemente o número de motoristas diminui também nos últimos anos.

Atualização:

Enquanto escrevia esse texto, O Metrô de São Paulo voltou atrás quanto à decisão de limitar os horários de circulação de bicicletas em seus vagões. Ponto para a população, graças à ampla divulgação e descontentamento de várias entidades e veículos apoiadores da causa.

Fica aí a reflexão quanto a fazer valer nossos direitos, o quão válida é a articulação e também aos nossos deveres como cidadãos. O debate pela mobilidade existe, mas nem sempre é amplamente divulgado. Vale acompanhar instituições, ativistas, representantes pela mobilidade sustentável, pois só trará benefícios a todos.

Num próximo texto darei dicas de instituições e pessoas que buscam pelo benefício da população em relação à mobilidade sustentável.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL