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Benefícios de uma dieta sem carne

Milo Araújo

Milo Araújo é designer e diretora de arte, pedaleira, caminhadeira e agora escrevedeira. Aprendeu a andar de bike sem as mãos recentemente.

17/08/2020 04h00

Durante esses últimos meses, tendo maior contato com a minha alimentação diária por conta da quarentena, repensei muito as minhas escolhas. Sou vegetariana há uns 5 anos. Foi bem fácil pra mim deixar as carnes, frangos e peixes de lado. Desde pequenininha já não era grande fã. Porém, queijos e leite habitam um lugar de muita memória afetiva dentro de mim. É o leitinho quente que bebia antes de dormir quando era criança, ou o sanduíche de queijo quente na escola. Na vida adulta, as primeiras receitas que dominei eram repletas de queijos e, durante muito tempo, ser apenas vegetariana me bastava completamente. Tinha aquele sentimento de que já estava fazendo muito. Que bom que esse sentimento passou. Entrar numa zona de conforto é sempre complicado. Desconfie sempre.

Recentemente tenho tido muitas conversas com minha amiga Nathalia Parra, vegana, sobre alimentação e produção de alimentos que me fizeram dar o pontapé inicial nessa reflexão. Temos conversado sobre a indústria da agropecuária, impactos da economia extrativista na vida dos brasileiros e sobre nutricídio. Todos estes são temas que vou procurar tratar por aqui nos próximos textos.

Recentemente assisti um documentário chamado Dieta dos Gladiadores e, confesso, fiquei muito impactada. Em linhas gerais, o documentário fala sobre o impacto da dieta vegana em atletas de alta performance, apresentando depoimentos e estudos médicos. Quando o filme terminou, várias luzinhas se acenderam no meu cérebro. Desde que comecei a pedalar pela cidade e, mais recentemente com a pandemia, o cuidado com o meu corpo vêm se tornando cada vez mais prioritário na minha vida. Achei prudente fazer mais pesquisas e achei um relatório do Departamento de Medicina e Nutrição da Sociedade Vegetariana Brasileira com algumas informações sobre alimentação e algumas doenças. Elenquei alguns dos tópicos que mais me chamaram atenção:

  • Redução dos níveis séricos de colesterol, redução de risco e prevalência de doença cardiovascular, hipertensão arterial, diversos tipos de câncer e diabete tipo 2.

  • Os vegetarianos estritos apresentam menores níveis de colesterol, quando comparados com os ovolactovegetarianos.

  • Dois estudos de coorte e uma metanálise demonstram que os vegetarianos (ovolactovegetarianos e vegetarianos estritos) têm risco menor de doenças cardiovasculares. Essa diferença persiste após ajuste de índice de massa corporal (IMC), tabagismo e classe social.

  • Uma resenha de nove estudos demonstrou que, comparados aos onívoros, os ovolactovegetarianos apresentam redução de 14% do nível sérico de colesterol e os vegetarianos estritos, 35%. Essa diferença persiste mesmo com o ajuste do IMC.

  • A adoção da dieta vegetariana por longo período contribui para o menor espessamento da camada interior das carótidas com o envelhecimento. Um estudo com 90 mulheres na menopausa mostrou que as 49 vegetarianas (que seguiam a dieta há 10,8 anos, em média), comparadas às onívoras, apresentavam menor resistência da artéria braquial, mas sem alteração na sua distensibilidade.

  • Os menores valores de pressão arterial foram encontrados em vegetarianos estritos.

  • Um estudo de coorte demonstrou que, a cada porção ingerida, o risco de diabete aumentava em 26% quando a porção era de carne vermelha e 38% a 73% quando era de embutidos.

  • A dieta vegetariana estrita com elevada porcentagem de carboidratos complexos fornece elementos positivos para o controle metabólico de indivíduos com diabetes tipo 2.

  • Algumas metanálises avaliaram o impacto do maior consumo de carne sobre o risco de câncer de intestino grosso (cólon e reto). Foi demonstrado que o aumento de 100 g de carne (de qualquer tipo) ingerida diariamente está associado ao aumento de 12% a 17% do risco de câncer de cólon e reto. O aumento diário de ingestão de 25 g de carne processada está associado ao aumento de 49% do risco de câncer de cólon e reto.

Diante desses dados que trouxe, dá pra repensar muita coisa que fazemos no modo automático. Por que endossamos mitos na nossa alimentação sem ao menos refletir sobre eles? Será que uma pessoa que come muita carne é necessariamente uma pessoa bem alimentada e/ou bem nutrida? É possível uma alimentação diferente e livre de crueldade? Pense um pouco sobre...

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.