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Os entregadores estão se organizando e o que você tem a ver com isso

Milo Araújo

Milo Araújo é designer e diretora de arte, pedaleira, caminhadeira e agora escrevedeira. Aprendeu a andar de bike sem as mãos recentemente.

22/06/2020 04h00

No domingo (7) rolou em várias cidades do Brasil atos à favor da democracia e contra o fascismo à brasileira. Em pleno pico da epidemia de Covid no Brasil, as questões políticas estão mega efervescentes. Teria a desaceleração econômica e o isolamento social deixado brasileiras e brasileiros menos entorpecidos para algumas pautas? Talvez. O que é certo é que a atmosfera anda bastante agitada.

Condutas estão sendo revistas e ações estão sendo cobradas. Muitas pessoas famosas ou influentes que antes não se posicionavam ou não abriam convicções pessoais a público hoje estão trazendo conteúdos mais politizados. Mas algo precisa ser muito analisado nessa grande panela fervente de acontecimentos e emoções: depois de sermos metralhados de informações e toda sorte de notícias, nós mudamos nossos comportamentos? As pessoas sempre buscam facilidade, mas é preciso refletir sobre os custos de tais facilidades. E o mais importante: quem paga as contas das nossas facilidades?

No domingo em questão um grupo se destacou na multidão. Os Entregadores Anti-Fascistas marcaram presença e levantaram o debate sobre a precarização das condições de trabalho desta categoria, que tem se feito tão necessária em tempos pandêmicos.

Fonte: @eddietrm

Já faz um tempo que as grandes empresas que fazem a mediação entre entregadores e restaurantes têm sido denunciadas por oferecerem condições insalubres de trabalho. Negligenciam abertamente àqueles que, literalmente, carregam seus nomes nas costas. E com toda a invisibilização da figura do entregador, a coisa fica bem difícil de se levar. Isso nos mostra o tamanho da importância de uma movimentação como a dos Entregadores Anti-Fascistas.

Hoje dei uma passeada pelas redes sociais do grupo e vi que está sendo convocada uma grande Greve Nacional dos Entregadores de App para o dia 01 de Julho. Lá no perfil eles indicam a melhor forma da gente colaborar com a articulação:

  • No dia 01 de Julho, NÃO PEÇA COMIDA PELOS APPS. Uma alta demanda de entregas prejudicaria a manifestação dos entregadores, causando uma alta dispersão do movimento.

  • Ao cozinhar em casa, quando finalizar sua receita, poste uma foto do prato com a hashtag #ApoioBrequeDosApps

  • Se for muito necessário, compre sua comida diretamente dos restaurantes.

  • Procure os apps na sua loja de aplicativos e desça as avaliações. Faça comentários exigindo melhores condições de trabalho aos entregadores. É fundamental que os apps abram um canal de comunicação genuíno com seus colaboradores. Para que isso aconteça, elas precisarão ser pressionadas.

  • Ajude a divulgar a greve! Faça postagens usando as hashtags #ApoioBrequeDosApps e #1DiaSemApp.

Mas fora o dia da greve, podemos colaborar diariamente também. Buscando eliminar esse atravessamento das marketplaces entrando em contato diretamente com o restaurante preferido e exigindo que tenham entregadores, pois se ouve reclamações dos dois lados: tanto do proprietário de restaurantes que reclamam das altas taxas cobradas pelas marketplaces, quanto dos entregadores que pontuam as longas horas em suas exaustivas jornadas de trabalho. Sua valor/hora gira numa média de 10 horas trabalhadas para o ganho de R$ 40, R$50.

Pode parecer pouco, mas se quisermos uma sociedade mais justa devemos pressionar empresas como essas que vem para o Brasil, se aproveitam de falhas nas leis trabalhistas, do alto índice de desemprego para lucrar aos custos de trabalhadores que buscam colocar o que comer na mesa a qualquer custo. Por um consumo consciente!

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.